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terça-feira, 5 de julho de 2011

Ninguém É Perfeito


Sou fã declarado da Pixar. Tenho todos os filmes, sempre dou um jeito de assistir aos lançamentos na primeira semana de exibição, sei inúmeras falas de cor e chorei com Toy Story 3. Adoro a forma como esse estúdio elevou a animação a um patamar nunca antes alcançado. Sim, considero Procurando Nemo, Ratatouille e Wall-E filmes muito superiores até mesmo aos clássicos da Disney em sua fase de ouro. É claro que o elemento nostalgia conta a favor de A Bela e a Fera ou Aladdin, mas em matéria de personagens, roteiro e visual, ninguém conseguiu, até hoje, superar a Pixar. E o estúdio que nunca erra, o estúdio que é símbolo da criatividade, de repente começou a apostar nas continuações. Carros 2 é um filme bom, mas para quem está acostumado a fazer obras primas, isso soa quase como um xingamento.

Depois de ganhar várias Copas Pistão, Relâmpago McQueen, o vaidoso e adorável carro de corrida, é desafiado por um italiano da Fórmula 1 a competir no Grand Prix Mundial. Com a ajuda de Mate e sua equipe, Relâmpago viaja o mundo inteiro, participando de corridas acirradíssimas. Paralela à competição, uma história de espionagem, envolvendo fontes renováveis de energia, se desenrola; com direito a apetrechos dignos de James Bond. Por fim, Mate acaba confundido com um agente secreto e se mete em altas confusões.


Carros 2 tem ação, é divertido e muito engraçado, mas a todo momento parece um filme menor, se comparado ao seu antecessor. Parte dessa sensação é culpa de uma decisão arriscada, tomada por John Lasseter (o chefão da Pixar e um dos diretores do longa), que preferiu a comédia ao drama. Ele deixou o papel principal na mão de Mate, um caipira engraçado, enquanto Relâmpago McQueen assumiu o posto de coadjuvante. E a comédia carrega esse karma, de ser sempre uma forma de arte inferior.

Eu não tenho dúvidas de que as crianças vão surtar com as cenas de ação de Carros 2. O filme foi feito pra elas! Mas nós: pais, tios e primos mais velhos, somos um tanto egoístas e queríamos mais uma vez assistir a um filme adulto disfarçado de infantil. Vamos ter que esperar mais um pouco. Em 2012, a Pixar vem aí com Brave, uma produção que tem sido mantida a sete chaves, e talvez voltem a fazer o que eles sabem melhor: emocionar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Laços Maternos


Gothel é uma velha, obcecada com a aparência, que descobre uma flor mágica, capaz de lhe manter a juventude. O que ela precisa fazer? Ir até a flor de tempos em tempos e cantar uma canção. Mas a planta também guarda o poder da cura, e por isso é capturada e oferecida como chá a uma rainha com a gravidez comprometida. A princesa nasce, adorável e com cabelos mágicos. Desesperada por uma maneira de continuar jovem, Gothel sequestra Rapunzel e a aprisiona no alto de uma torre, onde cria a mocinha como uma mãe sábia e superprodutora. Isso até o esconderijo ser descoberto pelo sedutor fora-da-lei Flynn Ryder e começar a baboseira romântica de sempre.

Essa é a trama de Enrolados, nova animação da Disney que estreia nesta sexta-feira em todo o Brasil (e que esteve em pré-estreia aqui em Brasília na semana passada). O estúdio segue no firme propósito de resgatar sua era de ouro, quando encantava crianças do mundo todo com príncipes, princesas e muita música. Ainda no ano passado lançaram A Princesa e o Sapo, animação deliciosa feita no antigo padrão bidimensional, e foi um sucesso. Já na adaptação da história de Rapunzel, preferiram aderir ao lucro instantâneo que gera um "3D" estampado no pôster. E sim, o visual é incrível, mas não, não acho que isso seja fator determinante na qualidade de um filme.


Enrolados é um conto-de-fadas gracioso e tem todos os elementos que fizeram dos clássicos da Disney, clássicos. Ainda não sei se as crianças de hoje vão curtir esses filmes assim como nós curtimos O Rei Leão, A Bela e a Fera, etc. Acho que não. Talvez a Pixar preencha essa lacuna. Mas não tem como ignorar a qualidade de Enrolados. Apesar dos clichês e da dublagem de Luciano Hulk, o filme consegue explorar muito bem o drama de uma filha que resolve desobedecer à mãe paralelamente à fuga do ladrão mais procurado do reino.

Em uma das cenas mais bem boladas do filme, Rapunzel, finalmente livre, reveza momentos de extrema felicidade com terríveis surtos de culpa. Por mais incrível que seja estar fora da torre que a trancafiou desde pequena, ela sabe que está indo contra tudo o que aprendeu até ali. Porque, como diz uma das músicas cantadas pela detestável Gothel, "sua mãe sabe mais". E quem ousaria desobedecer?