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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Falta que Faz um 3G


127 Horas conta a história de Aron Ralston, um alpinista que decide explorar as montanhas de Utah sozinho e acaba preso numa fenda, com uma pedra esmagando seu braço direito. Sem comida, água ou qualquer tipo de comunicação, ele não tem muitas opções. Então achei que, ou o filme seria muito curto, ou seria muito chato. Não foi nenhum dos dois.

Preso ali, naquela pedra, Aron faz o que dizem acontecer com todo ser humano à beira da morte: recapitula toda a sua vida. E a estrutura não é de um filme contado em flashbacks, como pode parecer. Não, Danny Boyle não é nada convencional. Ele faz uma montagem moderna, envolvendo passado, presente, futuro e ainda um plano da alucinação (sim, Nelson Rodrigues feelings). O resultado é um filme tenso e cheio de ação. Tudo bem que às vezes o ápice da ação é a tentativa de pegar o canivete que caiu no chão, usando um graveto.

A trilha sonora está muito bem colocada. É ela quem diz quando você deve se emocionar, se empolgar ou sofrer. Olha, e se tem uma coisa que eu fiz vendo esse filme, foi sofrer. Talvez porque sou muito sensível à dor dos outros, mas juro que ficava repetindo baixinho "não, por favor, não..." enquanto o filme passava. E James Franco soube transmitir essa dor como ninguém. Ele é mesmo forte candidato ao Oscar (acho que, se a Academia não estivesse devendo pro Colin Firth, o prêmio era dele).

Além de melhor ator, 127 Horas está indicado a melhor filme, roteiro adaptado, trilha sonora, canção original (If I Rise) e edição. Seria uma boa opção, premiar a edição de Jon Harris, já que o filme tem poucas chances nas outras categorias, mas ainda acho os cortes de câmera ousados demais pros senhores da Academia.