Ano passado o Brasil lançou dois grandes sucessos que envolviam espiritismo: a cinebiografia Chico Xavier e a superprodução Nosso Lar (que ainda não vi). Esse ano foi a vez de Clint Eastwood (o veterano diretor de Os Imperdoáveis e Menina de Ouro) embarcar nas tramas que envolvem vida e morte. Naturalmente, tenho repulsa por filmes com temática sobrenatural, mas resolvi dar uma chance ao velho, somente pelo seu currículo. E achei Além da Vida um filme bonito. Muito bonito. Do tipo que você pode comprar depois pra presentear aquela tia velha com a certeza de sucesso na sala de estar.
Tudo começa com um tsunami na Tailândia, em uma das sequências mais espetaculares que já vi, onde uma turista francesa (Cécile De France) acaba passando pela tal da experiência de quase-morte (que só vou acreditar que existe, se acontecer comigo). Ao mesmo tempo outras duas histórias nos são apresentadas. A primeira é sobre um médium (Matt Damon) que decide parar de usar seu dom, já que estava atrapalhando sua vida pessoal. E a outra, sobre um garoto (Frankie McLaren/George McLaren) que perde o irmão gêmeo e passa a buscar, incansavelmente, uma maneira de lhe fazer contato. É claro que, no fim, todas essas narrativas se entrelaçam belamente, no melhor estilo Iñárritu.
Clint tem muita experiência, então penso que deve ser fácil fazer um filme redondinho, com boa fotografia, roteiro e atuações. E achei Além da Vida assim... Um filme bom, mas sem ousadia. Eu fico comparando com Gran Torino (o meu preferido dele) e A Troca e acho que poderia ter saído alguma coisa bem menos adocicada e mais soco no estômago. Mas isso é um problema meu, que gosto de ser surpreendido, e talvez o diretor tenha optado pelo caminho da sutileza, o que é uma escolha. Vamos respeitar.
E calma, Além da Vida não é um filme espírita. Nem chega a tocar no assunto religião. É um filme sobre vida e morte. Sobre os perigos de ultrapassar essa linha tênue que divide os que ainda estão aqui dos que já foram embora. É sobre a capacidade de aceitar a perda e seguir viagem. Sem olhar pra trás.

