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sábado, 12 de maio de 2012

Mixtape - Tarantino's Jukebox

Essa mixtape começa com o maravilhoso diálogo de Pulp Fiction em que um casal apaixonado decide, de última hora, assaltar uma cafeteria. E a partir daí, fica impossível não se entregar à nostalgia, embriaguez e sensualidade que as músicas dos filmes de Quentin Tarantino provocam. Diretor famoso por sua violência, apelo à cultura pop e fascínio por pés, Taranta é especialmente habilidoso na escolha das canções que irão preencher os silêncios de seus filmes. Mais cedo ou mais tarde eu teria que selecionar as melhores para escutar em loop infinito quando batesse aquela vontade de matar alguém.

Aqui você vai poder ouvir a música que embalou a lap dance de Butterfly em À Prova de Morte (faixa 2), o assovio clássico de Elle Driver em Kill Bill (faixa 8), o twist que John Travolta e Uma Thruman dançaram em Pulp Fiction (faixa 10) e a canção que serviu de plano de fundo para uma orelha ser cortada com navalha em Cães de Aluguel (faixa 9), além de outras preciosidades dos anos 70 e 80. Também vale parar um pouco para ouvir Nancy Sinatra cantando Bang Bang (música que abriu de forma dramática o episódio I de Kill Bill) e se deixar levar pela marcha dos Bastardos Ingórios, que encerra a seleção.




Outras Mixtapes:

Músicas de natal: Por um Natal Sem Uva-Passa
Vozes sexys femininas: So Wet, So Tight
Músicas depressivas: Hoje Vou Te Fazer Chorar

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Coisa de Pele


Era pra eu ter escrito sobre A Pele que Habito, novo longa de Pedro Almodóvar, na semana passada, mas alguma coisa me fez perder a hora.

Sou entusiasta desses diretores autorais com estilão marcante: Woody Allen, Tarantino, Scorsese, Tim Burton, Sofia Coppola, Christopher Nolan, Jason Reitman... Todos eles acabaram se tornando mais importantes que suas obras. O nome vem acompanhado de pompa e boa dose de expectativa. E não sei até que ponto essa mania de grife cinematográfica pode prejudicar a boa avaliação de uma fita.  No caso de A Pele que Habito, posso garantir que fiz um esforço pra não achar genial de cara.

É talvez a história mais bizarra que o diretor espanhol já se propôs a contar. Roberto Ledgard (Antonio Banderas) é um cirurgião plástico que vive assombrado por duas tragédias pessoais: o estupro sofrido por sua filha e o acidente que culminou na carbonização do corpo de sua mulher. Essa última é a principal motivação dos projetos recentes do Dr. Ledgard. Ele vem trabalhando no desenvolvimento de uma super-pele, imune a queimaduras e picadas de insetos, por exemplo, e pra isso, usa uma misteriosa cobaia, mantida trancafiada em sua própria casa.


No começo tudo parece estranhamente confuso e a narrativa não linear não ajuda muito a esclarecer as coisas. Mas é justamente esse o maior trunfo do roteiro de Almodóvar. Ele sabe como ninguém a hora certa de soltar cada informação. Até que, de repente, a confusão vira espanto. Muito espanto. E a partir daí, é melhor calar meus dedos pra não estragar a surpresa.

Dizem que A Pele que Habito é a coisa mais diferente que o diretor já fez, mas todas as suas marcas estão lá: as longas cenas de valor estético, a metalinguagem, o dramalhão romântico e a queda pelo ridículo. Tudo muito bem orquestrado, como já era de se esperar. E já deixando de lado a tentativa de desvincular a criatura do criador, podemos dizer que A Pele que Habito é mais um acerto de Almodóvar. Mais um acerto de alguém que, ultimamente, tem errado muito pouco.