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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Mixtape - Polivox

Tenho feito cada vez menos. Como tudo na vida.

Tenho escrito menos, estudado menos, lido menos, dormido menos, comido menos e me importado menos. Tenho tido, assim como Fernando Sabino em Cartas Perto do Coração, uma overdose de particípios.

Então parei de me preocupar tanto com as mixtapes, criar contra-capas com a lista de músicas e disponibilizá-las para download. Primeiro porque vocês não valorizam o esforço e segundo porque chega uma hora na vida em que tudo parece um pouco demais. E a gente começa a cortar gastos (inclusive os de energia).

Coincidentemente, as 14 músicas desta mixtape são gravadas com menos instrumentos que o normal. Na verdade, a maioria das faixas consiste em arranjos de vozes e uma pá de sons produzidos pela boca. Tem Adriana Calcanhotto, BR6, Trio Esperança e umas versões ótimas de Beatles, Gotye, Fun e Rihanna.


Tem mais mixtapes aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Do Tipo Importação


Entrei no Um Que Tenha pra tentar baixar o novo disco do Caetano Veloso, já que minha mãe pediu que eu fizesse uma seleção de MP3 pra ela levar pra Campinas. Uma mãe que nunca apoiou a pirataria ou compartilhamento ilegal de músicas, diga-se. Acontece que, em meio ao excelente acervo do site, acabei encontrando algo ainda mais sensacional: o novo álbum do Trio Esperança, De Bach a Jobim.

Trio Esperança é uma daquelas descobertas que mudam sua vida musical por completo. E desde que ouvi as três irmãs (Eva, Regina e Mariza) cantando Filme Triste, nunca mais consegui me acostumar com outra versão dessa canção. Ou de Expresso 2222, Casaco Marrom, Qualquer Coisa, Corcovado... E confesso: achava que elas nem existiam mais, porque todas as músicas de que eu tinha notícia eram gravações dos anos 60 ou 70. Mas pesquisando agora, descobri que as moças ainda existem (e muito bem por sinal). Elas moram na França.

De Bach a Jobim foi lançado em 2010, somente na Europa. E nele, elas cantam Desafinado, Odeon e até Blackbird (dos Beatles). A minha faixa preferida é Joana Francesa, onde as irmãs misturam francês e português de um jeito extremamente diferente e sedutor. Imagino o sucesso que devem estar fazendo em Paris.

Gosto do Trio Esperança, porque elas lembram minha infância. Porque suas vozes parecem sempre inocentes e coniventes com nossos erros. Suas canções remetem a um tempo onde eu conseguia parar, sentir o cheiro das coisas, perceber suas cores e seus mistérios. O dia passava mais lento e tudo parecia plano de fundo pra bossa nova. Não tinha internet.

Definitivamente, não tinha internet.

PS: Mas hoje tem, então baixa aí.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um Ano


“Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar, tinha orgias do latim e era virgem de mulheres.”
Machado de Assis

Sempre fui um menino romântico. E não falo de escrever cartas ou mandar flores. Falo de idealizar uma história de amor. Que é, afinal, o que todo mundo quer. Viver uma grande história de amor. Ainda mais alguém como eu, que cresci arruinado pelo cinema americano e pela televisão brasileira. Então eu sempre achei que um dia minha grande história de amor iria acontecer. Enquanto isso, escrevi. Escrevi contos, romances... Falava de coisas que eu não conhecia. E não dava muito espaço às mulheres. Meninas, né? Não dava muito espaço... Porque sempre fui muito exigente e me levava a sério demais. E nenhuma ali se encaixava no papel que eu estava procurando. E quando você apareceu, achei que não íamos longe, e tentei ir com calma, pra gente não se machucar. Mas você era diferente e em pouco tempo eu já tinha percebido que era impossível lutar contra isso. Eu estava amando. Talvez, pela primeira vez.