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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sobre Determinação e Pestanas

No fim de novembro do ano passado, decidi que iria aprender violão. E até brinquei, dizendo que não é o tipo de coisa que se decide aos 19 anos (hora em que as pessoas já se dão por satisfeitas com o número de habilidades que acumulam e passam a aperfeiçoá-las em vez de procurar novas). Mas eu sempre gostei muito de cantar e, por não saber instrumento nenhum, tinha duas opções: esperar a boa vontade de alguém que tocasse ou cantar no karaokê. E sempre foi OK, porque minha irmã adora tocar violão, e nosso gosto musical é parecido, e a gente sempre gravou vários covers no YouTube de modo que não sei como nenhum produtor musical descobriu a gente ainda. Mas agora com o nascimento do Caetano, eu meio que percebi a necessidade de ser autossuficiente nesse negócio de música. Eu precisava aprender.

Meu pai tem umas revistas de violão muito boas (pena que elas são tão antigas que os sucessos da época eram Chiquinha Gonzaga e Viriato Figueira) e peguei essas revistas pra aprender as primeiras notas e suas escalas básicas. Mas teoria musical é uma coisa muito pedante, então tratei de encontrar algumas cifras bem fáceis de tocar e parti pra prática. O começo é terrível. Eu demorava cerca de 10 segundos pra mudar de nota, e se eu começasse a cantar junto, errava a batida (porque não sou multitasking). A batida, inclusive, merece atenção especial, porque cada música tem a sua e eu nunca consigo encontrar a batida perfeita (Marcelo D2, me ajuda!). Resultado: Marisa Monte em ritmo de pagode.

Apesar dos dedos calejados, em algumas semanas eu já estava fazendo um som aceitável. E a sensação de fazer música (mesmo que de má qualidade) é muito gostosa. Aos poucos você vai se familiarizando com as cifras, notas e ritmos e percebe que quase tudo é possível. Até que chegam as pestanas. E pestana não é possível. Por isso, já me conformei em ter um repertório limitado. Meus dedos conhecem seus limites.

Essa música do Skank foi uma das primeiras que aprendi a tocar. Gravei a minha segunda voz separada e sincronizei depois, pra ver se reparam mais nela que no violão.