Eu não devia te dizer, mas essa chuva, essa janela, botam a gente comovido como o diabo.
Não tem parado de chover. E isso é bacana, porque alaga a W3 e oferece novas experiências de vida aos brasilienses (que, devido a evolução da espécie, já estavam criando duas corcovas maravilhosas nas costas), mas também é ruim, porque com a chuva vem essa camada espessa da mais pura melancolia disponível no mercado.
E tenho passado as noites mergulhado em mixtapes com as seguintes tags: sad, rain, heartbreak e loneliness... E ouvindo Bookends até que o último traço de felicidade tenha sido exorcizado da minha alma. Porque tem isso, né? Além da chuva, que já pede pelas lágrimas, tem eu, que nasci com essa vocação absurda pro sofrimento.
Ando olhando pra baixo, pra não molhar os óculos, afundo o pé em poças oceânicas, chego molhado na casa dos alunos; e tudo vai ficando apático depois das dez. E eu perco a vontade de ler, de escrever, de estudar... Só consigo permanecer entre uma série e outra, maldizendo novembro e pensando no tanto de coisa que ainda tenho pra amanhã.
Os tênis estão todos molhados. E não tem sol pra secar.
