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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Propaganda Enganosa


Não escondi de ninguém o quanto eu estava empolgado com essa edição do Oscar. Como eu adoro Anne Hathaway e como achei que ela tinha se entrosado perfeitamente com o James Franco. Amei os comerciais que circularam na TV americana e na internet, e fiquei in fire depois que vi o suposto vídeo de um ensaio dos dois dançando com o figurino de Grease. Mas a cerimônia foi das mais sonolentas em anos. Não teve entrosamento e quase nenhuma apresentação ao vivo (fazer clipe, eu também faço).  Não sei vocês, mas na minha terra isso chama propaganda enganosa.

A premiação começou me dando dois sustos: Alice no País das Maravilhas levou direção de arte (onde o favorito era O Discurso do Rei) e A Origem ficou com melhor fotografia (tirando a única provável estatueta de Bravura Indômita). Felizmente as coisas se normalizaram a partir daí e eu consegui alcançar o pessoal do bolão. Os prêmios principais foram bem fáceis de prever. Muita gente tinha apostado em David Fincher como melhor diretor, mas eu sabia que a Academia ia ser coerente, dando os dois prêmios principais pro mesmo filme. Ganhou o rei gago.


Adorei ver o talento de Natalie Portman finalmente reconhecido. E dizem que ela está levando multidões ao cinema. O povão está indo ver Cisne Negro e, por mais que irrite os hipsters cinéfilos descoladszzz, isso é ótimo. Colin Firth também ganhou o Oscar, que merecia desde o ano passado, quando viveu o professor homossexual de Direito de Amar. Toy Story 3 levou melhor canção original e melhor animação quando na verdade deveria ganhar todos os prêmios do universo, mas a Pixar não conseguiu fazer um combo e emplacar Dia e Noite como melhor curta animado.

O pior é que sempre vivo um dilema nessas premiações. Porque o certo seria torcer pelos filmes e atores que eu considero merecedores do prêmio. É o que toda pessoa apaixonada por cinema faria; mas acabo sempre torcendo mesmo pros meus palpites nos bolões. Terrível, eu sei. Passo a cerimônia inteira torcendo pra Academia ser o mais previsível possível e quando a festa acaba, olho pra trás e reclamo por ter sido previsível demais.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Solidão 2.0


Quando ouvi falar sobre A Rede Social, achei que seria aquele tipo de filme "o retrato de uma geração", o que seria incrível, já que é a minha geração. E achei que o público menos familiarizado com a internet, sem uma vida virtual ativa, não teria nenhum tipo de identificação com Mark Zuckerberg, o criador do Facebook e protagonista da história. Mas ontem assisti A Rede Social e vi que não se trata de internet, muito menos de Facebook. Trata-se de solidão.

Mark é um gênio da informática que usa ideias alheias pra desenvolver o que é hoje o maior site de relacionamento do mundo. Tudo isso com a ajuda de Eduardo Saverin (seu melhor e único amigo) e as dicas de Sean Parker (o criador do Napster). Os três são personagens riquíssimos, muito bem interpretados por Jesse Eisenberg, Andrew Garfield e Justin Timberlake. E são eles, aliados à direção absurda de David Fincher, que fazem deste, um dos melhores filmes do ano.


Toda a trama se passa em dois tempos: a criação do Facebook, e um processo judicial onde Mark está sendo acusado de apropriação indevida de bem intelectual (inventei esse crime agora) por uma turma de gente que se sente traída e lesada. O mais interessante é que Mark não quer dinheiro. Ele não fez o Facebook pra isso. Ele só quer exclusividade (e essa palavra é muito usada ao longo do filme como sinônimo de poder e reconhecimento). É o que faz cada um de nós buscarmos melhores empregos e relacionamentos, e isso inclui nossas relações virtuais.

Se ele conseguiu ou não, se ele é feliz ou não, cabe ao espectador decifrar. Na verdade, o filme deixa muitas perguntas sem respostas, o que faz do protagonista ainda mais interessante. A cena final é de uma crueza assustadora. A gente sai do cinema com um pouco de admiração e bastante pena. Pena do Mark. Pena de nós mesmos.