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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Top 10 - Filmes do Oscar 2011

Não foi uma safra espetacular, mas achei melhor que o ano passado, quando tivemos Um Sonho Possível (aquela calamidade com Sandra Bullock) figurando entre os indicados. Aqui vai a lista dos 10 filmes que estão no páreo esse ano, organizados de acordo com a minha preferência. Não se trata de quem eu acho que vai ganhar o Oscar, mas de quem eu acho que deveria ganhar.

10. Bravura Indômita


Os irmãos Coen são muito talentosos e já levaram o Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez, que é bem mais ousado que esse Bravura Indômita. Aqui, fazem o remake de um filme que  ainda não vi (o que me permitiu avaliar sem preconceitos) e parecem se contentar com as excelentes atuações de Jeff Bridges e Hailee Steinfeld (a garotinha de 14 anos, forte concorrente ao Oscar de coadjuvante). Faltou aquele humor negro delicioso que deixa a gente com vergonha.

9. Inverno da Alma


Inverno da Alma é um filme cru, sem muitos recursos, montagem elaborada ou outros fricotes. Por isso, tão difícil de assistir... Desagradável. Conta a história de uma adolescente (Jennifer Lawrence, a revelação do ano) que precisa encontrar seu pai (um traficante da região, que sumiu deixando dívidas) para não perder sua casa, onde cria os dois irmãos mais novos, já que a mãe é inválida. Ao longo da busca, somos apresentados aos personagens da vizinhança, que são violentos, instáveis, assustadores mesmo. E existe esse medo muito grande, durante todo filme, de que ela se dê mal.

8. O Vencedor


Christian Bale é, talvez, a maior certeza do Oscar 2011. Magro e cheio de trejeitos, ele vive um ex-lutador que sofre com a dependência do crack. Seu irmão mais novo, que também luta, funciona como um depósito dos seus sonhos frustrados. Mas O Vencedor não é um filme de boxe. É um drama familiar. E além do Bale, temos Melissa Leo, fazendo uma mãe nada imparcial, e Amy Adams, finalmente em um papel menos adocicado. Com esse elenco, o filme nem precisa ser bom.

7. Minhas Mães e Meu Pai


O indie do ano (ao lado de Juno e Pequena Miss Sunshine nos anos anteriores), Minhas Mães e Meu Pai une um elenco muito entrosado, diálogos inteligentes e ótima trilha sonora pra compôr uma agradável crônica dos nossos tempos. Achei engraçado que Annette Bening foi indicada ao Oscar e Julianne Moore não. E eu acho o papel da Julianne, nesse filme, bem mais difícil. É ela quem vive todo o conflito da traição e da vergonha perante uma família muito bem estruturada. Acho que foi uma daquelas indicações por dívida.

6. O Discurso do Rei


É inegável a beleza de O Discurso do Rei. O filme parece uma jóia, cuidadosamente polida. Tudo é muito caprichado. Desde o figurino e direção de arte até a fotografia (com um enquadramento não convencional). É o favorito ao Oscar, porque os acadêmicos nunca resistem à monarquia inglesa (morrem de inveja, na verdade). E Colin Firth faz um trabalho sublime como o rei gago em busca de tratamento. Mas eu não quero que O Discurso do Rei leve o prêmio principal. Considero um retrocesso da Academia, que vinha finalmente se libertando do clássico cinemão.

5. 127 Horas


127 Horas é um filme feito com apenas um personagem, sua agonia, seus medos e seus sonhos. A direção brilhante de Danny Boyle (já coroado por Quem Quer Ser um Milionário?) consegue pegar esse material aparentemente escasso e transformá-lo numa obra intensa e sensível. E nós, que estamos presos ali com o James Franco, acabamos por avaliar nossa própria vida. O que pode ser ainda mais doloroso que ter o braço arrancado.

4. A Origem


Christopher Nolan é genial. Acho que não vai demorar muito até que todos reconheçam isso. A Origem é um quebra-cabeça. Filosófico, com final aberto e que trata de um assunto ainda muito misterioso pra nós: os sonhos. A maior injustiça do ano foi Nolan não ter sido indicado a melhor diretor. Para reparar o erro, espero que a Academia dê todos os prêmios técnicos pra esse filmaço, incluindo o de melhor trilha sonora (que, na verdade, é toda trabalhada na mensagem subliminar).

3. A Rede Social


Muito se fala sobre este ser o filme do momento, mas o que realmente me encantou em A Rede Social foi justamente seu caráter atemporal. Foi ver Jesse Eisenberg vivendo um dos personagens mais dúbios que o cinema já abrigou. Foi ver um filme sobre amizade e traição não cair no clichê. Porque David Fincher não deixa nada muito claro. Quanto mais conhecemos Mark, o criador do Facebook, mais temos a impressão de que nada sabemos dele.

2. Cisne Negro


"Eu tive um sonho estranho ontem à noite, sobre a garota que é transformada em um cisne. Ela precisa de amor pra quebrar o feitiço. Mas seu príncipe se apaixona pela garota errada e então.... Ela se mata". Alucinação e realidade se confundem nesse espetáculo orquestrado por Darren Aronofsky. Natalie Portman entrega sua melhor atuação e, se houver justiça no mundo, vai ganhar o Oscar no dia 27. Ela é a personificação da batalha interna que travamos a cada dia. De um lado a técnica e o romance, do outro a impulsividade e o sexo.

1. Toy Story 3


Aqui o lado pessoal falou mais alto. É a história da nossa infância chegando ao fim. É a hora de despedir de todos esses personagens incríveis, que nos divertiram por tanto tempo. Impossível não se sentir um pouco Andy, ao ver  Woody e Buzz ficando pra trás. Impossível segurar as lágrimas... Crescer dói.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Você Está Convidado


Esse é o pôster do Oscar 2011, que vem assim, todo amigável, convidando você a participar do espetáculo. O site oficial também está com essa proposta, pedindo pra você se cadastrar e participar de previsões, bolões, assistir vídeos históricos, dos bastidores, etc... Tá bem bonito o negócio.


Ontem a Academia divulgou os indicados nas principais categorias. Parece que a maior surpresa foi ver Inverno da Alma figurando entre os 10 finalistas por melhor filme. E os irmãos Coen roubando o lugar de Christopher Nolan entre os indicados a melhor diretor. O que é uma das maiores injustiças que o Oscar já fez. Tudo bem que A Origem pode não ser o favorito do ano, como muita gente supôs, mas é inegável a genialidade de Nolan, que fez Amnésia, O Grande Truque (um dos meus filmes preferidos), O Cavaleiro das Trevas, entre outros, e nunca foi indicado. Acho difícil ele fazer algo melhor do que ele tem feito. Porque, assim... Chega muito perto da perfeição.

Parece então que a briga vai ser entre A Rede Social (filme do momento, de um diretor que já bateu na trave em 2009) e O Discurso do Rei, que é o tipo de cinema que os acadêmicos adoram: de época, classudo e com grande elenco. Ainda não vi O Discurso do Rei, mas não acho que a Academia vá voltar atrás. Ela tem se modernizado nos últimos anos... Premiou Guerra ao Terror ano passado, Quem Quer Ser um Milionário em 2009 e Onde os Fracos Não Têm Vez em 2008. Nada muito clássico, né? Vamos torcer pra que continue assim.

Nas outras categorias, o que mais me interessa é o embate entre a veterana Annette Bening (que vive uma lésbica no sucesso indie do ano) e Natalie Portman (que tem sido elogiada pelo seu difícil papel em Cisne Negro). Melhor ator é prêmio certo pra Colin Firth, que já tinha sido indicado ano passado e não ganhou. E o Oscar de melhor animação poderia passar a se chamar Oscar Pixar Animation Studios, né gente? Vamos sugerir isso aí.


Os apresentadores da noite vão ser James Franco (que tá indicado a melhor ator por 127 Horas, pode isso Arnaldo?) e Anne Hathaway. Tudo pra garantir uma audiência bem jovem e descolada no dia 27 de fevereiro. Até lá, vou tentando ver o maior número de filmes que eu conseguir e comentando os mais interessantes aqui. Estamos juntos nessa?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Top 10 - Filmes 2010

Podemos dizer que foi um ano bom pro cinema. Tivemos Martin Scorsese, Christopher Nolan, David Fincher, Quentin Tarantino e Woody Allen, entre outros que fizeram o dever de casa direitinho e transformaram 2010 em um ano saboroso pros cinéfilos. Listei aqui os 10 melhores filmes lançados no Brasil desde janeiro, classificados de acordo com o meu gosto (que pode não ser tão refinado quanto o seu, desculpa). Lembrando que, embora eu tenha me esforçado, não vi todos os filmes lançados no ano, então alguma coisa boa pode ter ficado de fora.

10. À Prova de Morte
À Prova de Morte foi lançado em 2007 nos EUA, mas por algum motivo estúpido só chegou ao Brasil 3 anos  depois. Aqui, Tarantino se joga nas cenas de perseguição, nos diálogos intermináveis e no fetiche por pés (cada vez mais doentio, tenho reparado). Mas o que torna esse filme imperdível é sua cena final. Um clímax desses de lavar a alma. Com sangue.

Death Proof
2007
Quentin Tarantino


9. As Melhores Coisas do Mundo
Tenho uma queda por filmes adolescentes e fiquei muito feliz ao ver uma produção brasileira tratar do assunto sem descambar pro clichê ou pra caricatura. Laís Bodanzky, diretora de Bicho de Sete Cabeças, se aventura em um gênero completamente diferente, e não erra a mão. Destaque pra atuação contida e verdadeira de Denise Fraga.

As Melhores Coisas do Mundo
2010
Laís Bodanzky


8. Mother - A Busca Pela Verdade
Do mesmo diretor do aclamado O Hospedeiro, Mother é um filme oriental que conta a história de uma mãe e sua luta para provar a inocência do filho em um homicídio. A narrativa é conduzida com maestria, envolvendo o espectador em uma teia de dúvidas e reviravoltas. Poucos filmes me fizeram torcer tanto pelo protagonista.

Madeo
2009
Joon-ho Bong


7. Minhas Mães e Meu Pai
Julianne Moore e Annette Benning (em sua melhor atuação desde Beleza Americana) são um casal de lésbicas que têm dois filhos gerados através de um banco de esperma. Prestes a ir para a faculdade, a filha mais velha decide conhecer o homem responsável pela doação, o que abala toda a família. Comédia dramática, já apontada como uma das favoritas no Globo de Ouro 2011.

The Kids Are All Right
2010
Lisa Cholodenko


6. Ilha do Medo
O mestre Scorsese cria aqui um thriller com cara de terror dos anos 50. Leonardo DiCaprio vive um perturbado detetive que, enquanto tenta solucionar um misterioso crime, percebe que pode estar sendo enganado pela sua própria consciência. A fotografia sombria e a grandiosa trilha sonora fazem desta ilha um dos cenários mais assustadores do cinema.

Shutter Island
2010
Martin Scorsese


5. A Origem
Talvez o filme mais polêmico do ano. Teve gente que achou tudo um grande radar e teve gente que amou. Eu, definitivamente, sou do segundo grupo. E acredito que qualquer um que realmente tivesse comprado a ideia dos sonhos e se deixado envolver pelo roteiro frenético do Nolan, teria vivido uma experiência arrebatadora na sala de exibição.

Inception
2010
Christopher Nolan


4. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
Foi o começo do fim. E pela primeira parte, podemos esperar algo realmente grande no ano que vem. A série nunca esteve tão profunda, sombria e triste. A sensação que temos, ao longo do filme, é que algo realmente ruim está prestes e acontecer. O trio principal aproveita o foco contemplativo e mostra que, além de celebridades teens, são atores bem competentes.

Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1
2010
David Yates


3. Tudo Pode Dar Certo
Woody Allen fechou 2010 com dois filmes e, apesar de ter gostado muito de Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos (ainda em exibição nos cinemas), achei Tudo Pode Dar Certo uma comédia bem mais competente. A história do velho neurótico redescobrindo a vida e o amor ao lado de uma adolescente é simplesmente irresistível.

Whatever Words
2009
Woody Allen


2. A Rede Social
Eu poderia enumerar aqui as qualidades do novo filme de David Fincher e o que me fez gostar tanto dele, mas fiz isso no post anterior. Então lê lá. Ah sim, A Rede Social foi eleito o filme do ano pelo Círculo de Críticos Cinematográficos de Nova York. Ano passado quem ganhou esse prêmio foi Guerra ao Terror (que mais tarde também levou o Oscar). Não precisa dizer mais nada, né?

The Social Network
2010
David Fincher


1. Toy Story 3
Acho que só quem cresceu com o Andy vai entender a minha comoção. Quando assisti Toy Story 3 chorei tanto que tive de torcer a camisa depois. O filme pode ter sido a melhor comédia da Pixar, uma história sobre amizade e união, mas pra mim pode ser definido em uma palavra: despedida. E como é triste ter que dar adeus a personagens que me fizeram tão feliz.

Toy Story 3
2010
Lee Unkrich

Que em 2011 tenhamos ainda mais sorte. E pipoca.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Solidão 2.0


Quando ouvi falar sobre A Rede Social, achei que seria aquele tipo de filme "o retrato de uma geração", o que seria incrível, já que é a minha geração. E achei que o público menos familiarizado com a internet, sem uma vida virtual ativa, não teria nenhum tipo de identificação com Mark Zuckerberg, o criador do Facebook e protagonista da história. Mas ontem assisti A Rede Social e vi que não se trata de internet, muito menos de Facebook. Trata-se de solidão.

Mark é um gênio da informática que usa ideias alheias pra desenvolver o que é hoje o maior site de relacionamento do mundo. Tudo isso com a ajuda de Eduardo Saverin (seu melhor e único amigo) e as dicas de Sean Parker (o criador do Napster). Os três são personagens riquíssimos, muito bem interpretados por Jesse Eisenberg, Andrew Garfield e Justin Timberlake. E são eles, aliados à direção absurda de David Fincher, que fazem deste, um dos melhores filmes do ano.


Toda a trama se passa em dois tempos: a criação do Facebook, e um processo judicial onde Mark está sendo acusado de apropriação indevida de bem intelectual (inventei esse crime agora) por uma turma de gente que se sente traída e lesada. O mais interessante é que Mark não quer dinheiro. Ele não fez o Facebook pra isso. Ele só quer exclusividade (e essa palavra é muito usada ao longo do filme como sinônimo de poder e reconhecimento). É o que faz cada um de nós buscarmos melhores empregos e relacionamentos, e isso inclui nossas relações virtuais.

Se ele conseguiu ou não, se ele é feliz ou não, cabe ao espectador decifrar. Na verdade, o filme deixa muitas perguntas sem respostas, o que faz do protagonista ainda mais interessante. A cena final é de uma crueza assustadora. A gente sai do cinema com um pouco de admiração e bastante pena. Pena do Mark. Pena de nós mesmos.