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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os Melhores Filmes de 2011

Acho que 2011 foi o ano em que eu mais fui ao cinema, mas, pra minha tristeza, também foi um dos mais fracos da indústria. Com muito esforço, fiz minha lista dos 10 filmes que mais me cativaram, provocaram ou fizeram pensar ao longo desses 12 meses. Todos foram lançados no Brasil entre janeiro e dezembro de 2011. Se você deixou algum desses passar, só digo uma coisa: tremendo vacilão.



Foi a maior surpresa do ano. Comédia romântica com Steve Carrel, Julianne Moore , Ryan Gosling e Emma Stone. Todo mundo super à vontade, com um roteiro inteligentíssimo, nada previsível e muito elegante.



Três crianças cresceram juntas em um internato que prepara doadores de órgãos para serem sacrificados quando a idade certa chegar. É um filme sobre amor, fadado ao sofrimento. Tem uma das fotografias mais lindas que já vi, direção de Mark Romanek e atuação de Andrew Garfield, Keira Knightley e a maravilhosa Carey Mulligan.



Esse ano a Pixar ficou devendo uma obra-prima (porque, convenhamos, Carros 2 não é), mas o espaço que ficou em branco foi gloriosamente preenchido por Rango. Um western ousado, com personagens cativantes e sequências muito bem elaboradas. Te cuida, John Lasseter!



Pânico 4 é tão atrevido que, já na sequência inicial, assume o ridículo e brinca com a própria fórmula. É a fita de terror da nossa geração. Dessa vez com ainda mais mortes, ligações anônimas e referências, pros amantes do gênero.



Cheio de diálogos dolorosos, Namorados para Sempre (pior tradução de título, inclusive) é o tipo de filme que não desce muito fácil. Mostra a relação de Cindy e Dean em dois tempos, no começo do namoro e alguns anos depois de casados, e todas as transformações que vieram desse intervalo.



Almodóvar nos presenteou esse ano com um filme corajoso, estranho e bem próximo do bizarro. Com sua trama repleta de labirintos e flashbacks, A Pele que Habito coloca em cheque uma das maiores seguranças do ser humano: seu próprio gênero.

4. Os 3


Três amigos inseparáveis criam um reality show e decidem colocá-lo em prática usando suas próprias vidas. Pra evitar que o projeto seja um fracasso, eles começam a forjar um triângulo amoroso, mas, com o tempo, a linha entre ficção e realidade se torna cada vez mais tênue.



O novo filme de Lars Von Trier retrata a depressão como nenhum outro conseguiu até hoje e, pra isso, usa uma grande metáfora. Melancolia é o nome de um planeta que está se aproximando e, mais cedo ou mais tarde, irá se chocar com a Terra. Kirsten Dunst faz a melhor atuação da sua vida e é uma pena que não esteja entre as favoritas pro Oscar 2012.



Saiu aqui no Brasil no comecinho do ano e tudo que havia pra ser dito sobre ele, já foi. É uma história sobre  transformação, entrega e disciplina. Tem Natalie Portman num trabalho visceral e Mila Kunis fazendo o que sabe fazer de melhor (ser gata).



Meia-Noite em Paris é romântico, leve e delicioso. Sem a prisão da verossimilhança, Woody Allen realiza seus sonhos e coloca ícones da literatura norte-americana contracenando com um escritor frustrado do século XXI. Tudo parece uma grande brincadeira e por isso mesmo, faz a gente sair do cinema com um sorriso no rosto e uma vontade sobre-humana de tomar banho de chuva.

PS: Minha prima acaba de me lembrar nos comentários que esqueci de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2. E realmente, não sei como deixei passar. Foi um filmaço, eu vibrei demais e com certeza ele teria um lugar entre os 10 melhores do ano. Mas sei lá... Acho que meu subconsciente coloca Harry Potter num lugar diferente dos filmes normais. Não é só cinema. É um fenômeno.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Top 10 - Filmes do Oscar 2011

Não foi uma safra espetacular, mas achei melhor que o ano passado, quando tivemos Um Sonho Possível (aquela calamidade com Sandra Bullock) figurando entre os indicados. Aqui vai a lista dos 10 filmes que estão no páreo esse ano, organizados de acordo com a minha preferência. Não se trata de quem eu acho que vai ganhar o Oscar, mas de quem eu acho que deveria ganhar.

10. Bravura Indômita


Os irmãos Coen são muito talentosos e já levaram o Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez, que é bem mais ousado que esse Bravura Indômita. Aqui, fazem o remake de um filme que  ainda não vi (o que me permitiu avaliar sem preconceitos) e parecem se contentar com as excelentes atuações de Jeff Bridges e Hailee Steinfeld (a garotinha de 14 anos, forte concorrente ao Oscar de coadjuvante). Faltou aquele humor negro delicioso que deixa a gente com vergonha.

9. Inverno da Alma


Inverno da Alma é um filme cru, sem muitos recursos, montagem elaborada ou outros fricotes. Por isso, tão difícil de assistir... Desagradável. Conta a história de uma adolescente (Jennifer Lawrence, a revelação do ano) que precisa encontrar seu pai (um traficante da região, que sumiu deixando dívidas) para não perder sua casa, onde cria os dois irmãos mais novos, já que a mãe é inválida. Ao longo da busca, somos apresentados aos personagens da vizinhança, que são violentos, instáveis, assustadores mesmo. E existe esse medo muito grande, durante todo filme, de que ela se dê mal.

8. O Vencedor


Christian Bale é, talvez, a maior certeza do Oscar 2011. Magro e cheio de trejeitos, ele vive um ex-lutador que sofre com a dependência do crack. Seu irmão mais novo, que também luta, funciona como um depósito dos seus sonhos frustrados. Mas O Vencedor não é um filme de boxe. É um drama familiar. E além do Bale, temos Melissa Leo, fazendo uma mãe nada imparcial, e Amy Adams, finalmente em um papel menos adocicado. Com esse elenco, o filme nem precisa ser bom.

7. Minhas Mães e Meu Pai


O indie do ano (ao lado de Juno e Pequena Miss Sunshine nos anos anteriores), Minhas Mães e Meu Pai une um elenco muito entrosado, diálogos inteligentes e ótima trilha sonora pra compôr uma agradável crônica dos nossos tempos. Achei engraçado que Annette Bening foi indicada ao Oscar e Julianne Moore não. E eu acho o papel da Julianne, nesse filme, bem mais difícil. É ela quem vive todo o conflito da traição e da vergonha perante uma família muito bem estruturada. Acho que foi uma daquelas indicações por dívida.

6. O Discurso do Rei


É inegável a beleza de O Discurso do Rei. O filme parece uma jóia, cuidadosamente polida. Tudo é muito caprichado. Desde o figurino e direção de arte até a fotografia (com um enquadramento não convencional). É o favorito ao Oscar, porque os acadêmicos nunca resistem à monarquia inglesa (morrem de inveja, na verdade). E Colin Firth faz um trabalho sublime como o rei gago em busca de tratamento. Mas eu não quero que O Discurso do Rei leve o prêmio principal. Considero um retrocesso da Academia, que vinha finalmente se libertando do clássico cinemão.

5. 127 Horas


127 Horas é um filme feito com apenas um personagem, sua agonia, seus medos e seus sonhos. A direção brilhante de Danny Boyle (já coroado por Quem Quer Ser um Milionário?) consegue pegar esse material aparentemente escasso e transformá-lo numa obra intensa e sensível. E nós, que estamos presos ali com o James Franco, acabamos por avaliar nossa própria vida. O que pode ser ainda mais doloroso que ter o braço arrancado.

4. A Origem


Christopher Nolan é genial. Acho que não vai demorar muito até que todos reconheçam isso. A Origem é um quebra-cabeça. Filosófico, com final aberto e que trata de um assunto ainda muito misterioso pra nós: os sonhos. A maior injustiça do ano foi Nolan não ter sido indicado a melhor diretor. Para reparar o erro, espero que a Academia dê todos os prêmios técnicos pra esse filmaço, incluindo o de melhor trilha sonora (que, na verdade, é toda trabalhada na mensagem subliminar).

3. A Rede Social


Muito se fala sobre este ser o filme do momento, mas o que realmente me encantou em A Rede Social foi justamente seu caráter atemporal. Foi ver Jesse Eisenberg vivendo um dos personagens mais dúbios que o cinema já abrigou. Foi ver um filme sobre amizade e traição não cair no clichê. Porque David Fincher não deixa nada muito claro. Quanto mais conhecemos Mark, o criador do Facebook, mais temos a impressão de que nada sabemos dele.

2. Cisne Negro


"Eu tive um sonho estranho ontem à noite, sobre a garota que é transformada em um cisne. Ela precisa de amor pra quebrar o feitiço. Mas seu príncipe se apaixona pela garota errada e então.... Ela se mata". Alucinação e realidade se confundem nesse espetáculo orquestrado por Darren Aronofsky. Natalie Portman entrega sua melhor atuação e, se houver justiça no mundo, vai ganhar o Oscar no dia 27. Ela é a personificação da batalha interna que travamos a cada dia. De um lado a técnica e o romance, do outro a impulsividade e o sexo.

1. Toy Story 3


Aqui o lado pessoal falou mais alto. É a história da nossa infância chegando ao fim. É a hora de despedir de todos esses personagens incríveis, que nos divertiram por tanto tempo. Impossível não se sentir um pouco Andy, ao ver  Woody e Buzz ficando pra trás. Impossível segurar as lágrimas... Crescer dói.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Grande Dama


Nada me deixa mais feliz que ver uma atriz talentosa receber um papel à sua altura. Acompanho Natalie Portman desde o primeiro episódio de Star Wars, quando ela vivia a encantadora Rainha Padmé Amidala, e me apaixonei perdidamente em 2004, quando ela fez absurdos em Closer - Perto Demais. Hoje, acho que Natalie Portman atingiu o ápice de sua carreira. Está em sua melhor forma, como a obcecada bailarina Nina Sayers, de Cisne Negro. Uma dessas interpretações que, de tão intensas, parecem consumir cada partícula do ator.

Nina conquista o papel principal na clássica montagem de O Lago dos Cisnes, onde deve interpretar duas personagens. A primeira é o cisne branco, belo, doce e gracioso. A segunda é o cisne negro, intenso, sensual e agressivo. A bailarina tem dificuldades com o segundo papel, já que este exige um pouco menos de técnica e mais impulsividade. Nina Sayers é do tipo que preza pela perfeição em cada movimento. Da hora em que acorda, até a hora em que vai dormir, tudo o que ela faz é treinar. Uma mulher que entrega sua vida à arte, com tamanho desprendimento que acaba abrindo mão da sua própria lucidez.


O ambiente que Cisne Negro reproduz não se assemelha em nada à leveza de um espetáculo de balé. As dançarinas são expostas à pressão e treinos exaustivos. A maior parte delas tem os pés machucados. E a câmera de Matthew Libatique faz questão de focalizar os detalhes mais assustadores desses campos de tortura. Como se isso não bastasse, Nina passa a ser atormentada por estranhas visões que remetem à fábula dos cisnes. Nestes momentos, a trilha sonora desempenha um papel importantíssimo, transformando o filme num terror psicológico dos mais apavorantes.

Adoro histórias que falam sobre o processo criativo de um artista, seja ele dançarino, escritor ou músico. Sempre me encanta ver alguém enfrentando seus limites em prol de uma obra de arte. E nesses casos, quando a ficção encontra a realidade, fica muito difícil não torcer pelo sucesso de Nina Sayers, no Lago dos Cisnes, ou de Natalie Portman, no Oscar 2011.