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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os Melhores Filmes de 2012

Eu achei que o ano passado tinha sido ruim em matéria de cinema, mas não. 2012 veio e mostrou que as coisas sempre podem ficar um pouco piores. Ainda assim, consegui garimpar 10 títulos que fizeram o ingresso valer a pena. Aí estão os filmes que mais me emocionaram, encantaram e fizeram sofrer ao longo desses 12 meses. Todos foram lançados no Brasil de janeiro a dezembro de 2012 e o único critério utilizado para a escolha foi, mais uma vez, minha visão pessoal, parcial e pouco confiável.

10. Heleno



Com uma belíssima fotografia em preto e branco, Heleno conta a história do famigerado e problemático jogador de futebol que por anos brilhou no Botafogo. E se sua paixão e doença aparece aqui tão evidente e assustadora, a culpa é toda de Rodrigo Santoro, que entrega uma atuação marcante.



Viva os filmes de máfia! E todo o seu sangue, e suas frases de efeito, e seus elencos espetaculares. Este conta com um Tom Hardy canastrão e uma Jessica Chastain encantadora; usa a figura lendária do mafioso para discutir a própria lenda e faz tudo isso com um ritmo e tensão exemplares.



Um diretor novo fazendo um filme despretensioso e original. Poder Sem Limites fala de três adolescentes que, após uma noite incomum, começam a mover objetos e outros seres com a mente. O poder é sedutor e incontrolável, assim como a própria juventude.



No último filme de Jason Reitman (diretor de Juno e Amor Sem Escalas), Charlize Theron vive uma escritora de livros juvenis que, motivada por um convite de batizado, volta à sua antiga cidade e é obrigada a enfrentar sua frustração, infelicidade e loucura. É o retrato de uma geração que não soube crescer (como se alguma soubesse).



Ruby Sparks é uma menina linda, inteligente, cool e fictícia. Ou não. A história de Calvin, um escritor em crise criativa e sua personagem que ganha vida, é um triste exercício de metalinguagem. O filme parece uma comédia romântica bobinha, quando na verdade é um espelho indiscreto de todo artista frustrado com o ego gigante.

5. Precisamos Falar Sobre o Kevin


A história do cinema é cheia de filmes sobre crianças diabólicas e suas atrocidades nada infantis. Em Precisamos Falar Sobre Kevin, porém, o foco está na mãe do psicopata. E Tilda Swinton destrói no papel. A relação de Eva e seu filho é doentia e deixa a plateia atordoada, sem saber a quem culpar.

4. Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios


Camila Pitanga encarna a musa inspiradora de um fotógrafo libertário e, ao mesmo tempo, o objeto de adoração de um pastor evangélico. O cenário é ermo, a trama é incômoda e tudo é pura poesia. Não do tipo que encanta, mas do tipo que apavora.

3. Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Não é que eu seja fã do Christopher Nolan (e eu sou), mas a verdade é que ninguém pode desmerecer o que esse homem fez com um personagem de história em quadrinhos. A trilogia iniciada em Batman Begins, e encerrada aqui epicamente, é mais que uma franquia de super-heróis. É cinema. E da melhor qualidade.

2. As Vantagens de Ser Invisível


Hollywood respira aliviada, porque a nova geração de atores já mostrou a que veio. As Vantagens de Ser Invisível é um filme de temática adolescente, com Hermione, Kevin e Percy Jackson, todos extremamente seguros e carismáticos. Stephen Chbosky (que também escreveu o romance em que o filme se baseia) não se limita aos clichês adolescentes e entrega um trabalho maduro e comovente.

1. Drive


Drive é dessas obras incategorizáveis. Porque é uma história de amor, mas também é uma história de violência. Tem muito silêncio e, ao mesmo tempo, uma trilha sonora extremamente marcada que funciona como catalisadora de tensões. E Tem Ryan Gosling em seu melhor papel até hoje. É um filme sobre o conto do escorpião, a violência como demonstração de amor, nosso caminho inevitável para a morte e a beleza de tudo isso.

Atualização:

Antes do ano acabar, e depois de ter feito essa lista, fui ao cinema assistir As Aventuras de Pi. O filme entraria, sem dúvidas, na lista de melhores do ano. Muito provavelmente em segundo ou primeiro lugar. Falei dele aqui.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Jovens Adultos e o Limbo Imobiliário


Mavis Gary, a personagem principal de Jovens Adultos (novo filme do Jason Reitman), nasceu no interior do estado de Minnesota, mas resolveu ser frustrada na cidade grande. Basicamente é o que muita gente que nasce no subúrbio ou na roça faz. Com a ideia fixa de que o mundo é muito mais que aquela avenida e suas quatro transversais, a pessoa resolve fazer as malas e sair da casa dos pais em busca de uma vida realmente excitante. Mas olha! Se você não é excitante, independente do endereço, sua vida vai continuar uma bosta.

O filme é abusadamente contemporâneo, cheio de Coca-Colas, Pizzas Huts e KFCs espalhados pelo cenário, tem um ritmo delicioso e um bom uso da trilha sonora (como é de se esperar num filme do Jason Reitman), mas sua maior qualidade é mesmo o trabalho de Charlize Theron, que aqui faz uma personagem ora incrível, ora patética (com predominância desse último). O problema é que ver Mavis Gary sendo ridícula e tomar consciência disso foi como me olhar num espelho mal educado. E acaba que vivemos, enquanto assistimos ao filme, algo que a própria personagem irá viver logo mais na tela: uma súbita revelação dos nossos próprios defeitos.

Mavis decide voltar pra sua cidade natal porque sua vida de ghostwriter de série infanto-juvenil fracassada não anda muito boa, mas na primeira visita à casa dos seus pais, rola toda aquela incompatibilidade característica de quem já não tem nada a ver. E isso é tão comum... Eu saí da casa dos meus há menos de um ano (quer dizer, eles saíram da nossa cidade) e às vezes me pego morrendo de vontade de voltar. O que é uma grande ilusão, porque quando a gente tá longe, as lembranças são todas maravilhosas, envolvendo cafunés e pizzas na frente da TV. Ninguém lembra das encheções de saco características de qualquer dinâmica familiar. Aposto que, se eu realmente voltasse, não conseguiria ficar confortável por mais de uma semana.


Uma amiga minha, que alugou seu próprio apartamento a pouco tempo, disse também estar no limbo da vida adulta. Isso de não pertencer à casa dos pais, mas também não pertencer a lugar nenhum. Dia desses ela afirmou ter sido empurrada pela sua porta enquanto tentava entrar em casa.

Acho que todo mundo tem uma Minnesota. É aquela cidade do interior onde você cresceu, confortável e protegido, mas que hoje em dia não te acolhe mais. E o problema não tá em Minnesota. Claro que não. O problema está em mim, na Mavis Gary e na minha amiga empurrada pela própria porta. Somos nós que acabamos nos tornando diferentes demais pra poder voltar.