Tá péssimo. Chego aqui já por volta da meia-noite, cheio de sono, preocupação e desespero e qualquer promessa de texto minimamente razoável simplesmente evapora. E tem sido cada vez mais cansativo lidar com minha desorganização. Nunca foi fácil, é verdade, mas tenho atingido níveis inimagináveis de caos. Sinto que viver minha vida é como fazer malabarismo no semáforo. Tem sempre uma bola caindo e você precisa jogá-la pra cima a tempo de pegar a seguinte e jogá-la pra cima de novo, porque logo ali vem mais uma e esse esforço eterno e infinito.
Procrastinação é uma falha de caráter, eu acho. Não tem muito o que fazer. Ou você adota um estilo de vida zen e decide não se preocupar ou sua vida vai ser isso aí mesmo: um eterno malabares. E não vou dizer que é fácil. Quem vive de esmola em semáforo sabe como é punk ter que ficar ali na frente jogando as bolas pra cima pra, na maioria das vezes, nem ter o esforço reconhecido. As esmolas são pequenas. O pessoal tem andando de vidro fechado...
E hoje percebi que não estou só fazendo malabares. Estou fazendo malabares em cima de um monociclo (esse monociclo aí eu vou deixar pra capacidade metafórica de cada um traduzir). E que nunca foi tão fácil perder o equilíbrio e estragar o show.
Prevejo as bolas rolando no chão, eu caído no asfalto e nenhuma esmola.