Mostrando postagens com marcador tempo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tempo. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de maio de 2015

Longa História de um Blog Abandonado

Blogs abandonados duram muito, se não pra sempre. Um blog abandonado não cobra e nem te deixa culpado. O máximo que pode acontecer é ele continuar a ser um blog abandonado. Agora se ele fosse um blog com atualizações diárias, semanais, quinzenais... mensais, que fosse... ainda assim ele não duraria tanto quanto um blog abandonado. Porque o sentimento de frustração, quando você precisar manter o ritmo e não conseguir (ou não estiver a fim), e a irritação de ficar arrastando uma coisa que não te dá dinheiro, não muda os seus problemas, não te faz ficar famoso e nem te faz ter mais amigos, mas, em vez disso, te enche de culpa, é justamente o que vai matar seu blog cheio de posts.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Como Você Consegue, Joana?

Depois de assistir Whiplash defini que realmente não tem jeito: se a gente quiser ser alguém nessa vida são necessários alguns sacrifícios tipo tirar sangue da mão de tanto treinar o mesmo movimento ou assumir a solteirice e o isolamento social necessários para o aperfeiçoamento da sua técnica. Aí resolvi me obrigar a escrever qualquer coisa que não seja trabalho acadêmico por pelo menos uma hora todos os dias, além de um tempo reservado pra escrever num arquivo que ainda chamo de diário mas que já virou uma espécie de joguinho masturbatório de estilos.

Considerando que reservar uma hora do seu dia pra treinar qualquer tipo de habilidade não é sacrifício em lugar nenhum do mundo, pode parecer que eu esteja sendo meio prepotente, achando que, por ter nascido com uma sintaxe natural mais evoluída, o que alguém levaria dias de treino e lapidação eu mataria em duas horas na frente da escrivaninha. Não. Não é bem isso. A verdade é que eu tô sendo bastante realista. Eu escrevo quando dá na telha (e não só quando dá na telha, mas quando dá na telha e eu tô em casa, com tempo disponível, computador disponível, etc) e isso não é o bastante. Pelo menos não segundo Bradbury e esse pessoal que ama tanto o ato de escrever que só passou a vida escrevendo e falando sobre como era mágico escrever, de uma forma meio guru (e pensando agora, a verdade é que quase todo escritor cai nesse ciclo víciosíssimo) e dizendo que você só vai ser bom realmente na coisa se fizer essa coisa uma porrada de vezes e experimentar formatos novos, assuntos desconhecidos, segredos profundos...

A ideia então é manter essa média de uma hora por dia por pelo menos dois meses seguidos (se ficar um dia sem escrever, começa tudo de novo) e só aí ir aumentando progressivamente o tempo de dedicação até virar um monge literário.

A partir desse ponto confesso que nem minha mania de programação doentia conseguiu dar conta. Porque o tempo não existe. Não tenho tempo. (Ninguém tem, eu sei, mas eu não tenho mesmo!) Eu caí no erro tremendo de ser do tipo de gente que é um pouco bom em muitíssimas coisas e não do tipo de gente que é muito bom em pouquíssimas coisas (ou ainda do tipo de gente que é o melhor em apenas uma coisa - o tipo certo) e isso atrasa tudo, porque eu me enfio numa verdadeira zona artística (tanto no sentido da bagunça quanto no sentido da putaria), sem saber se compro uma máquina fotográfica ou entro pra aula de canto.

Fora a pretensão dessa coisa toda de querer ser artista, ainda tenho que lidar com a minha natureza de consumidor insaciável. Antes de querer ser um fazedor de livros, filmes e músicas eu já queria consumí-los todos. Eu já era fascinado por eles (e esse fascínio é tão grande que até hoje alimenta minha inspiração) e acho que o dia em que eu não conseguir mais sentir alguma coisa com um conto, um romance ou um poema, aí realmente eu não vou ter mais forças pra continuar. Então manter esse fascínio é mais que uma boa estratégia, é uma questão de sobrevivência. É preciso me alimentar com estímulos que justifiquem meu esforço para produzir algo parecido. Daí a dificuldade de querer acompanhar uma indústria que solta material novo a cada segundo (e muito material novo!) e trata cada um desses novos lançamentos como obra de arte indispensável (que provavelmente ele não é, mas daí a você não querer ver com seus próprios olhos...).

Assinei a Entertainment Weekly, que era um sonho meu desde que eu lia a Set (uma revista de cinema já cancelada por falta de papel). A Set era meio tosca, mas era a única revista sobre filmes da banca que estava em português. Nunca me atrevi a comprar uma Entertainment Weekly. Primeiro que o preço cobrado por aquela revistinha mole de papel vagabundo aqui no Brasil chegava aos vinte e cinco reais e segundo que meu inglês é péssimo, mas naquela época era ainda pior. Hoje já dá. E, com iPad e esses aplicativos que simulam toda uma banca de jornal cheia de revista importada, famosa, independente, sem noção..., ninguém precisa mais gastar vinte dilmas num monte de papel grampeado (mas ainda precisa gastar dois obamas e noventa e nove cents, é verdade).

Como se não bastasse esse novo hobby de férias, ainda tenho o diabo de um app chamado Iba Revistas, que é a pior coisa que já inventaram (mas que continuo assinando por inércia e também pela possibilidade de ler todas as Super Interessantes lançadas até hoje). As Piauís nunca estiveram tão acumuladas; acho que estou terminando agora a edição de outubro.

Mas o problema da maioria dessas revistas é que elas, em vez de saciar seu desejo por informação e entretenimento, só fazem esse desejo aumentar, te indicando novos livros em edições de capa dura, blu-rays que vêm com todo o cenário do filme incluso, coletâneas de álbuns relançados em vinil e outros absurdos maravilhosos demais pra gente ignorar. Aí você vai ler um livro (que por si só já tem quase mil e duzentas páginas) e descobre que metade dessas páginas são referências a outras centenas de obras que, se você fosse esperto, já teria lido... Ou seja. Não tem a menor condição de viver num mundo assim.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

John Lennon Reinventado


Não é como se eu não tivesse nada a dizer; é mais como se eu soubesse que ninguém quer ouvir. E na verdade eu até sei que alguém no mundo quer, que todo blog tem 100 leitores, etc, mas sentir eu não sinto.

E quando você fica muito tempo sem escrever, a tendência é ficar ainda mais. Isso porque a gente percebe que não faz muita diferença.

E agora entra a parte da pretensão literária.

Sempre achei lindo encher a boca pra dizer que não escrevo por dinheiro, fama ou reconhecimento. Que não acredito que a literatura, ou seja lá o que isso for, tenha alguma função. Que a vantagem dela é justamente essa de não servir pra bosta nenhuma. Que só assim ela vai conseguir ser verdadeira.

Mas esse discurso, que parece tão liberal, bonito e artístico, não sustenta a realidade (ou o ego) de escritor nenhum. Primeiro que não existe arte verdadeira (e eu não quero entrar nesse mérito agora, porque o blog tá abandonado há tempo demais pra já voltar assim, com filosofia de boteco) e segundo que escrever é um ato de comunicação e fica impossível se comunicar sem esperar por uma reação do interlocutor.

Quando você fica muito tempo sem escrever e ninguém reclama, significa que você pode ficar mais um pouco. Foi o que eu fiz. E só voltei agora porque estou numa dessas fases mega produtivas, em que tudo o que eu faço é passar horas organizando as coisas que ainda preciso fazer (sem nunca de fato fazê-las).

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Retratos de uma Dedicação


Lendo esse texto da Renata Miwa sobre dedicação, comecei a pensar que a tendência é mesmo que ela desapareça. Se a gente entender dedicação como o cuidado, carinho e esforço para a realização de uma tarefa, fica mais fácil perceber como, cada vez mais, as coisas têm sido feitas nas coxas. Ninguém mais tem tempo pra se dedicar a nada. Se dedicar a um projeto só, a um conhecimento só, a um romance só...  Isso é perca de tempo. É comodismo. E a era do multitasking, que pretendia multiplicar o tempo, aumentando a abrangência, só consegue dividir os resultados, diminuindo a qualidade.

Obsessão é a nova dedicação. Muito em breve as pessoas só vão conseguir se dedicar a algum projeto quando estiverem obcecadas por ele. A obsessão nada mais é que uma dedicação natural, imperativa e impossível de conter. Você já deve ter conhecido um desses sujeitos que passam dias enfurnados num quarto, lendo, pesquisando e estudando o mesmo assunto; sujos, sedentos e famintos. Eles não fazem isso porque querem bons resultados. Fazem porque não conseguem não fazer.

Acho que esse fenômeno acontece porque nunca houve uma geração menos disposta. A nossa geração perdeu a capacidade de fazer o que não gosta. E isso é bom, porque expulsa o fantasma da frustração profissional da vida de centenas de adultos, mas é ruim, porque acaba criando uma geração de meninos mimados, que não consegue exercer qualquer atividade desagradável por um período mínimo.

O problema desse tipo de pensamento é que desistir acaba se tornando uma opção quase automática. Acho que desistir não era uma opção na época da minha mãe. Não consigo imaginar minha avó fazendo a matrícula da filha no inglês e ouvindo, na segunda semana de aula, que tá muito chato e, por isso, seria melhor matricular no francês. E depois no alemão. Não existia isso. E hoje existe demais. A cada dia desisto de pelo menos três coisas, sendo que duas delas eu nem chego a começar.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Este É um Blog de Mimimi

O semestre começa a dar sinais de falência. E eu acordo e durmo pensando no dia em que não vou ter mais razões pra sair da cama antes da hora do almoço. Não sei como, mas consegui passar um semestre inteiro sem mudar meus hábitos de sono. Continuo dormindo depois das duas, mas agora acordo às seis e meia. Acordo porque preciso (durmo porque te amo) e isso resulta num estado permanente de impaciência e esgotamento. Tenho deixado de falar com as pessoas por pura preguiça de ouví-las.

Óbvio que o que mais sofre é esse blog. Acho que nunca escrevi tão pouco. Primeiro porque não sou obrigado. Segundo porque, sempre que eu pensava em escrever alguma coisa, essa coisa era uma reclamação disfarçada de comentário sobre trecho de livro, episódio de série ou cena de filme. E da última vez que comecei a reclamar aqui, vieram xingar muito nos comentários, falando que tava ficando chato, etc. Agora, imagina... Se tá ficando chato pra vocês (que só têm que ler...) imagina pra mim, que vivo todo o material?

Então desculpa, mas reclamar da minha vida usando trecho de livro, episódio de série ou cena de filme como disfarce é a única razão pela qual mantenho esse blog funcionando. Tem outra razão que é fazer as pessoas que nunca me viram pessoalmente acharem que eu sou mais interessante e inteligente do que realmente sou; e o fato dessas duas razões serem contraditórias é só o começo do que poderia ser a explicação pra todos os problemas da minha vida.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Tudo Isso Me Reduz ao Silêncio


Poucas coisas na vida conseguem me deixar irritado. Uma delas é aluno reacionário. A outra é não ter tempo pro cinema.

As pessoas não entendem o que significa pra mim acompanhar o circuito. Não é sobre filmes. Quase nunca é sobre filmes, ou sobre livros, ou sobre séries. Na maioria das vezes é só a necessidade de me sentir vivo. De perceber uma mudança qualquer. De me iludir com uma provável transformação que a arte nunca executa, mas sempre promete. E com aquela persuasão característica.

Por isso, dia desses resolvi me forçar a ver um filme, começando pouco depois da meia-noite. Isso, apesar do cansaço e de ter que acordar às seis da manhã no dia seguinte. Era o jeito. Não dava mais pra esperar outra tarde livre como aquelas que a gente só tem até os 15 anos de idade. Dez minutos depois e eu percebi que já cochilava há cinco. Desisti, desliguei o computador e fui pra cama, chorando.

No dia seguinte as pessoas surgem com uma felicidade infernal e eu não consigo ver razão. Não consigo ver sentido nessas aulas, nessas provas, nessa graduação... Vou conservando um ódio de todo mundo. Entro no Facebook e acho tudo bastante ridículo e tenho vontade de mandar mensagem pros amigos falando que por favor, some daqui, você me enche de vergonha. Mas é tudo muito interno, o que problematiza a coisa do mau humor.

Uma das razões pra essa falta de tempo que me destrói é a quantidade desumana de textos e romances que esses professores passam pra gente ler. Ironicamente, foi daí que tirei a citação que encerra esse post. Tá lá nOs Sofrimentos do Jovem Werther, leitura bastante providencial pra esse momento da vida.

"É comum dizer-se que a vida do homem não passa de um sonho, e esse sentimento me acompanha sempre. Quando observo os estreitos limites em que se acham encerradas as faculdades ativas e intelectuais do homem; quando vejo que o objetivo de todos os nossos esforços é prover necessidades que por si mesmas não têm outro fim senão prolongar nossa miserável existência, e que por conseqüência toda a nossa tranqüilidade, em certos pontos de nossas buscas, não passa de uma resignação sonhadora, que gozamos pintando de figuras variadas e perspectivas luminosas as quatro paredes que nos fazem prisioneiros: tudo isso, meu amigo, me reduz ao silêncio. Olho para dentro de mim mesmo e vejo um mundo; porém um mundo muito mais de pressentimentos e vagos desejos do que de realidades e forças vivas. Então tudo me flutua ante os olhos, e continuo sorrindo e sonhando em minha jornada através do mundo."

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Domando Sonhos como Quem Doma Leões


Realmente não sei porque alguém se importaria com minha última noite de sono ou com minha nova mania de dormir sob dois travesseiros dispostos na cama em formato de L. Não sei, mas continuarei insistindo até que me provem que não ter um blog é mais legal do que ter. Além do mais, se continuar nesse ritmo, com o número de visitas e comentários caindo diariamente, em pouquíssimo tempo realizarei meu sonho de ter um blog anônimo sem precisar ter um blog anônimo.

Mas adentremos o universo onírico, porque dia desses senti que podia controlar meus sonhos. Calma. Primeiro é preciso explicar o absurdo que tem sido dormir. Não sei se tem a ver com as férias que acabaram agora e que bagunçaram meus horários ou com um verdadeiro amadurecimento neurológico, mas tenho passado cerca de duas horas todas as noites, assim que eu deito na cama, pulando de um sonho pro outro e acordando no meio deles, cheio de horror e alívio. Não é como se eu realmente dormisse. Permaneço lúcido na maior parte do tempo. Consciente de que meu corpo está seguro na cama enquanto meu cérebro voa serelepe por universos mais ou menos conhecidos e deturpados. Mas se me deixo levar um pouco, a segurança some e o sono se torna imprevisível e incontrolável, como é da natureza deles.

Esse estágio de quase sonho, quase realidade, é extremamente favorável ao autocontrole mental. Eu só preciso pensar em uma situação específica, em primeira pessoa e com o maior número possível de detalhes, por algum tempo que, gradualmente, a imaginação vira sentido. É assustador e delicioso, como tudo que transcende a lucidez.

Lembro que na noite passada acordei muito agitado e querendo chorar. Eram três da manhã e eu não parava de ter esses pequenos sonhos lúcidos. Comecei a pensar que era o começo de algo. De uma comunicação espiritual, talvez, ou de uma esquizofrenia. Resolvi sair do quarto pra tentar me acalmar, mas quando acendi o abajur azul, percebi que nunca tive um abajur azul.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Introdução ao Pior Semestre de Nossas Vidas


Semestre passado peguei quatro matérias na UnB e lembro perfeitamente de cada uma das noites que passei em claro por causa delas, escrevendo ensaios, fazendo trabalhos e estudando pras provas do dia seguinte. É ridículo, porque quatro matérias é o mínimo. Qualquer um consegue. Eu só tinha aula depois das 10h, não tinha aula na sexta, não tinha aula à noite, e ainda assim cheguei a esse ponto de não ter tempo pra dormir. Fico me perguntando como. Então resolvi dar um jeito nessa situação doentia. E o que eu fiz dessa vez? Peguei só três matérias? Tranquei a faculdade? Tirei os próximos seis meses pra viajar pelas praias nordestinas? Não. Peguei sete. Isso mesmo: PEGUEI SETE MATÉRIAS. Peguei tudo o que eu podia. Preenchi cada segundo do meu dia com atividades exaustivas que certamente irão: a) me tirar desse redemoinho psicológico em que me meti ou b) me matar.

Porque eu consigo enxergar o problema muito bem, o que sempre some é a solução. Eu percebo quando passo horas tentando zerar o Feedly (sdds, Google Reader) sem entender o real propósito de tanta notícia mal escrita. Percebo o problema quando, no mesmo dia, vejo 5 episódios de séries diferentes, já que continuo atrasado com todas. Ou quando baixo o triplo de filmes que tenho a capacidade de ver. Ou quando passo dias pra terminar um capítulo de um livro que é só o primeiro de uma fila gigantesca de outras tantas leituras que muito provavelmente nunca farei.

É extremamente cansativa essa luta diária pra ficar em dia com as coisas que me importam. E mais cansativo ainda é perceber que essas coisas na verdade não importam pra mais ninguém. Meu maior medo é que um dia elas deixem de importar pra mim também. Porque aí sim... Não vai sobrar absolutamente nada.

Eu não vejo outra saída. Tudo o que consigo fazer é continuar assinando cada vez mais feeds, acompanhando cada vez mais séries, baixando cada vez mais filmes, comprando cada vez mais livros e, agora, pegando cada vez mais matérias.

Seja bem-vinda, vida acadêmica. Você acaba de entrar pro seleto grupo das coisas que amo e que estão sempre atrasadas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Controlo o Calendário Sem Utilizar as Mãos


O que me entristece é a falta de perspectiva. Porque quando se tem 9 anos é muito fácil suportar períodos de tédio ou trabalho árduo. Porque as coisas terminam. O recreio chega. As férias chegam. O natal chega. Hoje eu fico olhando pro calendário e tudo o que consigo sentir é uma completa desesperança. Sabe essas pessoas que falam: nossa, não vejo a hora de dezembro acabar? Então. Tenho um pouco de inveja. Porque infelizmente, pra mim, quando acaba dezembro vem sempre janeiro.

Férias nunca é um bom negócio pra professor particular. A gente não tem décimo terceiro, então enquanto nossos alunos passeiam por Miami, a gente conta as moedas pra comprar um Big Mac. Além disso, tem a greve das federais, que acabou com o nosso ano. Ou seja: tô indo ali passar as férias estudando e sem dinheiro, forte abraço.

E dezembro chega como um vírus. As pessoas começam a andar pela rua cheirando a Sundown e cloro. As crianças saem de suas cavernas e dão risadas absurdas enquanto empinam papagaios. Os shoppings exibem suas luzinhas questionáveis. As famílias vão se aproximando, planejando amigo oculto, esquentando o peru... E você ali, com 15 textos pra ler, seminário pra preparar e todo o rancor do mundo.

Mas não era esse o problema. Acabei me perdendo com essa história de férias. O problema é que, independente da data, as coisas estão uma zona.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Aos Amigos que Restam

Desculpa pelo descontrole. Pela total falta de critério, dignidade e lucidez. As coisas andam muito bagunçadas, incrivelmente divertidas e eu não tô sabendo me controlar.

Desculpa por usar as mesmas roupas sempre, mas não tô tendo dinheiro pra renovar o armário. Nem tempo pra lavar os tênis. Desculpa pela coca-cola antes das 8h, pelos miojos de madrugada, pelas olheiras cada vez mais profundas e charmosas. Pelos acessos de carinho e ternura. Pelos acessos de raiva e loucura. Desculpa pelas lágrimas. Desculpa pelas conversas que não levam a lugar nenhum e sempre acabam comigo reclamando das mesmas coisas. Desculpa pela vergonha, pelos transtornos psicológicos, pelas músicas repetidas, pelos filmes repetidos, pelos livros atrasados. É que fico meio encabulado quando desperdiçam obras de arte. É que descobri que só existe salvação por meio delas.

Desculpa pelas piadas cada vez piores, pelo humor cada vez mais ofensivo, pelas risadas cada vez mais débeis e pelo sorriso cada vez mais perigoso. Inclusive decidi que não devo mais tirar fotos sorrindo. Porque além de parecer infantil, pareço feliz.

Desculpa por estar cada vez mais distante e ainda assim contar segredos cada vez mais cabeludos. Por jogar todo esse peso em cima de vocês, e ficar esperando uma resposta, com meus olhinhos brilhantes. E as respostas nunca vêm.

Desculpa por parecer entediado, por cortar a fala dos outros e dar pouca atenção aos detalhes. Tenho um descompasso grave na assimilação do mundo. Tudo me vem aos saltos. Como pequenos sustos, seguidos de um longo e eterno calafrio.

Desculpa pelo medo. Por preferir às vezes calar a ter que dizer as coisas que me machucam.

Desculpa pela poeira. A faxineira sumiu tem umas três semanas.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Recontagem

Hoje tive que refazer pela décima vez o cálculo de quantas páginas de Os Lusíadas preciso ler por dia pra terminar a leitura no prazo estabelecido. E basicamente minha vida tem sido assim. Esse esforço enorme e eterno para adaptar os afazeres à minha falta de disciplina. Os dias estão implacáveis e tudo parece um atropelo.

As pessoas mudaram tanto. Tenho achado todo mundo um pouco frio e impaciente comigo. E talvez seja fruto desse clima de Brasília. Acordar tem sido difícil. Os ossos doem. E a cada dia que passa eu tenho mais páginas e menos tempo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Malabarismo no Semáforo

Tá péssimo. Chego aqui já por volta da meia-noite, cheio de sono, preocupação e desespero e qualquer promessa de texto minimamente razoável simplesmente evapora. E tem sido cada vez mais cansativo lidar com minha desorganização. Nunca foi fácil, é verdade, mas tenho atingido níveis inimagináveis de caos. Sinto que viver minha vida é como fazer malabarismo no semáforo. Tem sempre uma bola caindo e você precisa jogá-la pra cima a tempo de pegar a seguinte e jogá-la pra cima de novo, porque logo ali vem mais uma e esse esforço eterno e infinito.

Procrastinação é uma falha de caráter, eu acho. Não tem muito o que fazer. Ou você adota um estilo de vida zen e decide não se preocupar ou sua vida vai ser isso aí mesmo: um eterno malabares. E não vou dizer que é fácil. Quem vive de esmola em semáforo sabe como é punk ter que ficar ali na frente jogando as bolas pra cima pra, na maioria das vezes, nem ter o esforço reconhecido. As esmolas são pequenas. O pessoal tem andando de vidro fechado...

E hoje percebi que não estou só fazendo malabares. Estou fazendo malabares em cima de um monociclo (esse monociclo aí eu vou deixar pra capacidade metafórica de cada um traduzir). E que nunca foi tão fácil perder o equilíbrio e estragar o show.

Prevejo as bolas rolando no chão, eu caído no asfalto e nenhuma esmola.

sexta-feira, 2 de março de 2012

As Férias Mais Longas do Mundo


É claro que eu não deveria reclamar. Ninguém em sã consciência reclama de férias longas demais, mas meu dinheiro tá acabando e férias é uma coisa que, por si só, gasta dinheiro. Como a gente tem muito tempo livre e muita tendência à felicidade, acaba pegando todas as sessões de cinema e comendo fora todos os dias e inventando programas (caros) pra disfarçar o tédio. E o preço de tudo anda tão absurdo que vou ter que aumentar minha hora-aula pra dar conta de viver.

Passar o dia à toa é uma delícia, mas ainda acho que nada supera o prazer de estudar, trabalhar e não ter tempo pra pensar. Quando você passa um dia completamente abarrotado de compromissos e leituras e exercícios, é muito pouco provável que encontre tempo pra refletir sobre a vida. E sinceramente, é a última coisa que tenho desejado fazer. Quanto menos pensar, menos paranoico, preocupado e pessimista vou ser. Não sou do enfrentamento e essa minha tendência à subjetividade tem me cansado profundamente de uns anos pra cá.

Existe algo de mágico no estilo de vida dessa gente que põe a mochila nas costas e vai fazendo o que tem de fazer. Sem parar, sem pensar, sem sofrer. Porque eles não abrem espaço pra contemplação, pra reflexão e pra muito provável conclusão de que nada realmente importa.

sábado, 21 de janeiro de 2012

É tarde! É tarde! É tarde!


100 posts com esse. É uma marca! Devo dizer que fiquei um pouco confuso essa semana, com esse tanto de Luizas e Julias perdidas na vida (geografica e moralmente falando), e com meu dinheiro sumindo da conta numa velocidade recorde, como se eu estivesse aproveitando as férias like a boss (o que nem tô, acreditem). E acho mesmo que engataram uma terceira no mundo. Estupro no BBB? Site do FBI fora do ar? Protestos pelo direito de piratear? Sério? Não tá dando mesmo pra acompanhar. Muito menos pra vir aqui contar, como se fosse a última novidade. Nada mais é novidade.

Descobri dia desses que parei de pensar. Foi uma descoberta meio chocante, visto que Descartes sempre me ensinou o contrário. Mas é isso mesmo. Eu tenho essa sensação permanente de estar perdendo tempo, então tento preencher todas as brechas disponíveis com filmes, séries, livros e podcasts. Aí fico parecendo uma máquina de consumir cultura, andando pela rua. O louco dos livros e dos fones de ouvido. E sempre atrasado. Sempre querendo engolir o mundo e conseguindo, no máximo, uma indigestão. E não sobra tempo pra pensar. Pensar na vida, planejar o futuro, analisar o passado. Nunca mais fiz. Não é à toa que as coisas estão como estão.

Não sei se é mal de jornalista, isso de querer estar sempre por dentro de tudo, mas é visível que não tenho dado conta. E que ninguém dá, na verdade. Nunca tivemos tanta informação disponível. E acompanhar é mesmo impossível. A sensação vai ser sempre a de luta perdida. Acho que os que nasceram dos anos 2000 pra cá sabem lidar melhor com isso. Eles já conheceram o mundo com a internet, então têm menos tendência ao desespero. A gente não. A gente está nitidamente precisando de um rivotril.

E às vezes acontece umas coisas como essa. De ter infinitos assuntos pra tratar no seu centésimo post no blog e não conseguir falar de nenhum, porque, simplesmente, está tudo rápido demais. E eu acabo me sentindo impotente diante de tanta gente com mais talento e discernimento. Fica uma sensação péssima de que foram 100 tentativas frustradas de expressar o que ninguém conseguiu realmente absorver. Porque estava todo mundo com pressa. Eu com pressa pra explicar, vocês com pressa pra entender, e essa comunicação forjada entre uma coisa e outra.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sleep Cycle


Foi um semestre estranho. Comecei a dirigir, ganhei algum dinheiro com aulas particulares e meio que consegui me aproximar um pouco desse conceito de autossuficiência, que é, teoricamente, o que os adultos buscam. Por outro lado, não estudei quase nada, perdi aulas, dormi mal, comi mal e acho que nunca procrastinei com tanta propriedade. A situação ficou tão feia que hoje baixei um aplicativo que promete monitorar seu sono. Porque ainda acho que meu maior problema é não conseguir dormir 7 horas por dia.

Esse Sleep Cycle funciona assim: você marca a hora em que quer acordar e deixa o iPhone ou iPod Touch do lado do travesseiro. De acordo com os seus movimentos na cama (calculados usando o acelerômetro do aparelho), ele descobre em qual estágio de sono você se encontra. Tudo isso para evitar que você acorde mal. Ele nunca interrompe um ciclo. Pacientemente, ele espera seu momento de sono mais sensível e toca a musiquinha relaxante. Ainda não experimentei o programa e acho que começar a usá-lo nesse fim de semana pode não ser uma boa ideia.

E a gente segue fazendo o possível, né? Sleep Cycle, revista ensinando técnica de concentração, livro de auto-ajuda sobre "como não perder tempo", blocos e mais blocos de checklists... Tudo pra tentar resolver um problema que existe desde 1991 e continua sem solução: eu.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Campanha Política

Não é nem fundo do poço. O lugar aonde eu cheguei foi tão subterrâneo que nem nome ainda tem. Talvez "núcleo terrestre" se aplique. O fato é que precisei chegar lá, ao ponto de dormir em pé na escada rolante do shopping, pra decidir mudar.

Tenho uma amiga que é tipo minha terapeuta, já que nunca tive dinheiro coragem pra pagar por uma de verdade, e na madrugada de sábado pra domingo eu estava listando pra ela tudo o que tem me incomodado nos últimos meses. O que tem me feito infeliz. A lista foi realmente enorme, mas a maioria dos itens eram assim: incapacidade de acordar na hora, falta de concentração na aula, memória fraca, desânimo (muito, muito, muito desânimo), ansiedade, semanas de procrastinação alternadas com surtos de produtividade, etc. E chegamos à conclusão de que tudo isso é fruto de apenas um problema: eu não estou dormindo direito. Há muito tempo.

Mas é lógico que eu sabia. Todo mundo percebe esse tipo de coisa. Sempre que olho pro relógio e vejo o ponteiro marcando meia-noite sei que, se eu não for pra cama imediatamente, o dia seguinte vai ser um sacrilégio. Mas cadê força de vontade pra dormir sabendo que o que vem em seguida é mais um dia de estudos? Sempre acabo preferindo o modo zumbi e isso tem me feito um mal absurdo.

Então estou aqui, diante dos meus 5 leitores, prometendo que vou recuperar meu sono. Vou dormir cedo, acordar cedo e ser o orgulho da mamãe.

Prometo.

O único problema vão ser meus colegas do cursinho estranhando enormemente esse novo aluno que está prestes a surgir. Esse aluno aplicado e bem humorado, que não chega atrasado, não passa a aula escorado num canto, não anda cambaleante pelos corredores e, quem sabe, chega ao cúmulo de dar bom dia.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eu, Robô

Há menos de uma semana pro vestibular e eu me pego com a garganta inflamada, nariz entupido, dores no corpo, coluna arrebentada, olheiras profundas, cabeça dolorida, vista cansada e febre. Fica parecendo que passei por algum tipo de tortura nos últimos quatro meses, quando tudo o que fiz foi sentar, ler, pensar, escrever e levantar. E o pior. Acho que não estudei o suficiente. Porque a gente NUNCA vai ter estudado o suficiente.

No começo do semestre, quando montei meus horários, achei que seria tranquilo estudar 10 horas por dia, dar aula particular, depender de transporte público, ser um bom namorado, ver um filme por semana, escrever em dois blogs, frequentar a igreja, cantar em coral, tocar violão... E no começo até foi. Mas dois meses depois, o seu corpo começa a gritar. E de repente você está indo pro banheiro jogar água na cara e se estapear pra ver se fica acordado até o fim da aula.

Quando faço esse tipo de programação, não sei se gosto de me iludir ou se realmente acredito que vou dar conta de tudo. A culpa é desse personagem ultra-eficiente que criei aos nove anos de idade e tomei como verdade absoluta. Um menino que consegue fazer o dia render, não aperta o botão de soneca do despertador, não cede a impulsos destrutivos e não procrastina tarefas desagradáveis. Acabei me programando como se fosse esse menino, mas vivendo como se fosse eu mesmo, ou seja, um caos.

É chato porque isso desestimula até o mais preparado dos candidatos. Você vê seus horários de estudo cheios de furos, suas apostilas em branco, seus cadernos incompletos... E acaba aceitando a triste verdade de que, mais uma vez, foi por pouco.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Geração Multitasking


Desde os 12 anos, eu não sei o que é fazer uma coisa de cada vez. Aprendi a almoçar enquanto leio revistas, falar ao telefone enquanto jogo no computador, fazer dever de casa enquanto assisto televisão e, às vezes, tudo isso ao mesmo tempo. Com a internet (e principalmente o wi-fi) as coisas ficaram ainda piores. Por exemplo, qual foi a última vez que você, durante 30 minutos, se dedicou apenas a uma refeição? Sem celulares, iPods ou qualquer tipo de distração entre sua boca e a picanha (ou a pizza, ou a salada).  A ideia de que o tempo é curto demais pra ser desperdiçado com uma coisa só parece bem lógica, mas não passa de ilusão. E temos essa tendência de querer preencher ao máximo nossos segundos. Quer dizer, se eu ainda estou com uma mão livre, tem alguma coisa errada, né?

Na Info do mês passado, saiu uma reportagem exatamente sobre isso. E o texto caiu como uma luva, porque estou sentindo muita dificuldade em me concentrar nos estudos. Minha mente não era acostumada a passar 10 horas por dia com um único objeto de foco. A sensação é de desperdício. Como se eu estivesse usando um computador com 4GB de memória só pra escrever no Word.

"Há uma corrente de estudos que ganha força e defende a ideia de que nosso cérebro realiza bem apenas uma atividade cognitiva, que envolve pensa­mento e raciocínio, de cada vez. Aparentemente, apenas ouvir música não atrapalha a produtividade. Uma pesquisa ainda inédita que o especialista em gestão do tempo Christian Barbosa está realizando há um ano para avaliar o modelo mental das pesso­as em situações de multitarefa mostrou que o des­perdício médio de tempo ao realizar atividades simultâneas é de 35%. Ou seja, no lugar de ganhar tempo com a multitarefa, você perde. O estudo já conta com respostas de 2100 participantes. "É inte­ressante ver que apenas 2% das pessoas tiveram uma performance melhor com multitarefa, mas to­das cometeram algum tipo de erro", diz Barbosa, CEO da consultoria Triad PS. Você pode até conseguir fazer mais de uma coisa, mas provavelmente errará algo.

O fato é que não somos tão multitarefa quanto gostaríamos. Mas muitas pessoas se sentem força­das a dar conta de inúmeras tarefas ao mesmo tem­po. "Há uma grande pressão cultural para respon­dermos imediatamente quando qualquer pessoa entra em contato. Isso leva à rnultitareta", diz Clifford Nass, pesquisador na área de psicologia da Universi­dade de Stanford, nos Estados Unidos. Ele participou de um estudo recente para identificar o grau de rnul­titarefa das pessoas. As que disseram fazer muitas atividades simultâneas tiveram uma performance pior nos testes cognitivos e de memória quando comparadas às que se diziam monotarefa."

PS: Escrevi esse post com apenas duas abas abertas no navegador. Um recorde!