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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Vocês Criaram um Monstro

Aí tem essa professora... Mais louca que o Batman. Uma figura tão loira, tão surreal, tão problemática, que merecia um post só pra ela. Não vou fazer isso, porque sinceramente tenho medo que ela leia antes do semestre acabar (e eu preciso de nota). É bem a cara dela investigar vida de aluno, fazer ego search no Google, essas coisas.

E na aula de hoje ela começou a recapitular as 400 tarefas (sem nenhum objetivo, lógica ou fundamento) que ela tinha passado ao longo do semestre e lembrou que todas deveriam ser entregues na terça-feira da semana que vem. O que é lindo, porque significa que depois de terça-feira vou poder até colocar o nome dela aqui pra facilitar a pesquisa, mas também é péssimo, porque é óbvio que ninguém dá a mínima pra o que essa mulher fala em sala de aula e ninguém fez nenhuma dessas tarefas, já que, veja bem: ninguém SABE como fazer!).

Esse é o panorama então: loira surtadíssima que manda a gente usar uma tal de "ecofont" (projeto flopado de fonte ecologicamente correta, que já não fazia sentido em 2004, que dirá agora) em todos os trabalhos, 400 tarefas que deveriam ter sido feitas ao longo de seis meses para serem compreendidas e realizadas em coisa de dias e toda uma Mostra Hitchcock pegando fogo no CCBB.

Ainda bem que os comentários do post anterior foram favoráveis ao mimimi. Fiquei mais seguro pra reclamar com propriedade. Vou até escrever mais e mais porcamente.

Daqui a pouco cês abrem o blog e tem um poema.
Ou um acróstico.
Ou um haicai.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Introdução ao Pior Semestre de Nossas Vidas


Semestre passado peguei quatro matérias na UnB e lembro perfeitamente de cada uma das noites que passei em claro por causa delas, escrevendo ensaios, fazendo trabalhos e estudando pras provas do dia seguinte. É ridículo, porque quatro matérias é o mínimo. Qualquer um consegue. Eu só tinha aula depois das 10h, não tinha aula na sexta, não tinha aula à noite, e ainda assim cheguei a esse ponto de não ter tempo pra dormir. Fico me perguntando como. Então resolvi dar um jeito nessa situação doentia. E o que eu fiz dessa vez? Peguei só três matérias? Tranquei a faculdade? Tirei os próximos seis meses pra viajar pelas praias nordestinas? Não. Peguei sete. Isso mesmo: PEGUEI SETE MATÉRIAS. Peguei tudo o que eu podia. Preenchi cada segundo do meu dia com atividades exaustivas que certamente irão: a) me tirar desse redemoinho psicológico em que me meti ou b) me matar.

Porque eu consigo enxergar o problema muito bem, o que sempre some é a solução. Eu percebo quando passo horas tentando zerar o Feedly (sdds, Google Reader) sem entender o real propósito de tanta notícia mal escrita. Percebo o problema quando, no mesmo dia, vejo 5 episódios de séries diferentes, já que continuo atrasado com todas. Ou quando baixo o triplo de filmes que tenho a capacidade de ver. Ou quando passo dias pra terminar um capítulo de um livro que é só o primeiro de uma fila gigantesca de outras tantas leituras que muito provavelmente nunca farei.

É extremamente cansativa essa luta diária pra ficar em dia com as coisas que me importam. E mais cansativo ainda é perceber que essas coisas na verdade não importam pra mais ninguém. Meu maior medo é que um dia elas deixem de importar pra mim também. Porque aí sim... Não vai sobrar absolutamente nada.

Eu não vejo outra saída. Tudo o que consigo fazer é continuar assinando cada vez mais feeds, acompanhando cada vez mais séries, baixando cada vez mais filmes, comprando cada vez mais livros e, agora, pegando cada vez mais matérias.

Seja bem-vinda, vida acadêmica. Você acaba de entrar pro seleto grupo das coisas que amo e que estão sempre atrasadas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Controlo o Calendário Sem Utilizar as Mãos


O que me entristece é a falta de perspectiva. Porque quando se tem 9 anos é muito fácil suportar períodos de tédio ou trabalho árduo. Porque as coisas terminam. O recreio chega. As férias chegam. O natal chega. Hoje eu fico olhando pro calendário e tudo o que consigo sentir é uma completa desesperança. Sabe essas pessoas que falam: nossa, não vejo a hora de dezembro acabar? Então. Tenho um pouco de inveja. Porque infelizmente, pra mim, quando acaba dezembro vem sempre janeiro.

Férias nunca é um bom negócio pra professor particular. A gente não tem décimo terceiro, então enquanto nossos alunos passeiam por Miami, a gente conta as moedas pra comprar um Big Mac. Além disso, tem a greve das federais, que acabou com o nosso ano. Ou seja: tô indo ali passar as férias estudando e sem dinheiro, forte abraço.

E dezembro chega como um vírus. As pessoas começam a andar pela rua cheirando a Sundown e cloro. As crianças saem de suas cavernas e dão risadas absurdas enquanto empinam papagaios. Os shoppings exibem suas luzinhas questionáveis. As famílias vão se aproximando, planejando amigo oculto, esquentando o peru... E você ali, com 15 textos pra ler, seminário pra preparar e todo o rancor do mundo.

Mas não era esse o problema. Acabei me perdendo com essa história de férias. O problema é que, independente da data, as coisas estão uma zona.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Recontagem

Hoje tive que refazer pela décima vez o cálculo de quantas páginas de Os Lusíadas preciso ler por dia pra terminar a leitura no prazo estabelecido. E basicamente minha vida tem sido assim. Esse esforço enorme e eterno para adaptar os afazeres à minha falta de disciplina. Os dias estão implacáveis e tudo parece um atropelo.

As pessoas mudaram tanto. Tenho achado todo mundo um pouco frio e impaciente comigo. E talvez seja fruto desse clima de Brasília. Acordar tem sido difícil. Os ossos doem. E a cada dia que passa eu tenho mais páginas e menos tempo.

terça-feira, 20 de março de 2012

Carl Fredricksen


Semanas sem escrever nenhuma linha porque, ironicamente, comecei meu curso de letras. Acho até que a tendência é essa mesmo. Vejo minha irmã, que alimentava infinitos blogs na adolescência dela (quando ter blog era uma coisa legal) e que parou de escrever quando começou a fazer letras. Acho que ou você fica excessivamente crítico com seu próprio texto e começa a achar tudo uma porcaria ou você toma birra da palavra escrita de tal forma que só quer saber de plantar bananeiras quando está fora da sala de aula.

Também pode ser falta de tempo, porque tenho um professor que é o velhinho do Up, só que sem a rabugice. E ele é tão fofo e inteligente que a gente nem percebe que está sendo arrastado rumo ao abismo infinito dos clássicos entediantes. Temos uns 7 livros pra ler no semestre e tudo no nível Os Lusíadas de animação. Vai vendo.

Como se não bastasse, nosso amigo Carl Fredricksen faz provas de leitura (6ª série, você por aqui?), cobrando detalhes absurdos que nem quem decorou os livros consegue lembrar. Reza a lenda que é impossível passar com um MS, mas adaptando ao meu caso, acho que é impossível passar e ponto.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Esmola Demais


Vocês podem medir a minha felicidade pela quantidade de músicas que eu canto por dia. E assim... Tenho cantado muitas! Semana passada resolvi gravar Love On Top e ir subindo de tom tal qual dona Beyoncé. E hoje fiz a marotice de postar um vídeo no YouTube cantando Maroon 5, que foi uma banda que nunca me interessou. Mas calma, posso explicar. Passei na UnB, que é uma coisa que tenho tentado desde 2009, tô fazendo um curso delicioso de cinema e ainda vou ter um mês de férias pra curtir carnaval e entrega do Oscar. Tenho ou não tenho todo o direito de cantar?

O problema é que sempre rola aquela desconfiança, né? De achar que não é possível, uma vida que esteve completamente cagada nos últimos meses, de repente ficar bacana... Certeza que o destino deve estar tramando alguma coisa bem barra pesada pra compensar esses dias de alegria.

Talvez um câncer nas cordas vocais.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Santa Tainá, Padroeira dos Esquecidos

Nesse fim de semana teve o vestibular da UnB, que é de uma fase só, mas com dois dias de prova: sábado e domingo. O primeiro dia é sempre mais tranquilo pra mim. Adoro os temas da prova de humanas, consigo curtir os textos e quase sempre faço redações razoáveis. O bicho pega mesmo no domingo, dia dos números. Nesse domingo, em particular, o bicho pegou de tal forma que fica até difícil descrever. Mas vou tentar.

Eu já estava atrasado (não sei por que, mas SEMPRE ESTOU ATRASADO) quando cheguei ao local de prova. O que foi até bom, porque não tem nada pior que chegar pro vestibular e ser obrigado a ficar 30 minutos em pé, no sol, conversando com gente que estava na sexta série quando você se formou. Como bom portador de TOC, eu carregava comigo minha carteira, uma garrafinha d'água, duas canetas, pro caso de uma falhar, um biscoito, guarda-chuva, chocolate, aspirina, pé de coelho, trevo de quatro folhas, etc. Sempre tive pânico das coisas darem errado (e elas sempre dão, vai vendo...).

Encontrei minha sala, que era a mesma do primeiro dia, e fui tirar minha identificação pra mostrar pro fiscal. Eis que ela não estava lá! BANG! Comecei a procurar em todos os bolsos e repartições da carteira freneticamente e nada... E gente, eu não tinha outra solução. Estava tudo perdido! Bateu o desespero e cheguei pro fiscal: "Moço, perdi minha carteira de motorista aqui ontem, quando vim fazer a prova. [Mentira. Eu não fazia a menor ideia de onde tinha perdido] Mas trouxe todos os meus outros documentos pra mostrar... [Eu, tirando da carteira tudo o que era papel insignificante, cartão de banco, carteirinha de estudante, ingresso de cinema, e jogando na mesa do fiscal. Ele chocado com meu desespero]. "Mas cê não trouxe uma carteira de trabalho ou passaporte?". "Não... Só meu cartão da Blockbuster mesmo, serve?".

Não serviu.

Dois outros fiscais que estavam no corredor me levaram pra sala da coordenação. Eu já naquelas de querer chorar. Lembrando que faltavam SEGUNDOS pro portão fechar. Cheguei lá e expliquei tudo pro chefão. E ele disse que não podia fazer nada. "Mas moço, eu fiz a prova ontem. O senhor não lembra de mim?". Hahahaha. 500 estudantes, Gabriel. Você é sensacional! E o coordenador só na cara de misericórdia. Nessa hora eu já tinha perdido todo e qualquer traço de dignidade: "Por favor, me deixa fazer a prova! Por favor...". E ele apenas balançando a cabeça e dizendo: "Desculpa, mas essas coisas acontecem...".

Saí da sala da coordenação desconsolado. Já estava pensando na melhor forma de contar pra minha mãe que eu tinha perdido a prova, quando a fiscal que me acompanhava, também conhecida como Fiscal Mais Gente Boa do Mundo, vira e diz bem baixinho: "Liga pra alguém da sua casa, mandar trazer um documento, dá o meu número e pede pra me ligar quando estiver chegando. Eu coloco você pra dentro e você vai fazendo a prova enquanto isso". Gente! Tive vontade de pedir a fiscal em casamento. Liguei pra minha irmã que não entendeu nada, dei o número da Tainá, a fiscal, e falei pra vir o mais rápido possível. Tainá chegou no meu chefe de sala e, com toda a segurança do mundo, ordenou: "Pode entregar a prova pra ele, que estão trazendo o documento". "Você falou com o coordenador?". "Falei". Entrei com as pernas bambas, recebi a prova e comecei a fazer. 20 minutos depois minha identidade chegou.

A prova estava impossível! Despencou logaritmo, função, botânica, nitrato de amônia e mais um monte de coisa que não é humano saber. Mas eu até tenho esperanças de passar. Sei lá... Acho que nada pode ser mais difícil que encontrar uma fiscal disposta a burlar as regras do vestibular pra ajudar um estranho que esqueceu a identidade.

Mais tarde mandei um SMS.

domingo, 14 de agosto de 2011

Preconceito Linguístico

Sinceramente, achei que não aguentaria um mês sem meus pais por perto. Que logo entraria numa crise depressiva sem precedentes ou que em poucos dias já teria brigado com minha irmã ou meu cunhado (que agora me abrigam pacientemente em Brasília). Então estou surpreso comigo mesmo. E muito orgulhoso. Ok, não é como se eu estivesse morando sozinho e pagando minhas contas Maria do Carmo feelings, porque meu pai ainda vai mandar uma grana pras necessidades básicas. Mas pra mim isso prova que eu não preciso deles pra tudo (apenas pra 60% de tudo) e que eu consigo sim fazer um orçamento tosco e controlar meus gastos com ônibus, almoço e cinema.

Voltei pro pré-vestibular e a rotina é exatamente a mesma do semestre passado, com a única diferença de que agora eu tenho que atravessar um barranco de terra toda vez que quero pegar ônibus (o que faz o pessoal do cursinho sentir pena de mim, porque chego com dupla camada de terra no tênis). E dia desses tinha um cara mijando na única entrada do barranco, então resolvi dar a volta e passar pelo outro lado pra evitar o constrangimento. Escorreguei nos pedregulhos e saí catando cavalo morro à fora, numa linda performance, mas ninguém viu, porque eram seis da manhã.

Também resolvi prestar vestibular pra Letras na UnB, por cinco motivos: 1) É mais fácil de passar, 2) Dou aula particular de literatura e texto há um ano. 3) Eu posso pegar umas matérias de Comunicação e depois terminar numa particular, me formando em Letras e Jornalismo no total de seis anos. 4) Professor de português pode ser jornalista, mas jornalista não pode ser professor de português e 5) Clarice Lispector me aprovaria.

Não é como se eu estivesse desistindo do meu sonho, até porque não sei se tenho algum. É mais como uma tentativa desesperada de começar alguma coisa. De sentir que não estou perdendo tempo, assistindo aula do lado de menino de DEZESSEIS anos. E juro que não vejo problema nenhum em passar o resto da vida sem dinheiro, corrigindo redação de criança semianalfabeta e esperando meu Jabuti que nunca virá.

Então liguei pra minha irmã, todo empolgado pra falar dos meus planos. E ela me vem com essa: "Não faz isso não! Letras é curso de empregada doméstica". Juro. E-m-p-r-e-g-a-d-a d-o-m-é-s-t-i-c-a! Primeiro eu fiquei assustado, mas depois vi que faz todo o sentido. Né? Sempre curti novela do Manoel Carlos e revista de fofoca... Só faltava mesmo um curso de Letras pra eu poder aumentar o valor da faxina.

Eu quero saber quedê minha vassoura?

PS: Minha irmã é formada em letras.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eu, Robô

Há menos de uma semana pro vestibular e eu me pego com a garganta inflamada, nariz entupido, dores no corpo, coluna arrebentada, olheiras profundas, cabeça dolorida, vista cansada e febre. Fica parecendo que passei por algum tipo de tortura nos últimos quatro meses, quando tudo o que fiz foi sentar, ler, pensar, escrever e levantar. E o pior. Acho que não estudei o suficiente. Porque a gente NUNCA vai ter estudado o suficiente.

No começo do semestre, quando montei meus horários, achei que seria tranquilo estudar 10 horas por dia, dar aula particular, depender de transporte público, ser um bom namorado, ver um filme por semana, escrever em dois blogs, frequentar a igreja, cantar em coral, tocar violão... E no começo até foi. Mas dois meses depois, o seu corpo começa a gritar. E de repente você está indo pro banheiro jogar água na cara e se estapear pra ver se fica acordado até o fim da aula.

Quando faço esse tipo de programação, não sei se gosto de me iludir ou se realmente acredito que vou dar conta de tudo. A culpa é desse personagem ultra-eficiente que criei aos nove anos de idade e tomei como verdade absoluta. Um menino que consegue fazer o dia render, não aperta o botão de soneca do despertador, não cede a impulsos destrutivos e não procrastina tarefas desagradáveis. Acabei me programando como se fosse esse menino, mas vivendo como se fosse eu mesmo, ou seja, um caos.

É chato porque isso desestimula até o mais preparado dos candidatos. Você vê seus horários de estudo cheios de furos, suas apostilas em branco, seus cadernos incompletos... E acaba aceitando a triste verdade de que, mais uma vez, foi por pouco.

sábado, 19 de março de 2011

Simulação

Eu queria muito que alguém entrasse na minha mente e visse como ela funciona, porque eu tento explicar e parece que as pessoas não entendem realmente a dimensão da coisa. Por exemplo, hoje tive um simulado de exatas no cursinho (semana passada foi o de humanas, que eu já achei incrivelmente difícil) e minhas expectativas nem eram das melhores. E também... Acho que estava muito cansado. Tinha acordado às 5h30, andado de ônibus, tomado chuva e estudado a manhã toda. Apesar disso, juro que comecei a fazer a prova com bastante confiança. Garrafinha de água cheia, calculadora em cima da mesa, Club Social... Vinte minutos depois e eu já estava pensando em voltar pra casa.

O Cespe (esse órgão responsável por toda a tristeza e amargura do mundo, que faz as provas da UnB) tem um sistema de pontuação no mínimo cruel. Aquele onde uma questão errada anula uma certa. O que te impede de chutar, se não quiser terminar a prova com ponto negativo. Então eu fui deixando as questões que eu não sabia em branco... E foi ficando TUDO em branco. Aí desesperei e comecei a fazer algumas que eu tinha uma leve desconfiança, mas cheguei a conclusão que essa estratégia ia mudar minha nota de 0 pra, sei lá, -81.

E eu tenho estudado muito. É o meu limite, sabe? Não dá pra fazer mais que isso (ok, talvez dê, se eu passar a dormir 3 horas por noite). E me irrita muito não poder marcar uma questão porque não lembro se a gástrula vem antes ou depois da blástula (coisa que eu já tinha estudado, mas minha memória fez questão de abstrair). Quer dizer... Como se não bastasse as matérias acumuladas, eu ainda vou ter que voltar nas que eu já tinha fechado porque não deu pra absorver tudo? Realmente. Não tô em condições.

Por causa de tudo isso, comecei a pensar em desistir do simulado. Simplesmente jogar a prova no lixo e ir pra casa. Depois pensei em desistir do meu curso. Talvez se eu fizesse letras, conseguiria passar e viver uma vida que eu não escolhi. Então pensei em desistir da UnB. E no fim eu já estava pensando em desistir da vida. As coisas sempre terminam aí. Essa é a linha de pensamento que minha mente, ansiosa e doentia, tem o costume de adotar. E na hora faz todo o sentido. A minha sorte é que nesse ponto eu começo a cair na real. Vejo que não vai ser possível morrer agora e faço o caminho de volta, até chegar numa chuvosa tarde de sábado.

Tenho estado muito instável, sabe? E eu não tinha esse costume de pensar em desistir. Eu costumava suportar bem as adversidades. Bem mais do que eu tenho suportado. Minha disciplina era brilhante, minha concentração, de dar inveja. Não sei o que está acontecendo. E olha que era só simulação.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Derrota Sobre Derrota

No primeiro dia de aula do pré-vestibular, o coordenador entrou na sala pra fazer um discurso motivacional. É o tipo de coisa que meu cursinho preza muito, trabalhar o psicológico dos candidatos, e eu acho realmente importante. Então, o cara começou a falar: "aqui existem dois tipos de aluno: os que acabaram de chegar do terceiro ano e os que vêm de pelo menos dois vestibulares passados. Querendo ou não, esse último grupo vem de duas derrotas consecutivas." *silencio no hay banda* "Então, eles não estão de bom humor. Não estão aqui pra fazer amizade. A única coisa que querem é sair dessa bolha do tempo que é ver seus amigos entrando na universidade e você, imóvel numa sala de aula".

Todo mundo sabe que pré-vestibular é uma das fases mais angustiantes na vida de qualquer pessoa que não tem dinheiro pra pagar uma faculdade particular sonha com uma universidade pública. É o tipo de coisa que não precisa ser dita. Tá nos nossos olhos. E o que o cursinho tenta fazer é reduzir ao máximo esse tempo de angústia. Pra isso, existe todo um treinamento militar, que me deixou um pouco horrorizado nos primeiros dias. Nós não estamos lá pra adquirir conhecimento. Os professores deixam isso muito claro. Estamos lá pra aprender a fazer prova. É um sistema extremamente canalha, eu sei, mas quando o nosso futuro está em jogo, acho razoável deixar algumas ideologias pra mais tarde. E se multiplicam as monitorias e plantões de dúvidas e acompanhamentos pedagógicos e planejamentos de estudo e tardes inteiras de persistência e dor de cabeça... Tudo pra fazer você acumular o maior número de pontos e atingir seu objetivo. E o objetivo de ninguém é aprender (pelo menos não todas essas matérias lindas), a gente quer é dinheiro, etc.

Fico muito assustado com a ideia de que vou estar gastando os próximos 5 meses em preparação pra um evento que dura apenas 5 horas. E se eu não estiver num dia bom? E se o pneu do carro furar? Se eu acordar com 39 de febre? Sabe? É muito esforço pra pouca garantia. E nem é uma prova subjetiva, é de certo ou errado... No fim, sempre penso que tudo se resume a marcar bolinhas. Não passa no vestibular quem tem mais conhecimento. Passa quem marcou as bolinhas no lugar certo.

Toda essa preparação, essa fragilidade do momento, tudo isso me deixa muito inseguro. Acho que nem é por mim. Se eu vivesse sozinho no planeta Terra, não me importaria em passar os próximos 2 anos estudando. Por outro lado, eu não suportaria nem mais um semestre com as pessoas me perguntando o que eu ando fazendo da vida, e eu tendo como resposta um atestado de fracasso.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pré-Vida

Passei a manhã de hoje ligando pra todos os cursinhos pré-vestibulares de Brasília e coletando informações sobre carga horária, início e término do semestre e preço das mensalidades. Cursinho pré-vestibular é uma das épocas mais tristes na vida de qualquer pessoa. São seis meses estudando o que você não gosta e sofrendo pressão de todos os lados. É inevitável criar expectativas. É inevitável que as pessoas criem expectativas. E o curso que eu quero não é dos mais fáceis. A UnB não é das menos concorridas. Tenho medo.

Sobre manter uma rotina intensa de estudos... Sou muito organizado e curioso. Talvez me falte um pouco de disciplina, mas nada que passar o dia no cursinho, sem outras opções de entretenimento se não os livros e apostilas, não resolva. Inclusive, o lugar onde eu pretendo estudar oferece aulas de segunda a sábado, monitoria e plantão de dúvidas na parte da tarde e academia e aula de dança à noite. Exatamente, só faltou a cama e a escova de dente.

Eu não queria fazer pré-vestibular, porque sei como é desgastante e me conheço a ponto de saber que dificilmente suportaria outro fracasso. Então já tinha até feito vestibular numa faculdade particular (que nem é das piores) e estava prestes a assinar meu atestado de óbito acadêmico assumir um compromisso de quase mil reais por mês, quando tive um surto de lucidez. Pra que ser tão apressado e se sujeitar a pagar tanto por uma coisa que você pode conquistar com um pouco de esforço?

Entre esses esforços está diminuir o tempo que passo por aqui (e pelo Twitter, pelo Facebook, pelo Filmow, pelo Flickr, pelo Google Reader, pelo YouTube, pelo Orangotag, pelo PokerStars...). Espero que vocês entendam. Mais que isso: espero que eu consiga.