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terça-feira, 20 de março de 2012

Carl Fredricksen


Semanas sem escrever nenhuma linha porque, ironicamente, comecei meu curso de letras. Acho até que a tendência é essa mesmo. Vejo minha irmã, que alimentava infinitos blogs na adolescência dela (quando ter blog era uma coisa legal) e que parou de escrever quando começou a fazer letras. Acho que ou você fica excessivamente crítico com seu próprio texto e começa a achar tudo uma porcaria ou você toma birra da palavra escrita de tal forma que só quer saber de plantar bananeiras quando está fora da sala de aula.

Também pode ser falta de tempo, porque tenho um professor que é o velhinho do Up, só que sem a rabugice. E ele é tão fofo e inteligente que a gente nem percebe que está sendo arrastado rumo ao abismo infinito dos clássicos entediantes. Temos uns 7 livros pra ler no semestre e tudo no nível Os Lusíadas de animação. Vai vendo.

Como se não bastasse, nosso amigo Carl Fredricksen faz provas de leitura (6ª série, você por aqui?), cobrando detalhes absurdos que nem quem decorou os livros consegue lembrar. Reza a lenda que é impossível passar com um MS, mas adaptando ao meu caso, acho que é impossível passar e ponto.

domingo, 14 de agosto de 2011

Preconceito Linguístico

Sinceramente, achei que não aguentaria um mês sem meus pais por perto. Que logo entraria numa crise depressiva sem precedentes ou que em poucos dias já teria brigado com minha irmã ou meu cunhado (que agora me abrigam pacientemente em Brasília). Então estou surpreso comigo mesmo. E muito orgulhoso. Ok, não é como se eu estivesse morando sozinho e pagando minhas contas Maria do Carmo feelings, porque meu pai ainda vai mandar uma grana pras necessidades básicas. Mas pra mim isso prova que eu não preciso deles pra tudo (apenas pra 60% de tudo) e que eu consigo sim fazer um orçamento tosco e controlar meus gastos com ônibus, almoço e cinema.

Voltei pro pré-vestibular e a rotina é exatamente a mesma do semestre passado, com a única diferença de que agora eu tenho que atravessar um barranco de terra toda vez que quero pegar ônibus (o que faz o pessoal do cursinho sentir pena de mim, porque chego com dupla camada de terra no tênis). E dia desses tinha um cara mijando na única entrada do barranco, então resolvi dar a volta e passar pelo outro lado pra evitar o constrangimento. Escorreguei nos pedregulhos e saí catando cavalo morro à fora, numa linda performance, mas ninguém viu, porque eram seis da manhã.

Também resolvi prestar vestibular pra Letras na UnB, por cinco motivos: 1) É mais fácil de passar, 2) Dou aula particular de literatura e texto há um ano. 3) Eu posso pegar umas matérias de Comunicação e depois terminar numa particular, me formando em Letras e Jornalismo no total de seis anos. 4) Professor de português pode ser jornalista, mas jornalista não pode ser professor de português e 5) Clarice Lispector me aprovaria.

Não é como se eu estivesse desistindo do meu sonho, até porque não sei se tenho algum. É mais como uma tentativa desesperada de começar alguma coisa. De sentir que não estou perdendo tempo, assistindo aula do lado de menino de DEZESSEIS anos. E juro que não vejo problema nenhum em passar o resto da vida sem dinheiro, corrigindo redação de criança semianalfabeta e esperando meu Jabuti que nunca virá.

Então liguei pra minha irmã, todo empolgado pra falar dos meus planos. E ela me vem com essa: "Não faz isso não! Letras é curso de empregada doméstica". Juro. E-m-p-r-e-g-a-d-a d-o-m-é-s-t-i-c-a! Primeiro eu fiquei assustado, mas depois vi que faz todo o sentido. Né? Sempre curti novela do Manoel Carlos e revista de fofoca... Só faltava mesmo um curso de Letras pra eu poder aumentar o valor da faxina.

Eu quero saber quedê minha vassoura?

PS: Minha irmã é formada em letras.