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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Este É um Blog de Mimimi

O semestre começa a dar sinais de falência. E eu acordo e durmo pensando no dia em que não vou ter mais razões pra sair da cama antes da hora do almoço. Não sei como, mas consegui passar um semestre inteiro sem mudar meus hábitos de sono. Continuo dormindo depois das duas, mas agora acordo às seis e meia. Acordo porque preciso (durmo porque te amo) e isso resulta num estado permanente de impaciência e esgotamento. Tenho deixado de falar com as pessoas por pura preguiça de ouví-las.

Óbvio que o que mais sofre é esse blog. Acho que nunca escrevi tão pouco. Primeiro porque não sou obrigado. Segundo porque, sempre que eu pensava em escrever alguma coisa, essa coisa era uma reclamação disfarçada de comentário sobre trecho de livro, episódio de série ou cena de filme. E da última vez que comecei a reclamar aqui, vieram xingar muito nos comentários, falando que tava ficando chato, etc. Agora, imagina... Se tá ficando chato pra vocês (que só têm que ler...) imagina pra mim, que vivo todo o material?

Então desculpa, mas reclamar da minha vida usando trecho de livro, episódio de série ou cena de filme como disfarce é a única razão pela qual mantenho esse blog funcionando. Tem outra razão que é fazer as pessoas que nunca me viram pessoalmente acharem que eu sou mais interessante e inteligente do que realmente sou; e o fato dessas duas razões serem contraditórias é só o começo do que poderia ser a explicação pra todos os problemas da minha vida.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Domando Sonhos como Quem Doma Leões


Realmente não sei porque alguém se importaria com minha última noite de sono ou com minha nova mania de dormir sob dois travesseiros dispostos na cama em formato de L. Não sei, mas continuarei insistindo até que me provem que não ter um blog é mais legal do que ter. Além do mais, se continuar nesse ritmo, com o número de visitas e comentários caindo diariamente, em pouquíssimo tempo realizarei meu sonho de ter um blog anônimo sem precisar ter um blog anônimo.

Mas adentremos o universo onírico, porque dia desses senti que podia controlar meus sonhos. Calma. Primeiro é preciso explicar o absurdo que tem sido dormir. Não sei se tem a ver com as férias que acabaram agora e que bagunçaram meus horários ou com um verdadeiro amadurecimento neurológico, mas tenho passado cerca de duas horas todas as noites, assim que eu deito na cama, pulando de um sonho pro outro e acordando no meio deles, cheio de horror e alívio. Não é como se eu realmente dormisse. Permaneço lúcido na maior parte do tempo. Consciente de que meu corpo está seguro na cama enquanto meu cérebro voa serelepe por universos mais ou menos conhecidos e deturpados. Mas se me deixo levar um pouco, a segurança some e o sono se torna imprevisível e incontrolável, como é da natureza deles.

Esse estágio de quase sonho, quase realidade, é extremamente favorável ao autocontrole mental. Eu só preciso pensar em uma situação específica, em primeira pessoa e com o maior número possível de detalhes, por algum tempo que, gradualmente, a imaginação vira sentido. É assustador e delicioso, como tudo que transcende a lucidez.

Lembro que na noite passada acordei muito agitado e querendo chorar. Eram três da manhã e eu não parava de ter esses pequenos sonhos lúcidos. Comecei a pensar que era o começo de algo. De uma comunicação espiritual, talvez, ou de uma esquizofrenia. Resolvi sair do quarto pra tentar me acalmar, mas quando acendi o abajur azul, percebi que nunca tive um abajur azul.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sleep Cycle


Foi um semestre estranho. Comecei a dirigir, ganhei algum dinheiro com aulas particulares e meio que consegui me aproximar um pouco desse conceito de autossuficiência, que é, teoricamente, o que os adultos buscam. Por outro lado, não estudei quase nada, perdi aulas, dormi mal, comi mal e acho que nunca procrastinei com tanta propriedade. A situação ficou tão feia que hoje baixei um aplicativo que promete monitorar seu sono. Porque ainda acho que meu maior problema é não conseguir dormir 7 horas por dia.

Esse Sleep Cycle funciona assim: você marca a hora em que quer acordar e deixa o iPhone ou iPod Touch do lado do travesseiro. De acordo com os seus movimentos na cama (calculados usando o acelerômetro do aparelho), ele descobre em qual estágio de sono você se encontra. Tudo isso para evitar que você acorde mal. Ele nunca interrompe um ciclo. Pacientemente, ele espera seu momento de sono mais sensível e toca a musiquinha relaxante. Ainda não experimentei o programa e acho que começar a usá-lo nesse fim de semana pode não ser uma boa ideia.

E a gente segue fazendo o possível, né? Sleep Cycle, revista ensinando técnica de concentração, livro de auto-ajuda sobre "como não perder tempo", blocos e mais blocos de checklists... Tudo pra tentar resolver um problema que existe desde 1991 e continua sem solução: eu.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Campanha Política

Não é nem fundo do poço. O lugar aonde eu cheguei foi tão subterrâneo que nem nome ainda tem. Talvez "núcleo terrestre" se aplique. O fato é que precisei chegar lá, ao ponto de dormir em pé na escada rolante do shopping, pra decidir mudar.

Tenho uma amiga que é tipo minha terapeuta, já que nunca tive dinheiro coragem pra pagar por uma de verdade, e na madrugada de sábado pra domingo eu estava listando pra ela tudo o que tem me incomodado nos últimos meses. O que tem me feito infeliz. A lista foi realmente enorme, mas a maioria dos itens eram assim: incapacidade de acordar na hora, falta de concentração na aula, memória fraca, desânimo (muito, muito, muito desânimo), ansiedade, semanas de procrastinação alternadas com surtos de produtividade, etc. E chegamos à conclusão de que tudo isso é fruto de apenas um problema: eu não estou dormindo direito. Há muito tempo.

Mas é lógico que eu sabia. Todo mundo percebe esse tipo de coisa. Sempre que olho pro relógio e vejo o ponteiro marcando meia-noite sei que, se eu não for pra cama imediatamente, o dia seguinte vai ser um sacrilégio. Mas cadê força de vontade pra dormir sabendo que o que vem em seguida é mais um dia de estudos? Sempre acabo preferindo o modo zumbi e isso tem me feito um mal absurdo.

Então estou aqui, diante dos meus 5 leitores, prometendo que vou recuperar meu sono. Vou dormir cedo, acordar cedo e ser o orgulho da mamãe.

Prometo.

O único problema vão ser meus colegas do cursinho estranhando enormemente esse novo aluno que está prestes a surgir. Esse aluno aplicado e bem humorado, que não chega atrasado, não passa a aula escorado num canto, não anda cambaleante pelos corredores e, quem sabe, chega ao cúmulo de dar bom dia.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sobre a Incapacidade de Ser Feliz nas Manhãs

Todo dia, quando estou indo pro cursinho, passo perto de um grupo de idosos que se encontram pra fazer exercícios físicos ao ar livre. E aí que hoje eles estavam abraçando as árvores. Exatamente. Sete horas da manhã, friozinho gostoso, e alguém no mundo achou ok passar 15 minutos abraçando árvore. Árvore! Com direito a rostinho colado no tronco e tudo. O problema não é o exercício físico em si (tem gente por aí que abraça coisa muito pior que uma angiosperma), mas a capacidade heroica dessas pessoas de serem felizes pela manhã. E olha que elas não têm muito o que fazer a não ser esperar pela morte. É gente aposentada, que acorda antes do sol nascer, rega as plantinhas, troca a areia dos gatos e vai pra rua abraçar árvore. Um exemplo.

Pra mim, não existe nada no mundo pior que acordar. Repare que eu não falei "acordar cedo", é só acordar mesmo. Independente do horário, é horrível! Os ossos doem, o nariz entope, a garganta arranha, os dedos tremem, a boca arde... Sempre tenho a impressão de que teria sido melhor continuar dormindo por toda a eternidade a ter que enfrentar o infinito trajeto da cama ao banheiro. E outra... Com toda essa alergia e rinite, eu levo cerca de 40 minutos pra conseguir respirar direito. Qualquer dia, ainda calculo o número de espirros e os metros de papel higiênico.

Então saio de casa com o nariz vermelho e um ótimo humor. E aí começa a epopeia do transporte público. Enfrento ônibus lotado, motorista atrevido, gordinha safada, vendedor ambulante e ainda tenho que caminhar uns dois quilômetros até chegar ao meu destino. Então sempre que passo pelo grupo zen da terceira idade estou a ponto de desistir de tudo, sentar na calçada e começar a chorar. É talvez o momento mais crítico do dia. Sempre penso em desistir Mas aí me aparece um monte de velhinho fofo, com chapéu na cabeça... Abraçando árvores. E com os olhos marejados, sem entender se o que eu sinto é ternura ou pena, respiro fundo e dou mais um passo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eu, Robô

Há menos de uma semana pro vestibular e eu me pego com a garganta inflamada, nariz entupido, dores no corpo, coluna arrebentada, olheiras profundas, cabeça dolorida, vista cansada e febre. Fica parecendo que passei por algum tipo de tortura nos últimos quatro meses, quando tudo o que fiz foi sentar, ler, pensar, escrever e levantar. E o pior. Acho que não estudei o suficiente. Porque a gente NUNCA vai ter estudado o suficiente.

No começo do semestre, quando montei meus horários, achei que seria tranquilo estudar 10 horas por dia, dar aula particular, depender de transporte público, ser um bom namorado, ver um filme por semana, escrever em dois blogs, frequentar a igreja, cantar em coral, tocar violão... E no começo até foi. Mas dois meses depois, o seu corpo começa a gritar. E de repente você está indo pro banheiro jogar água na cara e se estapear pra ver se fica acordado até o fim da aula.

Quando faço esse tipo de programação, não sei se gosto de me iludir ou se realmente acredito que vou dar conta de tudo. A culpa é desse personagem ultra-eficiente que criei aos nove anos de idade e tomei como verdade absoluta. Um menino que consegue fazer o dia render, não aperta o botão de soneca do despertador, não cede a impulsos destrutivos e não procrastina tarefas desagradáveis. Acabei me programando como se fosse esse menino, mas vivendo como se fosse eu mesmo, ou seja, um caos.

É chato porque isso desestimula até o mais preparado dos candidatos. Você vê seus horários de estudo cheios de furos, suas apostilas em branco, seus cadernos incompletos... E acaba aceitando a triste verdade de que, mais uma vez, foi por pouco.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

As Coisas que Escrevo Sem Consciência

A coisa mais comum no ensino médio é aluno entediado tirando um cochilo na carteira. Às vezes fazendo o próprio casaco de travesseiro, às vezes fazendo do caderno, aparador de babas. E no cursinho isso não acontece. As pessoas não debruçam na carteira pra dormir. Elas simplesmente perdem a luta contra o sono e, involuntariamente, dormem eretas, com os braços cruzados e a cabeça pendendo do pescoço. Ao contrário do que acontece na escola, os professores sentem pena. Porque sabem que ninguém ali quer dormir, não se trata de desinteresse, é mais uma questão de limite mesmo, de exaustão. E também rola um compadecimento dos colegas de classe. Amanhã o pescador pode ser você.

Perdi as contas de quantas vezes acabei dormindo enquanto copiava a matéria. Sem brincadeira: com a caneta na mão! E meu caderno agora é cheio de frases que começam lindas e acabam em rabiscos desatinados.