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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estejam Online


A carência fica bem mais evidente na madrugada, porque rola um desespero, né? Quatro da manhã e as chances de encontrar alguém interessante online são mínimas. O coração acelera só de pensar na possibilidade de um vácuo infinito que duraria até o dia seguinte, quando as pessoas aos poucos acordariam e (sem muita paciência) ouviriam minhas mazelas. E quase nunca há o que dizer. É só a necessidade de ser ouvido, de perceber algum tipo de comunicação e sentir que você não é o único no mundo.

Durante muito tempo pensei em morar sozinho como um ideal de futuro perfeito. Sempre me achei muito pouco carente de companhia. As coisas que mais me agradam são, em sua maioria, entretenimentos solitários. E minha maior preocupação era ter um bom livro à disposição no criado mudo. Não sei mesmo quando foi que comecei com essa necessidade de comentar o tal livro com alguém. E de marcar o filme como visto no Filmow, o episódio como assistido no Orangotag... E trocar as experiências. Nem sei se faço isso pela troca mesmo, ou pelo desejo infantil e canalha de ser ouvido.

A internet fez uma coisa péssima: facilitou a interação. Facilitou de tal forma que a gente nem sabe se aquilo pode ser considerado interação. Assim fica impossível levar a sério as amizades. Ninguém está realmente fazendo alguma coisa pelo contato. Basta permanecer, trocar um ou dois emoticons e ir dormir se sentindo popular como nunca. Mas não queria entrar nessa da guerra de egos, da vaidade louca... Não. Só queria pesquisar um pouco o que tem motivado meus surtos de carência online.

Porque pior que ser carente só mesmo ter noção desse estado. E quanto mais tento me controlar, guardar as fotos e calar a boca, mais tweets desnecessários, publicações vergonhosas e posts como este.

terça-feira, 6 de março de 2012

Crítico de Transporte Público Rodoviário

Hoje eu tava pensando que deveria existir uma profissão que resenhasse motoristas de ônibus. Assim como exitem críticos de filmes, livros e discos. Porque são muitos aspectos a serem avaliados e o transporte público, mais que um meio de locomoção humilhante e precário, é também uma arte.

Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos artistas.

Geraldo, do 501.
É velho. E por aí você já percebe que não brinca em serviço. É rápido, mas a experiência lhe ensinou a ser cauteloso. Faz uma direção extremamente segura e constante. Nada de freadas bruscas, curvas acentuadas ou gente caindo pelo corredor. Extremamente cortês, gosta de sorrir pra todos os passageiros que entram (sorrisos 0,3 segundos mais longos, se o passageiro for do sexo feminino). Usa bolinhas de massagem no banco.

André, do 110.
É o pior tipo de motorista. Tem lá seus 40 anos, uma pança respeitável em cima do cinto e toneladas de descaso. Acha o máximo parar pro cobrador comprar pastel, como se o ônibus fosse dele, e finge que não vê 70% das pessoas que dão sinal. Não gosta de parar em semáforo, não gosta de parar em parada, não gosta de dirigir. Tá ali só porque precisava pagar o leite das crianças e não sabia fazer mais nada da vida além de ser babaca.

Zé Carlos, do 526.
É velho e tem bigode. Ou seja: GÊNIO DA DIREÇÃO. Porque nada caracteriza mais um bom motorista de ônibus que grandes e sensuais bigodes grisalhos. E o Zé parece um monstro no volante. Sua corrida dura sempre a metade da de qualquer outro da mesma categoria. Ele voa! E faz balão, e ultrapassa carro do ano, e entra em cruzamento perigoso buzinando like a boss... Tudo isso sem nunca deixar de pegar ninguém em suas respectivas paradas. Dá sorrisos ainda mais longos que o Geraldo do 501. Uma graça.

Baiano, do 600.
O poder subiu á cabeça e agora ele acha que dirige uma BMW. Usa óculos escuros, o que seria normal se não fosse um daqueles coloridos que são vendidos no verão de Niterói por 15 reais. Não fala com ninguém, porque se acha muito importante. E dá certa pena, porque realmente existe um potencial. Talvez é só esperar passar o deslumbramento com o primeiro emprego. Daqui a alguns anos, quem sabe, ele não começa a sorrir um pouco mais, compra bolinhas pra massagear as costas e até deixa o bigode crescer?

sexta-feira, 2 de março de 2012

As Férias Mais Longas do Mundo


É claro que eu não deveria reclamar. Ninguém em sã consciência reclama de férias longas demais, mas meu dinheiro tá acabando e férias é uma coisa que, por si só, gasta dinheiro. Como a gente tem muito tempo livre e muita tendência à felicidade, acaba pegando todas as sessões de cinema e comendo fora todos os dias e inventando programas (caros) pra disfarçar o tédio. E o preço de tudo anda tão absurdo que vou ter que aumentar minha hora-aula pra dar conta de viver.

Passar o dia à toa é uma delícia, mas ainda acho que nada supera o prazer de estudar, trabalhar e não ter tempo pra pensar. Quando você passa um dia completamente abarrotado de compromissos e leituras e exercícios, é muito pouco provável que encontre tempo pra refletir sobre a vida. E sinceramente, é a última coisa que tenho desejado fazer. Quanto menos pensar, menos paranoico, preocupado e pessimista vou ser. Não sou do enfrentamento e essa minha tendência à subjetividade tem me cansado profundamente de uns anos pra cá.

Existe algo de mágico no estilo de vida dessa gente que põe a mochila nas costas e vai fazendo o que tem de fazer. Sem parar, sem pensar, sem sofrer. Porque eles não abrem espaço pra contemplação, pra reflexão e pra muito provável conclusão de que nada realmente importa.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Mantra dos Bons Alunos

Minha mãe sempre ensinou que primeiro vem o dever, depois a diversão. É um princípio básico, que vence a procrastinação e coloca prioridade na vida. Inclusive, acredito que essa é a única diferença entre os bons e maus alunos. Os bons fazem a tarefa escolar antes de sair pra brincar na rua. Os maus querem a diversão primeiro e, com isso, vão deixando o dever de lado.

Hoje passei algumas horas tentando descobrir quando foi que passei de bom para mau aluno. Porque eu tenho certeza que aos 12 anos de idade eu era algo como "o melhor da turma". Posição que ocupei com vigor até, sei lá, o segundo ano do Ensino Médio. Eu lembro perfeitamente bem que minha rotina era toda construída com o estudo como prioridade. Eu almoçava, descansava por alguns minutos e ia fazer os deveres de casa. Com prazer. Depois, é claro que eu me jogava no Vale a Pena Ver de Novo ou na coleção de filmes do meu pai, mas com a consciência tranquila, por saber que todas as minhas obrigações estavam em dia.

E gente, como isso está claro pra mim agora. Essa é a fórmula da felicidade! O único jeito de estar em paz é estando em dia com as suas obrigações; o que tem sido impossível de uns tempos pra cá. Há anos que não sei o que é passar 15 minutos com a mente tranquila, sem um item da minha checklist piscando a cada segundo. Como ensinou Renato Russo, disciplina é liberdade.

Então, acho que foi mesmo no terceiro ano que o bolo começou a desandar, que comecei a perder minha liberdade. Percebi que eu poderia tirar boas  notas sem fazer as tarefas escolares. Ou que meus trabalhos não ficariam piores se fossem feitos na véspera. E esse pensamento cagou com tudo.

Hoje em dia sou um péssimo aluno. A diversão tem vindo sempre em primeiro lugar. Adotei um estilo de vida hedonístico, que não tô conseguindo manter, e as chances de me ferrar são grandes. Hoje tudo o que eu quero é voltar a fazer o dever de casa antes de sair pra brincar.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Desculpa

Não tô gostando, viu? E tenho estado irritado com todo mundo, mas fica óbvio, né? Que toda essa irritação é comigo mesmo. Não tenho me suportado de uns dias pra cá. Mas sei lá, acho que todo mundo tem uma fase assim... De descobrir que não gosta da pessoa em que se transformou.

De repente me deu uma vontade enorme de pedir desculpas pra um monte de gente. E comprar bombons e escrever bilhetes pra todo mundo. Dizendo que, olha... Eu não sou assim. Por favor, acredita. Não sei o que tá acontecendo comigo, mas esse não sou eu. Prometo melhorar. Beijos.

Só não dei os bombons porque ninguém ia entender.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lei do Interesse

Apareceram umas aftas na minha boca e tudo o que eu queria agora era ter minha avó por perto pra dizer que "isso aí é emocional". Porque pra ela, realmente, todos os males e doenças que nos atingiam, começavam na cabeça. Para parar de soluçar, vovó ensinava o truque: nada de tomar três goles d'água, prender a respiração ou levar um susto, o único jeito era se concentrar, contar 1, 2, 3 e dizer um "parou" com bastante fé. Se a sua mente conseguisse se controlar, naturalmente seu sistema digestório seguiria o mesmo caminho. E nessa brincadeira, nunca vi a danada falhar.

Pra minha vó, a mente era a origem e solução de todos os desvios de comportamento humano. A maldade não existia. Ninguém era mau, todo mundo era doente. Sim, porque meu avô sempre bebia, sempre aprontava, sempre fazia com que ela e os filhos sofressem... Chegou ao cúmulo de jogar cachaça no olho de um gatinho, por pura maldade. Mas até hoje, com meu avô já morto, ela continua dizendo que nunca teve raiva. Tinha pena. "Ele era um homem doente".

Nunca vi minha avó julgar ninguém por um erro, e olha que, às vezes, o erro era realmente digno de julgamento, quiçá, pena de morte. Ela conhecia a alma humana muito bem e essa compreensão fez com que entendesse que as pessoas não são ruins porque querem. Que ninguém escolhe o mal ou que, se acabou escolhendo, certamente foi porque não estava em seu juízo perfeito.

Acho que vou acabar exatamente como a minha avó. Colocando a culpa de tudo que é erro, afta ou cachaça em olho de gato nas doenças psicológicas. Estou julgando cada vez menos e sendo cada vez mais tolerante e compreensível com as falhas alheias. Talvez por também estar adquirindo certa compreensão da alma humana ou, na hipótese mais provável, por já estar pensando no meu próprio julgamento e desejando que a mesma misericórdia que dispenso ao meu próximo, seja dispensada a mim no último dia.

sábado, 1 de outubro de 2011

Direito de Resposta

O post de quarta-feira causou certa comoção lá em casa, então achei de bom tom esclarecer alguns pontos aqui.

Blog pessoal só serve pra isso mesmo. Você começa a se sentir íntimo, seguro, e passa a não pensar nas coisas que escreve. E esse filtro, eu faço mesmo questão de não ter, porque me preocupa demais não ser espontâneo. Pelo menos aqui. Aqui é o único lugar no mundo onde tenho o direito de falar bobagem. E vocês têm o dever de relevar.

Acontece que meus pais ficaram um pouco chateados com a abordagem do meu texto. Acharam que não condiz muito com a realidade, essa ideia de que nos isolamos em um grupo fechado. E olha... Eles me deram alguns exemplos que realmente comprovam relações de afeto com outras pessoas. E embora meu enfoque tenha sido na capacidade de "fazer novos amigos", talvez eu tenha mesmo exagerado, ou pior, tenha generalizado a situação da minha família com base na minha situação.

Porque eu, sim, sou um fracasso nessa área. De não ter nenhum traquejo social. De viver a maior parte do tempo sozinho mesmo. E nem é uma solidão solitária, porque sempre tem gente ao meu redor. Sou eu que me isolo aqui dentro. Porque gosto. Então pode ser que meus pais e irmãos não sejam exatamente assim. Mais uma vez, fui enfático demais. Desculpa.

Por isso as pessoas vivem se assustando com as coisas que escrevo no Twitter (não as pessoas do Twitter, que já são escoladas em matéria de hipérbole, mas as do Facebook). Então sempre tem alguém pra falar: menino, que horror! Fica chato, sabe? Ter que explicar situações hipotéticas, figuras de linguagem, pros loucos da interpretação que não fizeram 7ª série. Mas a culpa pode ser minha também. Confesso que já soube me expressar melhor. Hoje faço uma bagunça. Agora, por exemplo, são quase três da manhã e eu tô aqui falando de coisa que nem é assunto desse post, sem entender mais nada, de modo que é melhor acabar logo com isso.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Família Forever Alone

Dia desses, meu cunhado veio falar que minha família não sabe ter amigos. Que somos todos antissociais, fechados em nosso círculo de piadas internas, etc. E olha, por mais que exista certa implicância da parte dele, não acho que alguém essa semana tenha dito algo mais verdadeiro. E é o tipo de coisa que a gente sempre soube, mas nunca quis encarar. Nós cinco: eu, meu pai, minha mãe e meus dois irmãos mais velhos, não sabemos fazer amigos. Nunca aprendemos como se faz. Até porque, imagino que isso não seja o tipo de coisa que se ensine em algum lugar.

O fato de a minha família ser mineira explica boa parte do problema. Mineiros são extremamente apegados aos seus parentes mais próximos. Gostam de tomar o lanche da tarde, numa mesa grande, onde todos poderão sentar, sorrir, comer seus pães de queijo e fazer o papel de pai, mãe, filho e irmão, que é o certo a se fazer nessas situações. A família é tudo pra gente. Então, fora dela nada faz muito sentido. Nunca precisamos de amigo, sabe? Não dá pra entender, mas o raciocínio é justamente esse. Acho que a gente se bastava.

E daí, multiplicam-se as cenas de grandes festas, envolvendo pessoas das mais variadas origens, todas conversando entre si, e a minha família sempre unida, numa mesa, sem interagir com mais ninguém (e sem deixar que ninguém interagisse conosco). Não é nada premeditado. Tanto que só fui perceber dia desses. Simplesmente não nos damos bem com os outros. E não nos esforçamos pra isso.

Particularmente, posso dizer que tenho alguns poucos amigos, mas todos eles surgiram de forma completamente absurda, sendo a culpa da amizade muito mais deles que minha. Não sei ser espontâneo com as pessoas. No cursinho, quando tento falar com alguém que não conheço, sempre acabo parecendo um louco ou um retardado. Na maioria das vezes o resultado é um silêncio longo e constrangedor. Então, tenho preferido não falar.

Como todo mundo sabe (já que eu não canso de chorar essa pitanga aqui no blog), meus pais se mudaram de Brasília, me deixando sozinho em terras estranhas. E essa seria a grande oportunidade de desenvolver meus atributos sociais, já tão atrofiados. Com o rompimento temporário do clã familiar, naturalmente, eu teria mais tempo para me dedicar às novas amizades ou fortalecer as antigas. Eu poderia ficar mais natural com gente nova, eu poderia ficar menos antipático, eu poderia ficar mais sincero, eu poderia ficar tudo isso, mas o máximo que consegui até hoje foi mesmo ficar sozinho.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

20%


Tenho uma teoria em relação à capacidade das pessoas de mudar sua personalidade. E ela é a seguinte: com um esforço anormal e durante um longo período de tempo, você consegue uma mudança de 20%. Fora isso, você não muda, e está fadado a repetir os mesmos erros e sofrer por eles e decidir mudar e não conseguir em um loop infinito.

Acredito na máxima de que, até os 11 anos você está formando o seu caráter e que depois disso não adianta mais nadar contra a correnteza. Você pode até avançar alguns metros em direção à terra seca, mas logo seus braços ficarão cansados, suas pernas deixarão de bater e você será arrastado rumo ao seu oceano de origem.

Parece o contrário, mas eu realmente não gosto de fazer posts como este, meio autoajuda e meio autopiedade. É uma das centenas de coisas que preciso mudar e não consigo. Porque eu vejo essas pessoas brilhantes, apaixonadas pelas suas funções, e seguras do que querem da vida, e me estraçalho de inveja. Penso que, pra elas, é muito mais fácil levantar da cama. Elas tem um objetivo. E eu só tenho reclamações...

As pessoas têm percebido, e vêm falar comigo, que só reclamo no Twitter. Mas o que elas não sabem é que só tenho Twitter até hoje por dois motivos: 1) Rir e 2) Reclamar. E é uma ferramenta que permite esse tipo de coisa. O que eu não quero é nego vir me falar daqui a pouco que só reclamo no blog também. Porque aí já fica chato, sabe? Fica parecendo que nada mais no mundo me dá prazer, o que não é verdade.

O que eu quero dizer é que estou disposto a fazer esse esforço anormal pra conseguir meus 20% de mudança. Eu realmente estou. Mas, por favor, não esperem mais que isso.

Ou procurem outro Twitter, outro blog, outro amigo...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Tenho fases, como a lua...


Aceito gente mentirosa, cruel, fofoqueira, egoísta, mesquinha, interesseira e até flamenguista, mas, por favor, não me pede pra ficar do lado de gente de lua. Não entra na minha cabeça essa dificuldade que a pessoa tem em perceber que o mundo não gira em torno do seu umbigo e que, por mais difícil que a vida esteja, os outros viventes não têm nada a ver com isso. Posso estar sendo inocente, mas quando eu era criança, minha mãe me ensinou a ser agradável com os outros. Aprendi que é melhor chorar no banheiro a estragar a festa do amiguinho.

Por isso fico tão indignado quando conheço alguém com constantes mudanças de humor. Um dia a pessoa te conta metade da vida dela, ri das suas piadas e faz comentários generosos, no outro ela não olha na sua cara. E você fica se perguntando se vive numa espécie de realidade paralela, porque até ontem, jurava que eram melhores amigos. É desgastante cumprimentar alguém sem saber que faceta virá à tona. E juro que passei da fase de pedir desculpas por coisas que eu não fiz.

Acho que existe uma regra básica que pessoas que vivem em qualquer tipo de sociedade devem respeitar. A regra é a seguinte: você não está sozinho (UFO_feelings). Pronto. Isso implica engolir o choro algumas vezes, sorrir sem vontade ou dizer bom dia quando na verdade você quer que o mundo se exploda. Não estou falando de falsidade, gente (por favor, não sejam retardados). Estou falando de guardar um pouco os sentimentos desagradáveis, sem que eles te transformem em um velho ranzinza. Depois conversa com sua mãe, com seu terapeuta, sei lá...

Cecília Meireles que me perdoe, mas a única fase que eu aceito é a puberdade (e dessa aí, que eu saiba, a grande maioria dos meus amigos já passou). Então, gente... A vida é uma bosta mesmo e estamos juntos nessa. Lide com isso e faça o favor de sorrir.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fotossíntese

Estava ouvindo o CD novo da Adriana Calcanhoto e pensando que a gente precisa mais de samba. Que tá todo mundo extremamente travado e amedrontado com o futuro. Gente estudando pra concurso público, porque o único objetivo da vida é estabilidade. Olha... Se fosse pra ser estável, eu preferia ser, sei lá, uma árvore, não um ser humano. Parece bem mais fácil ficar ali, com as folhas abertas ao sol, só fazendo fotossíntese e puxando nutrientes de canudinho. Mas eu decidi aceitar o fato de que, infelizmente, não sou uma planta. Preciso de um pouco mais pra ser feliz.

Eu não sei quando foi que as pessoas ficaram tão covardes. Não lembro de ouvir esse tipo de proposta aos oito anos de idade. Naquela época a gente achava que podia ser o que quisesse quando crescesse. E ninguém queria ser funcionário público. O medo de ser pobre (ou desempregado, ou não ter o carro do ano) é tanto que as pessoas vão abrindo mão de quem elas realmente são. Minha nossa, isso tá ficando de uma breguice vergonhosa.

O fato é que tem gente achando que sabe o que é melhor pro meu futuro. E nem é meu pai ou minha mãe, ou meus irmãos. É gente que me conheceu ano passado e se julga no direito de vir e, oh, pobre menino... Por que você não desiste da universidade e vai estudar pra concurso? Vai cuidar do sustento dos seus filhos...

Antigamente eu tinha vontade de rir. Agora tenho vontade de sambar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Geração Multitasking


Desde os 12 anos, eu não sei o que é fazer uma coisa de cada vez. Aprendi a almoçar enquanto leio revistas, falar ao telefone enquanto jogo no computador, fazer dever de casa enquanto assisto televisão e, às vezes, tudo isso ao mesmo tempo. Com a internet (e principalmente o wi-fi) as coisas ficaram ainda piores. Por exemplo, qual foi a última vez que você, durante 30 minutos, se dedicou apenas a uma refeição? Sem celulares, iPods ou qualquer tipo de distração entre sua boca e a picanha (ou a pizza, ou a salada).  A ideia de que o tempo é curto demais pra ser desperdiçado com uma coisa só parece bem lógica, mas não passa de ilusão. E temos essa tendência de querer preencher ao máximo nossos segundos. Quer dizer, se eu ainda estou com uma mão livre, tem alguma coisa errada, né?

Na Info do mês passado, saiu uma reportagem exatamente sobre isso. E o texto caiu como uma luva, porque estou sentindo muita dificuldade em me concentrar nos estudos. Minha mente não era acostumada a passar 10 horas por dia com um único objeto de foco. A sensação é de desperdício. Como se eu estivesse usando um computador com 4GB de memória só pra escrever no Word.

"Há uma corrente de estudos que ganha força e defende a ideia de que nosso cérebro realiza bem apenas uma atividade cognitiva, que envolve pensa­mento e raciocínio, de cada vez. Aparentemente, apenas ouvir música não atrapalha a produtividade. Uma pesquisa ainda inédita que o especialista em gestão do tempo Christian Barbosa está realizando há um ano para avaliar o modelo mental das pesso­as em situações de multitarefa mostrou que o des­perdício médio de tempo ao realizar atividades simultâneas é de 35%. Ou seja, no lugar de ganhar tempo com a multitarefa, você perde. O estudo já conta com respostas de 2100 participantes. "É inte­ressante ver que apenas 2% das pessoas tiveram uma performance melhor com multitarefa, mas to­das cometeram algum tipo de erro", diz Barbosa, CEO da consultoria Triad PS. Você pode até conseguir fazer mais de uma coisa, mas provavelmente errará algo.

O fato é que não somos tão multitarefa quanto gostaríamos. Mas muitas pessoas se sentem força­das a dar conta de inúmeras tarefas ao mesmo tem­po. "Há uma grande pressão cultural para respon­dermos imediatamente quando qualquer pessoa entra em contato. Isso leva à rnultitareta", diz Clifford Nass, pesquisador na área de psicologia da Universi­dade de Stanford, nos Estados Unidos. Ele participou de um estudo recente para identificar o grau de rnul­titarefa das pessoas. As que disseram fazer muitas atividades simultâneas tiveram uma performance pior nos testes cognitivos e de memória quando comparadas às que se diziam monotarefa."

PS: Escrevi esse post com apenas duas abas abertas no navegador. Um recorde!