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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estejam Online


A carência fica bem mais evidente na madrugada, porque rola um desespero, né? Quatro da manhã e as chances de encontrar alguém interessante online são mínimas. O coração acelera só de pensar na possibilidade de um vácuo infinito que duraria até o dia seguinte, quando as pessoas aos poucos acordariam e (sem muita paciência) ouviriam minhas mazelas. E quase nunca há o que dizer. É só a necessidade de ser ouvido, de perceber algum tipo de comunicação e sentir que você não é o único no mundo.

Durante muito tempo pensei em morar sozinho como um ideal de futuro perfeito. Sempre me achei muito pouco carente de companhia. As coisas que mais me agradam são, em sua maioria, entretenimentos solitários. E minha maior preocupação era ter um bom livro à disposição no criado mudo. Não sei mesmo quando foi que comecei com essa necessidade de comentar o tal livro com alguém. E de marcar o filme como visto no Filmow, o episódio como assistido no Orangotag... E trocar as experiências. Nem sei se faço isso pela troca mesmo, ou pelo desejo infantil e canalha de ser ouvido.

A internet fez uma coisa péssima: facilitou a interação. Facilitou de tal forma que a gente nem sabe se aquilo pode ser considerado interação. Assim fica impossível levar a sério as amizades. Ninguém está realmente fazendo alguma coisa pelo contato. Basta permanecer, trocar um ou dois emoticons e ir dormir se sentindo popular como nunca. Mas não queria entrar nessa da guerra de egos, da vaidade louca... Não. Só queria pesquisar um pouco o que tem motivado meus surtos de carência online.

Porque pior que ser carente só mesmo ter noção desse estado. E quanto mais tento me controlar, guardar as fotos e calar a boca, mais tweets desnecessários, publicações vergonhosas e posts como este.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Quero que você me aqueça nesse inverno...


Game of  Thrones é o tipo de série que tinha tudo pra ser péssima: uma história grandiloquente, cheia de gente agasalhada e barbuda, jogos políticos chatos, batalhas medievais intermináveis e até um toque sobrenatural... Aparentemente, nada ali seria capaz de me segurar por mais de dois episódios. Assisti ao piloto achando tudo extremamente confuso e errado, mas na última cena, somente nela e por ela, eu tive certeza que assistiria a série até o fim.

Assistir uma série até o fim (isto é, até o último episódio disponível na internet) é de uma raridade absurda na minha vida atual. E nem é excesso de exigência, porque devo ter umas 16 séries na minha watchlist do Orangotag. O problema é que todas estão atrasadas. Não sei dizer ao certo quando comecei a perder os episódios. Na verdade só percebo o descompasso quando anunciam a 5ª temporada enquanto eu estou na metade da 2ª. Mas Game of Thrones eu fiz questão de não deixar atrasar. De separar todo e qualquer tempo livre, encher um copo de coca-cola, e colocar a série em dia. Devo dizer que valeu a pena.

A história não vai parecer grande coisa: temos uma família de nobres, cujo pai é um homem digno e justo (apesar de degolar um inocente logo em sua primeira cena). Temos um rei gordo e bêbado que é amigo desse homem justo e vive cercado por interesses obscuros. Temos uma loirinha que é obrigada a casar com um brutamonte, no melhor estilo A Bela e a Fera da Idade Média. Temos cinco lobinhos órfãos que são criados por uma família de humanos, no melhor estilo Mogli, Só Que ao Contrário. Temos um anão promíscuo que acaba apaixonado por uma prostituta, no melhor estilo A Branca de Neve e os Sete... Ok, parei. Temos tudo isso aí. E também temos o inverno, que está chegando. Esse inverno representa tudo o que existe de mais assustador no mundo: além de pessoas morrendo congeladas a torto e a direito, mendigos, bárbaros e monstros prometem surgir da neve para assombrar os sete reinos.

O fato de a série ser da HBO (a mesma que produz True Blood) pode nos garantir duas coisas: violência e safadeza. E as duas aparecem o tempo todo, de forma exagerada, surpreendente e até desnecessária. Game of Thrones é tão brutal e realista que, pela primeira vez na vida, precisei abaixar a cabeça pra não ver uma cena. Era alguma coisa envolvendo o sacrifício de um cavalo.

Para os mais fracos de estômago, o melhor mesmo é continuar vendo Glee, mas se você acha que aguenta o baque, recomendo que não faça mais nada esse ano. Só assista Game of Thrones.

PS: Muito obrigado a todo apoio que recebi na campanha Gabriel, Vai Dormir do post anterior. Consegui nos primeiros dias. Porque descobri que o truque é não pensar em nada. Simplesmente dormir. Porque se você começa a pensar, descobre que ainda precisa ler, organizar, baixar e fazer um monte de coisa antes de ir pra cama e acaba não indo nunca. Sei por experiência própria, e porque agora mesmo são quase meia-noite e ainda tô nessas de "pensar" em amanhã.