Na sexta-feira passada, a peça Simplesmente Eu, Clarice Lispector veio a Brasília. Nela, Beth Goulart vive a escritora mais cultuada, zoada e discutida da literatura brasileira e aproveita para interpretar algumas de suas personagens marcantes. Inicialmente, a única apresentação seria às 20h, mas os ingressos esgotaram-se em minutos e uma sessão extra, às 23h do mesmo dia, precisou ser aberta. Fui nessa, um pouco preocupado com o desempenho da atriz, já que não deve ser nada fácil sair de um monólogo de quase 1h e entrar em outro idêntico logo depois, mas a preocupação era vã. Se Beth Goulart estava ou não cansada, jamais saberemos, visto que a personalidade de Clarice, por si só, carrega quase todo o cansaço do mundo.
Eu poderia passar os próximos parárafos descrevendo a magnitude do texto, a beleza do cenário e figurino e a assustadora interpretação de Beth Goulart (vencedora do prêmio Shell de teatro por esse papel), mas não vou. E não vou porque estou morrendo de preguiça encontrei a peça Simplesmente Eu, Clarice Lispector, na íntegra, disponível no YouTube. É claro que essa imagem de 240p não substitui a experiência do teatro (que recomendo e incentivo fortemente), mas pode transmitir pelo menos um pouco da inspiração, confusão e encantamento que o texto de uma das mulheres mais míticas da nossa literatura produz.
Bom espetáculo!

