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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Complexo de Walter White

Estava sentado no ônibus às quatro da tarde, num estado de quase sono, quando recebo um tapa na cara. Desses com a mão aberta. Abri os olhos pensando que esse era um jeito no mínimo curioso de abordar um conhecido, mas a figura que vi de pé na minha frente não lembrava nem vagamente qualquer amigo. E apontava um revólver pra minha barriga.

Pediu o celular, estava visivelmente nervoso. E eu, com uma calma estranha, entreguei meu aparelho robusto de 50 reais. "O outro!", "Que outro? Só tenho esse...". Mas eu sabia que ele falava do iPod touch que eu trazia carinhosamente no bolso da calça e que, de longe, parece mesmo um iPhone. Por alguns segundos fiquei perdido nesse raciocínio e o cara se enfureceu. "Você quer morrer?". Agora o cano da arma encostava a minha testa. E eu olhando aquilo tudo só conseguia pensar que, por favor, eu assisto Breaking Bad! Lido com coisa muito pior que uma arma na cabeça.

Estendi o aparelho como quem entrega um filho e adverti: "Mas é um iPod". Acho que ele não ouviu. Saiu correndo, limpou o caixa, mandou o motorista parar, sumiu na BR. Quando tudo acabou, vi que a mulher do meu lado chorava copiosamente.

Eis uma que nunca assistiu Breaking Bad.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Herói É um Assassino


Terminei ontem a terceira temporada de Breaking Bad e acho que nunca fiquei tão empolgado com uma série. Se você ainda não viu nenhum episódio, saia daqui agora e vá fazer isso! Sério. Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. A história do professor de química que tem câncer e resolve começar a produzir drogas para deixar algum dinheiro pra sua família é uma das melhores coisas que a televisão americana já fez. E o fim dessa terceira temporada ultrapassou todos os limites do absurdo. Foi espantoso!

Walter White (Bryan Cranston) é, de longe, o herói mais interessante da TV. Desde quando ele começou a produzir e vender metanfetamina com seu ex-aluno, Jesse Pinkman (Aaron Paul), eu sabia que essa história não ia dar certo. O cara tem uma família super careta e um cunhado que, vejam só, trabalha como agente da DEA (departamento de controle de drogas da polícia americana). Eu sempre soube que uma hora ou outra eles iriam cair. Mas olha... Nunca imaginei que fossem cair tão fundo.

*Spoiler pra quem ainda não viu a terceira temporada.


Na primeira e segunda temporada, tudo o que White precisou fazer foi mentir. Mentir para o filho, mentir para a esposa, mentir para o cunhado... Uma teia de mentiras. Uma maior que a outra. Uma mais absurda que a outra. Uma mais perigosa que a outra. E Jesse, o ex-aluno malandrão, sempre dava um jeito de fazer merda e ferrar com tudo. Então eles sempre estavam na iminência de serem pegos. Alguns episódios me faziam levantar do sofá, tamanha a agonia. A série sempre faz uma coisa que é chegar no limite. E quando já está no limite, de um jeito que não tem mais volta, ela vai ainda mais fundo. Só mais um pouco. E depois retorna, de forma majestosa.

Walter White não é um criminoso. Ele nunca mexeu com drogas ou bandidos, não sabe como essas coisas funcionam. É um cara de bem, honesto, ingênuo até, querendo juntar uma grana pra sua família. E a gente torce por ele. Toda uma audiência TORCENDO POR UM TRAFICANTE (parabéns, AMC)! Mas com o tempo essa ingenuidade some, Walter White é corrompido e aceita o fato de que não tem mais jeito. Ele é um criminoso, e agora precisa agir como tal.

A terceira temporada foi toda maravilhosa. No Orangotag, eu não conseguia dar menos de 4 estrelas pra um episódio. E a season finale foi tão incrível que eu acho muito difícil ser superada pela 4ª temporada (que começa a ser exibida hoje pela AXN). Pra continuar vivo e manter o seu mundo funcionando, Walter White obriga Jesse a matar um homem. E essa cena final, quando Jesse vai até a casa de Gale (David Costabile) para matá-lo me deixou completamente sem chão. Gale é um cara ótimo e inocente, mas que teve o azar de ser um químico divino. E eu fiquei com muita pena dos dois ali, se olhando e se entendendo... Foi comovente. Jesse com a plena consciência do que estava fazendo, Gale com a plena consciência de que iria morrer, e eu com a plena consciência de que até hoje nunca tinha visto nada tão bom.

PS: Dia 4 de dezembro esse blog completou 1 ano de vida e ninguém se deu conta disso. Pra comemorar, fui atrás da trilha sonora do melhor guilty pleasure dos anos 90.




Obrigado pela preferência e volte sempre.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Quimioterapia pra quê?

Dois personagens descobrem que têm câncer em estado avançado. Um deles é professor de química, marido de um mulher insuportável e pai de um filho deficiente. Cansado de ser humilhado pela família e amigos, e vendo seus dias chegarem ao fim, ele decide usar todo o seu conhecimento pra produzir e vender metanfetamina (uma droga altamente viciante), a fim de pagar seu tratamento. O outro personagem é uma mulher com o casamento em crise e mãe de um adolescente indisciplinado. Quando ela descobre que não tem muito tempo, resolve mudar seus hábitos e aproveitar a vida em vez de sofrer numa cama de hospital. Esses são os protagonistas de Breaking Bad e The Big C, duas das melhores séries em exibição atualmente.


Comecei a ver Breaking Bad por indicação de um amigo. Já estou na segunda temporada e terminantemente viciado. Walter, o protagonista, é um traficante. Mas com motivos nobres. Então a gente torce demais por ele. E ele cria uma teia de mentiras cada vez maior pra explicar a origem do dinheiro que paga seu tratamento, estando sempre à beira de ser descoberto (o que gera clímax quase insuportáveis).  É a série mais tensa que já assisti. Impossível não roer as unhas ou não levantar do sofá quando você acha que simplesmente, ele não tem mais saída.


The Big C tenta tratar do assunto com mais leveza, com toda uma atmosfera life is good. Laura Linney, que venceu o Globo de Ouro, faz uma personagem extremamente carismática, além de produzir a série. Gabourey Sidibe (a Precious) vive uma jovem que quer emagrecer, mas não tem disciplina pra isso. E as duas juntas são incríveis. Só assisti dois episódios da série, mas já posso afirmar que se trata de uma das coisas mais gostosas já feitas na televisão.

Breaking Bad está sendo exibida pelo AXN, toda terça-feira, às 21h, e The Big C passa na HBO, todo domingo, às 21h30. Se você não tem TV à cabo, dá pra baixar pela internet (é só jogar no Google). O que não dá é pra perder.