Estava sentado no ônibus às quatro da tarde, num estado de quase sono, quando recebo um tapa na cara. Desses com a mão aberta. Abri os olhos pensando que esse era um jeito no mínimo curioso de abordar um conhecido, mas a figura que vi de pé na minha frente não lembrava nem vagamente qualquer amigo. E apontava um revólver pra minha barriga.
Pediu o celular, estava visivelmente nervoso. E eu, com uma calma estranha, entreguei meu aparelho robusto de 50 reais. "O outro!", "Que outro? Só tenho esse...". Mas eu sabia que ele falava do iPod touch que eu trazia carinhosamente no bolso da calça e que, de longe, parece mesmo um iPhone. Por alguns segundos fiquei perdido nesse raciocínio e o cara se enfureceu. "Você quer morrer?". Agora o cano da arma encostava a minha testa. E eu olhando aquilo tudo só conseguia pensar que, por favor, eu assisto Breaking Bad! Lido com coisa muito pior que uma arma na cabeça.
Estendi o aparelho como quem entrega um filho e adverti: "Mas é um iPod". Acho que ele não ouviu. Saiu correndo, limpou o caixa, mandou o motorista parar, sumiu na BR. Quando tudo acabou, vi que a mulher do meu lado chorava copiosamente.
Eis uma que nunca assistiu Breaking Bad.