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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

É Tudo Verdade


Quando você se propõe a escrever um blog pessoal, é óbvio que esperam, no mínimo, um nível Patrícia de exposição. E eu invejo demais essa gente que parece não dever nada pra ninguém. Essa gente com muita sinceridade e pouca censura. Porque só assim dá pra fazer um blog realmente pessoal e ganhar a confiança dos (cof cof) leitores.

E juro que a intenção era essa. De falar dos meus problemas e conflitos sem pensar muito nas consequências. Mas neuróticos não têm essa desenvoltura. A gente pensa num assunto e automaticamente surgem quinhentas projeções de todo mundo que vai ter acesso ao texto e de tudo que podem pensar; e sua voz vai ficando cada vez mais difusa. Acabo por desistir de tudo e falando de um filme aleatório cuja análise não me comprometa.

Minha vida anda muito estranha, com uns problemas perigosos demais para virem  a público. Então criei esse personagem, que sou eu mesmo, só que com pudores. Esse personagem que só consegue se comunicar através dos filmes e séries que viu, das músicas que ouve, dos retweets no Tumblr. Tudo pra tentar dizer alguma coisa que não ficaria bem em prosa.

Minha vida anda muito movimentada (no campo das ideias, que fique óbvio), mas ela já não tem espaço aqui. Aqui quem fala é esse personagem previsível e cuidadoso. E ele, ultimamente, não tem tido muito assunto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

As Paredes Têm Ouvidos

Nunca foi tão difícil escrever. Estou completa e irreversivelmente travado, de modo que não sei se esse blog sobrevive por muito tempo. Os parentes estão por toda parte, eles brotam nas redes sociais... Eles e os velhos que nunca entendem nada, mas fazem questão de comentar, opinar e aconselhar em cada nova atualização. E eu morro de vergonha, fico me escondendo... Não sei o que responder, não sei o que fazer. Parece que estão invadindo um espaço que, logicamente, é público, mas que até então era só meu e de semi-desconhecidos que não se importavam muito com minha saúde e bem estar.

É um paradoxo. Porque eu escrevo na internet pra ser lido. Eu gosto de ser lido. É esse o objetivo, não é? E, de uma forma ou de outra, fui eu que acabei abrindo esse espaço. Não posso culpar meus pais por lerem um texto público, escrito pelo próprio filho, e divulgado amplamente nas redes sociais.

Eu gosto de ter minha família por perto, realmente não vejo problema em todos eles terem Twitter e Facebook. Mas o tipo de exposição que eu faço não é muito agradável. E muita gente fica incomodada. Faço autodepreciação, reclamo de muita coisa, falo besteira, exagero... E desculpa, mas é assim que sei me expressar. Não tô fazendo tipo. Não tô querendo impressionar. Tô só dizendo que ontem um piano caiu na minha cabeça, porque foi exatamente assim que me senti. A parte de ler e interpretar fica por conta do cliente.

Na maioria das vezes, acabo chateando e preocupando todo mundo, de uma forma ridiculamente egoísta. E isso me constrange. E ver alguém se preocupar comigo publicamente também me constrange. Não sei por que. Mas tem me irritado muito essa incapacidade de dizer o que eu quero falar, por medo de incomodar as pessoas que eu amo.

Das duas uma: ou você começa a cagar pra todo mundo e sai como o egoísta que não consegue disfarçar sua carência, ou você começa a se censurar e, pouco a pouco, vai limitando seu vocabulário, suas ideias e seus pensamentos até cair num silêncio eterno.