Quando você se propõe a escrever um blog pessoal, é óbvio que esperam, no mínimo, um nível Patrícia de exposição. E eu invejo demais essa gente que parece não dever nada pra ninguém. Essa gente com muita sinceridade e pouca censura. Porque só assim dá pra fazer um blog realmente pessoal e ganhar a confiança dos (cof cof) leitores.
E juro que a intenção era essa. De falar dos meus problemas e conflitos sem pensar muito nas consequências. Mas neuróticos não têm essa desenvoltura. A gente pensa num assunto e automaticamente surgem quinhentas projeções de todo mundo que vai ter acesso ao texto e de tudo que podem pensar; e sua voz vai ficando cada vez mais difusa. Acabo por desistir de tudo e falando de um filme aleatório cuja análise não me comprometa.
Minha vida anda muito estranha, com uns problemas perigosos demais para virem a público. Então criei esse personagem, que sou eu mesmo, só que com pudores. Esse personagem que só consegue se comunicar através dos filmes e séries que viu, das músicas que ouve, dos retweets no Tumblr. Tudo pra tentar dizer alguma coisa que não ficaria bem em prosa.
Minha vida anda muito movimentada (no campo das ideias, que fique óbvio), mas ela já não tem espaço aqui. Aqui quem fala é esse personagem previsível e cuidadoso. E ele, ultimamente, não tem tido muito assunto.
