sábado, 19 de fevereiro de 2011

Derrota Sobre Derrota

No primeiro dia de aula do pré-vestibular, o coordenador entrou na sala pra fazer um discurso motivacional. É o tipo de coisa que meu cursinho preza muito, trabalhar o psicológico dos candidatos, e eu acho realmente importante. Então, o cara começou a falar: "aqui existem dois tipos de aluno: os que acabaram de chegar do terceiro ano e os que vêm de pelo menos dois vestibulares passados. Querendo ou não, esse último grupo vem de duas derrotas consecutivas." *silencio no hay banda* "Então, eles não estão de bom humor. Não estão aqui pra fazer amizade. A única coisa que querem é sair dessa bolha do tempo que é ver seus amigos entrando na universidade e você, imóvel numa sala de aula".

Todo mundo sabe que pré-vestibular é uma das fases mais angustiantes na vida de qualquer pessoa que não tem dinheiro pra pagar uma faculdade particular sonha com uma universidade pública. É o tipo de coisa que não precisa ser dita. Tá nos nossos olhos. E o que o cursinho tenta fazer é reduzir ao máximo esse tempo de angústia. Pra isso, existe todo um treinamento militar, que me deixou um pouco horrorizado nos primeiros dias. Nós não estamos lá pra adquirir conhecimento. Os professores deixam isso muito claro. Estamos lá pra aprender a fazer prova. É um sistema extremamente canalha, eu sei, mas quando o nosso futuro está em jogo, acho razoável deixar algumas ideologias pra mais tarde. E se multiplicam as monitorias e plantões de dúvidas e acompanhamentos pedagógicos e planejamentos de estudo e tardes inteiras de persistência e dor de cabeça... Tudo pra fazer você acumular o maior número de pontos e atingir seu objetivo. E o objetivo de ninguém é aprender (pelo menos não todas essas matérias lindas), a gente quer é dinheiro, etc.

Fico muito assustado com a ideia de que vou estar gastando os próximos 5 meses em preparação pra um evento que dura apenas 5 horas. E se eu não estiver num dia bom? E se o pneu do carro furar? Se eu acordar com 39 de febre? Sabe? É muito esforço pra pouca garantia. E nem é uma prova subjetiva, é de certo ou errado... No fim, sempre penso que tudo se resume a marcar bolinhas. Não passa no vestibular quem tem mais conhecimento. Passa quem marcou as bolinhas no lugar certo.

Toda essa preparação, essa fragilidade do momento, tudo isso me deixa muito inseguro. Acho que nem é por mim. Se eu vivesse sozinho no planeta Terra, não me importaria em passar os próximos 2 anos estudando. Por outro lado, eu não suportaria nem mais um semestre com as pessoas me perguntando o que eu ando fazendo da vida, e eu tendo como resposta um atestado de fracasso.

10 comentários:

Malu disse...

Quando estava no terceiro ano já tinha vestibular marcado e nem sabia o que queria fazer. E quando não passei me senti o maior fracasso. Mas no ano seguinte entrei num cursinho que infelizmente acabou só tendo um professor, de matemática, dando aula [e era para a turma que queria fazer as provas para concurso público]. Mas passei ufa!
Boa sorte para você, o que planeja fazer?

Marlon disse...

Me lembro claramente de qnd eu passei por isso(2 VEZES). Era terrível qnd alguém me perguntava o q eu estava fazendo da vida depois do ensino médio e eu sempre respondia: Ainda tô fazendo pré vestibular. Aff! Queria ter a coragem que alguns dos meus amigos tiveram pra desistir e procurar um emprego. Mas ainda bem que eu não o fiz. Finalmente passei, e vou começar a estudar numa faculdade pública do Rio(UERJ)! TIREI O MUNDO DAS MINHAS COSTAS!

Boa sorte. ;D

Gabriela Petrucci disse...

Acho que não tem definição melhor do que essa que o coordenador deu sobre não passar no vestibular.
Eu acho que essa prova é um jogo muito psicológico, depende muito de muita coisa que dificilmente nós podemos controlar.
Enfim... boa sorte aí, Gabriel!

Beijo

Laila Leite disse...

Nossa sou experiente em derrotas, nda que as fluxetinas não resolveram... rs Foi tenso!!! Mas valeu a pena, pq independente de quando vc passe, vc vai passar, e não tem nda mais gostoso do que falar: passei. Mas pelo menos vc não é tão indeciso quanto eu e não vai precisar passar por tudo pra saber o que gosta... rs Pior que não passar é: vai mudar de novo??? Hahahahah Mas agora to decidida... rs Boa Sorte!!!!!!!!!

Luiza disse...

Cursinho é um belo exemplo de mal necessário. Não sinto a mínima saudade daquele tempo, mas é uma fase da vida que praticamente todo mundo tem que passar, então fazer o que, né...
Boa sorte!! :)

Velha da Lua disse...

Foi interessante ler isso, vou começar a me preparar desde já. No final, a gente quer a mesma coisa... Dinheiro.

Francielle disse...

Parece q estou lendo meus pensamentos nesse texto, pois tenho muita experiência mesmo sobre isso. Prestei vestibular pra medicina na ufmg por durante 6 anos e tb fiz cursinho nessa época toda. Por fim adiei e entrei pra Biomedicina na federal de Alfenas. É um perído muito angustiante, me sentia no abismo o tempo todo. É difícil pra gente, pra os pais que sofrem tanto qto a gente. Se existe inferno msm eu acho q é o cursinho. Mas uma coisa é certa, não espere ngm acreditar q vc vai passar se vc msm não acredita nisso e nem faz por onde merecer. Não são os melhores cursinhos ou professores q te farão passar, podem até ajudar. Mas a luta diária a favor de um equilíbrio interno é o fator crucial.

Yeda Lage disse...

Náo é só o aluno que sofre, a mãe do aluno também tem a mesma desconfortável sensação de derrota a cada nova pergunta sobre o que está fazendo seu filho.
torço por um dia em que alimentar um blog como o seu seja prova suficiente para ser aceito numa faculdade federal. boa sorte...

Nih_x disse...

Tive tanto medo de enlouquecer nesse processo que acabei pulando-o.
Prefiro não pensar se fiz certo ou errado, o importante é que estou bem agora.
Boa sorte pra você. Espero que não precise estender ainda mais a espera por um "sim".

Matheus Rufino disse...

esse é o tipo de coisa que disse que é curioso ler agora, que passou. há um ano e pouco tu tava sofrendo com cursinho, agora tá aí, aproveitando a greve, rs.

E eu tenho a impressão que sempre vivi mais ou menos nesse estado, de ter vergonha de dizer pras pessoas o que to fazendo da minha vida, porque nunca fiz realmente algum esforço pra fazer algo que eu realmente quisesse, ou fiz algo de forma plena, posso ser masoquista, talvez. às vezes me asseguro de que é porque ainda to me decidindo, de qualquer forma, não é nada bom.