segunda-feira, 11 de abril de 2011

Todo Mundo Nu e Cru

Não por acaso, Nick Hornby (o escritor do aclamado Alta Fidelidade) é considerado por muitos a maior voz desta geração. Sua literatura é recheada de iPods, e-mails, blogs, fóruns e outros elementos tão comuns à vida dos jovens adultos de hoje. Seu último romance, Juliet, Nua e Crua, conta uma história de amor madura. O que é irônico, já que os personagens tem na infantilidade sua maior característica.

Annie é casada há 15 anos com Duncan, um entusiástico fã de Tucker Crowe (cantor e compositor de sucesso que não lança nada desde os anos 80). E Duncan é um babaca, porque coloca a relação dele com a música acima de todas as outras (mais ou menos o que eu faço com o cinema). Annie acaba tendo acesso a "Juliet, Nua e Crua", uma versão demo do álbum mais famoso de Tucker Crowe, e resolve fazer uma resenha lúcida (não a babação de ovo que seu marido faz) sobre o mesmo na internet. Para a sua surpresa, o próprio Tucker Crowe lê a resenha e entra em contato. Os dois começam a se corresponder, descobrem infelicidades comuns e fecham o triângulo amoroso.

Hornby tem essa facilidade de mostrar o pior lado de seus personagens. E fica a sensação de que todos são reduzidos a seus defeitos. Duncan é um deslumbrado enfadonho, Annie, uma solitária depressiva e Tucker, um cafajeste beberrão. E por mais triste que isso seja, a gente acaba se encaixando em uma das três cartilhas da derrota.

"Duncan não fazia Annie sentir-se incompetente ou insegura de si e de seus gostos. Era o contrário. Ele não sabia nada sobre coisa alguma, e ela nunca se permitira reparar nisso, até agora. Sempre pensara que o interesse apaixonado dele por música, filmes e livros mostrava inteligência, mas claro que aquilo não indicava nada disso, se constantemente ele entendia tudo errado. Por que ele estava ensinando aprendizes de encanadores e futuros recepcionistas de hotel a assistir à televisão americana se era tão esperto? Por que escrevia milhares de palavras para websites obscuros que ninguém lia? E por que estava tão convencido de que um cantor, a quem ninguém jamais dera muita atenção, era um gênio capaz de rivalizar com Dylan e Keats?"

PS: A arte da capa, criada por Kai Regan, é talvez a melhor coisa de Juliet, Nua e Crua.

2 comentários:

Gabriela Petrucci disse...

Mais um marcado lá no Skoob.
Adoro suas resenhas! :D

Meu nome, na verdade, fala Petrutchi sim, mas acostumei falar Petruci, pras pessoas não errarem a escrita, aí até quando não precisa eu falo errado. :T

Beijo

Matheus Rufino disse...

se a melhor coisa é a capa, porrãn..