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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Herói É um Assassino


Terminei ontem a terceira temporada de Breaking Bad e acho que nunca fiquei tão empolgado com uma série. Se você ainda não viu nenhum episódio, saia daqui agora e vá fazer isso! Sério. Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. A história do professor de química que tem câncer e resolve começar a produzir drogas para deixar algum dinheiro pra sua família é uma das melhores coisas que a televisão americana já fez. E o fim dessa terceira temporada ultrapassou todos os limites do absurdo. Foi espantoso!

Walter White (Bryan Cranston) é, de longe, o herói mais interessante da TV. Desde quando ele começou a produzir e vender metanfetamina com seu ex-aluno, Jesse Pinkman (Aaron Paul), eu sabia que essa história não ia dar certo. O cara tem uma família super careta e um cunhado que, vejam só, trabalha como agente da DEA (departamento de controle de drogas da polícia americana). Eu sempre soube que uma hora ou outra eles iriam cair. Mas olha... Nunca imaginei que fossem cair tão fundo.

*Spoiler pra quem ainda não viu a terceira temporada.


Na primeira e segunda temporada, tudo o que White precisou fazer foi mentir. Mentir para o filho, mentir para a esposa, mentir para o cunhado... Uma teia de mentiras. Uma maior que a outra. Uma mais absurda que a outra. Uma mais perigosa que a outra. E Jesse, o ex-aluno malandrão, sempre dava um jeito de fazer merda e ferrar com tudo. Então eles sempre estavam na iminência de serem pegos. Alguns episódios me faziam levantar do sofá, tamanha a agonia. A série sempre faz uma coisa que é chegar no limite. E quando já está no limite, de um jeito que não tem mais volta, ela vai ainda mais fundo. Só mais um pouco. E depois retorna, de forma majestosa.

Walter White não é um criminoso. Ele nunca mexeu com drogas ou bandidos, não sabe como essas coisas funcionam. É um cara de bem, honesto, ingênuo até, querendo juntar uma grana pra sua família. E a gente torce por ele. Toda uma audiência TORCENDO POR UM TRAFICANTE (parabéns, AMC)! Mas com o tempo essa ingenuidade some, Walter White é corrompido e aceita o fato de que não tem mais jeito. Ele é um criminoso, e agora precisa agir como tal.

A terceira temporada foi toda maravilhosa. No Orangotag, eu não conseguia dar menos de 4 estrelas pra um episódio. E a season finale foi tão incrível que eu acho muito difícil ser superada pela 4ª temporada (que começa a ser exibida hoje pela AXN). Pra continuar vivo e manter o seu mundo funcionando, Walter White obriga Jesse a matar um homem. E essa cena final, quando Jesse vai até a casa de Gale (David Costabile) para matá-lo me deixou completamente sem chão. Gale é um cara ótimo e inocente, mas que teve o azar de ser um químico divino. E eu fiquei com muita pena dos dois ali, se olhando e se entendendo... Foi comovente. Jesse com a plena consciência do que estava fazendo, Gale com a plena consciência de que iria morrer, e eu com a plena consciência de que até hoje nunca tinha visto nada tão bom.

PS: Dia 4 de dezembro esse blog completou 1 ano de vida e ninguém se deu conta disso. Pra comemorar, fui atrás da trilha sonora do melhor guilty pleasure dos anos 90.




Obrigado pela preferência e volte sempre.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Filho Pródigo


Quando apaguei o Frenesi, senti um alívio enorme. Não porque o blog tinha se tornado um fardo na minha vida (o que também é verdade), mas porque sou o tipo de pessoa que se arrepende de quase tudo; e imaginar que a internet estava lotada de besteiras que poderiam arruinar minha imagem era algo que não me deixava muito à vontade. Tudo bem que eu não ajudo. Se você conhece alguma rede social, pode estar certo de que participo dela. Mas participo mesmo: respondo fóruns, escrevo recados, comento fotos, etc. Sou muito eficiente quando o assunto é perder tempo.

Acontece que há poucos meses descobri que não sou relevante. Essa foi A descoberta de 2010, eu considero. Então, por mais que eu tenha medo de manchar minha reputação (risos escandalosos), tenho total consciência de que 98% das pessoas que leem este blog estão cagando pros meus problemas. Por isso, resolvi voltar. Porque gosto desse constrangimento público que eu promovo e já estava muito irritado de só poder escrever em 140 caracteres e de não ter uma webpage digna pra colocar no meu cartão de visita pra colocar no meu perfil do Facebook.

Tenho pensado muito na parábola do filho pródigo de uns dias pra cá. Porque sempre achei que eu fosse o filho bom. O que não sai de casa, não gasta o dinheiro do pai com farras e meretrizes, não volta arrependido e não ganha uma festa no final. Sério. Meu irmão sempre foi terrível na escola, então uma vez meu pai prometeu pra ele um teclado da Yamaha, se ele ficasse pelo menos um semestre sem notas vermelhas. E adivinhem... Ele não conseguiu. Chegou a minha vez de ir pro Ensino Médio e eu, que sempre fui bom aluno, pensei que ia rachar de ganhar presente. Só que meu pai não me ofereceu presente nenhum. Durante muito tempo cultivei essa mágoa. Pensei que eu tinha que ter sido um aluno bem ruim e tirado notas bem baixas, pra ter a chance de ganhar um presentão mais tarde.

Mas hoje, depois de tudo o que aconteceu, começo a achar que talvez eu seja o filho mau da história. Não estou falando sobre gastar toda a grana do meu pai com comida e meretrizes. Só acho que as coisas não estão saindo conforme o planejado. E me pego pensando, afinal, qual dos dois filhos foram mais felizes? O que fez tudo certinho e ficou na fazenda ajudando o pai ou o que foi pro mundo, se ferrou, se arrependeu e ganhou uma festa?

"20. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
22. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
23. E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;"
Lucas 15:20-23

O importante é que, de um jeito ou de outro, vai ter bezerro no final!

PS1: O banner é assinado por Dave Coelho, maranhense e cinéfilo, que fez um trabalho no mínimo genial.

PS2: Sejam bem-vindos! Vocês já sabem como funciona, né? Esse blog não tem tema definido, o blogueiro não tem responsabilidade e as coisas vão piorar muito daqui pra frente. Eu não recomendo uma próxima visita.