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sábado, 4 de dezembro de 2010

O Filho Pródigo


Quando apaguei o Frenesi, senti um alívio enorme. Não porque o blog tinha se tornado um fardo na minha vida (o que também é verdade), mas porque sou o tipo de pessoa que se arrepende de quase tudo; e imaginar que a internet estava lotada de besteiras que poderiam arruinar minha imagem era algo que não me deixava muito à vontade. Tudo bem que eu não ajudo. Se você conhece alguma rede social, pode estar certo de que participo dela. Mas participo mesmo: respondo fóruns, escrevo recados, comento fotos, etc. Sou muito eficiente quando o assunto é perder tempo.

Acontece que há poucos meses descobri que não sou relevante. Essa foi A descoberta de 2010, eu considero. Então, por mais que eu tenha medo de manchar minha reputação (risos escandalosos), tenho total consciência de que 98% das pessoas que leem este blog estão cagando pros meus problemas. Por isso, resolvi voltar. Porque gosto desse constrangimento público que eu promovo e já estava muito irritado de só poder escrever em 140 caracteres e de não ter uma webpage digna pra colocar no meu cartão de visita pra colocar no meu perfil do Facebook.

Tenho pensado muito na parábola do filho pródigo de uns dias pra cá. Porque sempre achei que eu fosse o filho bom. O que não sai de casa, não gasta o dinheiro do pai com farras e meretrizes, não volta arrependido e não ganha uma festa no final. Sério. Meu irmão sempre foi terrível na escola, então uma vez meu pai prometeu pra ele um teclado da Yamaha, se ele ficasse pelo menos um semestre sem notas vermelhas. E adivinhem... Ele não conseguiu. Chegou a minha vez de ir pro Ensino Médio e eu, que sempre fui bom aluno, pensei que ia rachar de ganhar presente. Só que meu pai não me ofereceu presente nenhum. Durante muito tempo cultivei essa mágoa. Pensei que eu tinha que ter sido um aluno bem ruim e tirado notas bem baixas, pra ter a chance de ganhar um presentão mais tarde.

Mas hoje, depois de tudo o que aconteceu, começo a achar que talvez eu seja o filho mau da história. Não estou falando sobre gastar toda a grana do meu pai com comida e meretrizes. Só acho que as coisas não estão saindo conforme o planejado. E me pego pensando, afinal, qual dos dois filhos foram mais felizes? O que fez tudo certinho e ficou na fazenda ajudando o pai ou o que foi pro mundo, se ferrou, se arrependeu e ganhou uma festa?

"20. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
22. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
23. E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;"
Lucas 15:20-23

O importante é que, de um jeito ou de outro, vai ter bezerro no final!

PS1: O banner é assinado por Dave Coelho, maranhense e cinéfilo, que fez um trabalho no mínimo genial.

PS2: Sejam bem-vindos! Vocês já sabem como funciona, né? Esse blog não tem tema definido, o blogueiro não tem responsabilidade e as coisas vão piorar muito daqui pra frente. Eu não recomendo uma próxima visita.