segunda-feira, 24 de outubro de 2011

As Paredes Têm Ouvidos

Nunca foi tão difícil escrever. Estou completa e irreversivelmente travado, de modo que não sei se esse blog sobrevive por muito tempo. Os parentes estão por toda parte, eles brotam nas redes sociais... Eles e os velhos que nunca entendem nada, mas fazem questão de comentar, opinar e aconselhar em cada nova atualização. E eu morro de vergonha, fico me escondendo... Não sei o que responder, não sei o que fazer. Parece que estão invadindo um espaço que, logicamente, é público, mas que até então era só meu e de semi-desconhecidos que não se importavam muito com minha saúde e bem estar.

É um paradoxo. Porque eu escrevo na internet pra ser lido. Eu gosto de ser lido. É esse o objetivo, não é? E, de uma forma ou de outra, fui eu que acabei abrindo esse espaço. Não posso culpar meus pais por lerem um texto público, escrito pelo próprio filho, e divulgado amplamente nas redes sociais.

Eu gosto de ter minha família por perto, realmente não vejo problema em todos eles terem Twitter e Facebook. Mas o tipo de exposição que eu faço não é muito agradável. E muita gente fica incomodada. Faço autodepreciação, reclamo de muita coisa, falo besteira, exagero... E desculpa, mas é assim que sei me expressar. Não tô fazendo tipo. Não tô querendo impressionar. Tô só dizendo que ontem um piano caiu na minha cabeça, porque foi exatamente assim que me senti. A parte de ler e interpretar fica por conta do cliente.

Na maioria das vezes, acabo chateando e preocupando todo mundo, de uma forma ridiculamente egoísta. E isso me constrange. E ver alguém se preocupar comigo publicamente também me constrange. Não sei por que. Mas tem me irritado muito essa incapacidade de dizer o que eu quero falar, por medo de incomodar as pessoas que eu amo.

Das duas uma: ou você começa a cagar pra todo mundo e sai como o egoísta que não consegue disfarçar sua carência, ou você começa a se censurar e, pouco a pouco, vai limitando seu vocabulário, suas ideias e seus pensamentos até cair num silêncio eterno.

9 comentários:

Isadora disse...

meu pai descobriu o facebook. eu, prontamente, bloqueei todas as maneiras de me encontrar por ali. fujo como o diabo foge da cruz. e se algum dia, porventura, algum parente descobrir meu blog, eu não mato só ele: não me responsabilizo pelos meus atos.

Matheus Rufino disse...

Família e redes sociais não combinam, essa é minha crença desde sempre, e acho que sempre vai ser. A esfera social familiar e a esfera social virtual não se conciliam facilmente, a maioria dos parentes não entendem o uso que fazemos da internet, por isso tento manter o mínimo de contato com eles por aqui!

;-) disse...

Afff vesti a carapuça agora para esse "os velhos que nunca entendem nada".
Vc tem razão. É um saco sentir-se limitado a escrever por conta de quem nos lê. Ok. Não comento mais...
Mas continuarei lendo seus textos; ao menos enquanto isso me for possível.
Abraço

Ana Lu disse...

Me sinto assim também! Digo, facebook tudo bem, mas um dia minha mãe ameaçou fazer um twitter e eu decretei: Faça um e eu te bloqueio na hora.
Realmente me sentia mais livre no meu blog quando um trilhão de parentes e colegas de sala não vinham me falar abertamente que o lêem. Assim, tem pessoas que eu realmente gosto que lêem, mas muitos que deviam passar longe. E ainda ficam na surdina, o que me deixa mais angustiada, será que lêem mesmo ou não? Às vezes preferiria ter a confirmação.. haha
Beijos

MAURÍCIO FERREIRA LEITE disse...

Meus jovens, espero que algum dia vocês cheguem a ser pais...

Anônimo disse...

Achei interessante o comentário do seu pai, mas será que quando formos pais vamos esquecer o q sentíamos quando eramos filhos?...mas Gabriel, nao se sinta mau por outros leem o q vc pensa, e nem pense em excluir esse blog, pela sua necessidade de se expressar, talvez essa seja a unica maneira de falar o q realmente sente, e o q os outros falam ou pensam eh problema deles, pelo menos vc esta conseguindo ser verdadeiro e isso eh bem melhor q viver mascarado por medo do q os outros podem pensar d vc, e jah parou pra pensar quantas pessoas vão perder contato com vc, com akilo que elas se identificam c vc simplesmente parar d escrever?...nao faça isso, principalmente por vc, mas tmb por todos aqueles que admiram e se identificam com tudo akilo que escreve, mas nao tem coragem d fazer o mesmo..
by: Fernanda Cardoso

Nina Vieira disse...

Essa relação de família nas redes sociais é realmente complicada. Meus pais não possuem twitter, orkut e/ou facebook (ainda bem), mas minha irmã às vezes dá uma passadinha no meu blog e me surpreende de maneira constrangedora. Morro de vergonha até mesmo quando um desconhecido me pára na rua e diz que lê o meu blog. Fico roxa.
Mas espero que você consiga resolver essa situação com a sua família. E não deixe de escrever. Abraços.

sablofe disse...

Quando a gente fala da gente sendo a gente mesmo, o resto do mundo (leia-se as pessoas que se importam conosco: pais e irmãos) tende a se preocupar, achando que estamos (ou que somos) depressivos, doentes e aquela besteira toda. Quando a gente fala da gente sendo outra pessoa, todo mundo acha lindo e criativo. Aprendi a me expressar através dos meus personagens (ou a me esconder atrás deles). Talvez o Crimes por Extenso possa vir a ser o seu trunfo.

Luciana Pacheco disse...

Oi gente, nossa eu não sou velha e tbm não sei a linguagem, esse" oi gente" provou,né kkkk percebi agora!!!!

Bom Bill, vc falou a palavra certa: PARADOXO, não só na rede, mas uma vez que escrevemos está no mundo e se publicamos: Não podemos pedir pro PRIVACIDADE, para isso existem os diários! Quantos aos pais minha gente kkkk não sou mãe mas é claro que eles no fundo só estão preocupados, Aconteceu uma coisa mt mt mt mt mt engraçada esses dias:Trabalho com a adolescentes e as mães entraram nas redes sociais e viram que elas se chamavam de" miguxa". As mães, em um chá da tarde, foram pesquisar o que era miguxa. Depois de muitos debates kkkk chegaram a conclusão que era: Lésbica!!! Desesperaram-se, quando na verdade Miguxa, naquele contexto, era apenas amigas!!! kkkkk
Eh, no fim das contas, um problema geracional e de linguagem. A internet tem outra linguagem, e por isso eu já estou totalmente fora, pq isso jah virou um livro, ou seja, realmente não sou cibernética, tbm sou velha?kkkkkk

ps Maurício...quanto ao seu desejo há duas músicas: " Vc culpa seus pais por tudo isso é absurdo são crianças como vc o que vc vai ser quando crescer" E outra: "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo isso que fizemos, somos os mesmos e contiuamos como NOSSOS PAIS" C'est la vie!!!!
Beijossssssssssssssssssssssss
Ou...qual é o smile de beijo?kkkkk

Bill, o silêncio eterno não combina com você...por isso está em TODAS as redes sociais kkkkkkkkkkkkk