terça-feira, 19 de março de 2013

No Country for Old Players


Quando a Fani foi eliminada ontem, Pedro Bial se deu ao trabalho de inventar toda uma parábola cansativa pra explicar que a veterana entendeu muito menos do jogo que o novato Nasser e por isso não conseguiu vencer. Que ela passou o programa inteiro lutando por uma verdade e que, sim, foi bastante verdadeira, mas e daí? Quem quer verdade? O povo quer é fantasia, Fani! E isso o Nasser sacou bem rápido. Ele é um personagem tão bem projetado que eu fico tentado a achar que merece o prêmio só pelo esforço. A saída da Fani me abalou. Era, talvez, minha BBB preferida desde o sétimo, quando mandou a melhor amiga calar a boca nesse barraco histórico.

Como se não bastasse a saída da Fani, no mesmo programa tivemos Nasser e Andressa colocando André e Fernanda no paredão sem a menor piedade. O mais assustador foi que Andressa poderia escolher entre Natália e Fernanda (teoricamente, sua melhor amiga até então) e escolheu Fernanda. Acho que nunca vi uma votação tão emocionante (gente, alguém me avisa se eu estiver exagerando, mas realmente tudo isso me desesperou): os votos em aberto, o empate entre Natália e Fernanda, o casal de cabeça baixa, chorando, prevendo o destino trágico do seu romance... Não lembro de uma edição ter terminado tão bem.


Pela enquete da UOL, Fernanda volta do paredão. E tô torcendo pra que isso eleve sua popularidade a ponto de ameaçar o favoritismo do Nasser. Ninguém precisa de um novo Rafinha, ninguém quer outro personagem. E a loira teve uma participação tão incrível que só um louco ignoraria tudo isso pra dar o prêmio pra um banana que só fez manipular, discutir a relação e simular brincadeiras sadomasoquistas com a namorada de fachada.

Fernanda sai desse BBB como uma participante do nível de Leka (a bulímica do BBB1), Solange (barraqueira do BBB4), Tina (louca da vassoura do BBB2) e até da própria Fani (vértice mais legal do triângulo amoroso do BBB7). Isso porque foi uma psicopata apaixonada que matou meio mundo de vergonha quando passou dias rastejando por um suposto príncipe, perdeu a dignidade em todas as festas, jogou água e cerveja na cara de todo mundo e justificou tudo isso argumentando daquele jeito afobado e lindo, com o implacável sotaque que só as moças de Belo Horizonte têm.

Não quero ser ingênuo, mas ainda acho que a Fernanda pode ganhar. Principalmente se ela for indicada pro último paredão antes da final com Natália ou Andressa. Mas calma. Todo mundo sabe que a gente não pode criar expectativas em nada que é decidido por votação popular. E não, eu não acho que o povo não sabe votar, que o povo não sabe escolher... Quem não sabe sou eu.

PS: Publiquei uma mixtape nova no 8tracks só com músicas pra te deixar looooooucaaaaa louquinha, rebolando com a bunda na cadeira do escritório.

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Horror


O livro novo da Elvira Vigna não é mais um exercício de masturbação intelectual como tem sido a nossa literatura contemporânea. E digo isso porque foi o que ouvi dizer. Eu mesmo não faço a menor ideia de como anda a nossa literatura. Imagino que não esteja tão boa quanto a da Elvira. Porque não pode estar. O Brasil explodiria com esse excesso de palavras bem colocadas e não gosto nem de pensar na trabalheira que daria recolher as letras depois.

O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor (e, antes de mais nada, por favor: que espécie de título maravilhoso é esse? Não consegui evitar de mostrar a capa do livro pra todos os meus amigos e falar um "olha o que eu tô lendo" com orgulho, porque o título, por si só, já indica certa marotice literária) é um romance narrado em primeira pessoa com uma história só, mas que na verdade são duas. E que na verdade são muitas. Mas que na verdade são a mesma. A protagonista é deliciosa (porque só alguém delicioso teria insights tão bons sobre o número de fileiras em cada espiga de milho e como os jogos de pôquer são terrivelmente sanguinários) e, partindo dela, e da visão dela, todo o resto fica igualmente apetitoso.

A leitura não cansa. Primeiro porque beira a oralidade sem abrir mão da erudição (isto é: sensual sem ser vulgar) e segundo porque a trama propriamente dita, a novelinha mesmo... que a gente gosta de acompanhar, é muito bem construída, amarrada e resolvida. E vai tomando uma proporção mágica nas páginas finais. Fica aberta a interpretações daquele jeito que qualquer pessoa de razoável sensibilidade artística ama. Pra gente poder brincar com as peças, revirar as evidências e fazer castelinhos.

Já o amor do título parece nunca se fazer presente. Se essa é uma história de amor, desculpa, mas eu não sei o que diabos é isso. É o que pensamos. Que essa é uma história de vingança (o que de fato é). Mas, a cada página, os personagens vão se despindo diante dos nossos olhos. É interessantíssimo descobrir os segredos de Roger, Arno e Rose... E ir entendendo o porquê de toda aquela situação desagradável. E a gente vai unindo esses pedacinho de nudez até formar um retrato completo. Agora eles estão completamente pelados, nus, entregues e vulneráveis. Quer maior prova de amor?

"Com o canto do olho apreendo outra vez a sombra que passa na torrinha da Biblioteca Nacional. Tenho um pensamento desses de fim de história, e que acabam (no sentido de destruir) com qualquer história, e que é o seguinte:

A Biblioteca, cheia de histórias em seu interior, tem histórias melhores no seu exterior. Porque a vida está sempre no exterior.

Agora é dar um suspiro profundo, significativo. E fim. Colo um adesivo cor-de-rosa em mim mesma e penso que já posso levantar, acabar com o que mal comecei, e que é isto aqui, e, quem sabe, tentar fazer alguma coisa de útil na minha vida.

Ou posso ver se cato homem."

terça-feira, 12 de março de 2013

Estado Civil: Autônomo


Tanto na vida afetiva quanto na profissional, sofro por excesso de medo. Não tenho o menor espírito empreendedor (para desgosto do meu pai, que já abriu mais de 10 empresas, sempre está envolvido em projetos independentes e me deu um exemplar de Pai Rico, Pai Pobre quando eu tinha 15 anos). Na verdade eu tenho repulsa. É preciso reconhecer quando você tem a vocação e, por mais triste que isso seja, quando você nasceu pra ser só um empregadinho.

Eu tenho tanto medo de arriscar, de ficar sem dinheiro, de perder o caminho de volta pra casa, de viver um amor não correspondido, que acabo fugindo de qualquer responsabilidade. Dou umas aulas particulares (que é um trabalho sem chefe, que eu domino e que rende um bom dinheiro), vivo uns romances com significado indefinido e assim vou me protegendo ao mesmo tempo de uma demissão e de um coração partido.

Essa semana fiz uma espécie de entrevista de emprego. Nunca tinha feito. E achei muito engraçado todo esse lance de RH, trabalho com hora marcada, carteira assinada, férias, direitos trabalhistas, Getúlio Vargas... E também achei assustador eu ter chegado a esse ponto. Porque é como se a vida estivesse me empurrando pra frente (obrigado, vida) e eu tentando voltar atrás, desesperado, esperando a hora em que alguém vai descobrir que, na verdade, ainda sou uma criança de 12 anos.

Hoje me peguei torcendo pra essa entrevista não dar em nada. Por puro medo. Porque ter a carteira assinada é quase tão perigoso quanto se apaixonar. Tenho medo de abandonar meus alunos particulares, me envolver no emprego, me acostumar com o décimo terceiro, e acabar demitido sem maiores explicações. O único consolo seria o seguro desemprego (e pra esse, desculpa vida afetiva, mas não encontrei nenhum correspondente).

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Top 9 - Filmes do Oscar 2013


Talvez essa seja a pior seleção da história do Oscar. Eu, particularmente, não lembro de um ano com a mesma quantidade de filme medíocre. Tanto que só hoje à tarde consegui terminar de ver os indicados à categoria principal. E como já é tradicional por aqui (um blog inteiro baseado em tradição, percebam), publico agora meu ranking pessoal dos filmes do Oscar 2013.



É uma história boboca de recuperação e vitória. Mas é uma história boboca de recuperação e vitória com roteiro bem feito, trilha sonora cativante e excelentes atuações de Bradley Cooper, Robert De Niro e Jennifer Lawrence (favorita ao Oscar de melhor atriz). É o Pequena Miss Sunshine do ano. O filme descolado e sapeca que todos tentam amar (e, nesse caso, não conseguem).



Acho que a Kathryn Bigelow pesou a mão dessa vez. A Hora Mais Escura é um filme arrastado que, salvo uma ou outra cena, desperdiça grandes oportunidades de criar tensão e desenvolver o personagem principal. Não gosto de filme que se nega a entregar pro público momentos de catarse e não oferece nada pra suprir essa falta.



O que Quvenzhané Wallis, de seis anos de idade, faz aqui é monstruoso. Ela carrega o filme nas costas, consegue emocionar e trazer a plateia pra ela. Infelizmente, o roteiro do filme não corresponde ao talento de Wallis, e se contenta em repetir a fórmula de outros tantos exemplos do cinema independente norte-americano.



Lincoln tem seus problemas (é excessivamente didático, exalta uma figura já exaltada à exaustão e cai no melodrama), mas também traz um Daniel Day-Lewis e uma Sally Field afiadíssimos e em perfeita harmonia (a cena do diálogo mais caloroso dos dois é uma aula de atuação). É o favorito a melhor ator (uma das poucas certezas da noite), melhor ator coadjuvante (Tommy Lee Jones e sua peruca danadíssima) e melhor diretor (Spielberg, graças à ausência de Ben Affleck entre os indicados).

5. Argo


O favorito do ano é um filme pequeno, se comparado à megalomania de outros concorrentes como Lincoln e Os Miseráveis, mas consegue coordenar seus elementos técnicos e cênicos de forma tão  eficiente que acaba criando a cena mais tensa do ano. Ben Affleck ficou de fora do prêmio de melhor diretor, mas isso não deve impedir Argo de levar na categoria principal, além de melhor roteiro adaptado e melhor montagem.



As quase três horas de cantoria de Os Miseráveis provocaram reações extremas tanto na crítica quanto no público. Comecei a ver o filme achando tudo cansativo, mas sou presa fácil pra musicais e não demorou muito até que eu começasse a chorar no cinema, enquanto balançava pra lá e pra cá no ritmo da música. Deve ganhar melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway emagreceu, raspou a cabeça, cantou e chorou ao vivo com esse propósito) e mixagem de som.



É um dos filmes mais divertidos do Tarantino. Tem todos os elementos cultuados pelos fãs do diretor (e eu faço questão de me incluir na categoria), tem Leonardo DiCaprio num papel sensacional (achei uma barbaridade ele não ter sido indicado esse ano), Christopher Waltz repetindo o sucesso de Bastardos Inglórios (só que agora do lado bom) e um final épico, cheio de tiro e sangue. Infelizmente, só tem chances de ganhar melhor roteiro original.

2. Amor


O filme de Michael Haneke é dessas porradas dadas com carinho. Conta a história de um casal e sua relação com a proximidade da morte e traz Emmanuelle Riva com uma interpretação absurda, que faz todo mundo ficar com o coração na mão. É cruel até não poder mais e, justamente por isso, honra completamente seu título. Favorito incontestável a melhor filme em língua estrangeira.



As Aventuras de Pi consegue falar de fé, família e morte sem parecer um filme religioso, familiar ou mórbido. Em vez disso, promove o encantamento, enche nossos olhos e nos convida a embarcar com Pi e Richard Parker numa aventura deliciosa. Não tem muitas chances nas categorias principais (embora Ang Lee ainda esteja cotado para diretor), mas é o favorito em trilha sonora original, efeitos visuais e edição de som.

PS1: Todas as imagens usadas neste post foram editadas pelo Chico Fireman e roubadas descaradamente por mim.

PS2: Amanhã (hoje?) eu estarei comentando o Oscar pelo Twitter e, obviamente, dando RT nas melhores piadas da noite. A gente começa com o tapete vermelho, umas 21h. Vem!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ele


Ele levantou da cama e foi escrever. E escreveu por semanas inteiras, se desligou do mundo, deixou que nascesse nele qualquer coisa de poético. E foi descoberto. E disseram que era um grande novo talento. E que sua escrita era vulgar e hermética. E imprevisível. E cheia de pontos finais desnecessários, preposições desnecessárias. Conjunções desnecessárias. Assuntos desnecessários. E tudo era lindo.

Ele aprendeu inglês.

Foi pra Nova York. E assistiu espetáculos, visitou museus, conheceu gente bonita, foi pra rehab, voltou da rehab, mudou pra Paris.

Ele aprendeu francês.

Cantou nas horas vagas. E participou de saraus plenos de música e poesia. E se embriagou de mundo. E se apaixonou por uma cortesã.

Ele finalmente aprendeu a amar. E ela morreu de tuberculose. E ele decidiu que amar não era bom. Era bem ruim, na verdade.

E teve uma recaída atrás da outra. Se isolou do mundo, escreveu um romance. Dessa vez um bom. Que fez sucesso. Que deu certo. Alcançou plateias, encantou a crítica, deixou uma mensagem e ele não viu nada disso, porque morreu de overdose. Ou se matou. Ou foi assassinado. Não ficou muito claro.

E disseram dele que era vulgar e hermético. E que teve uma vida cercada de mistérios. E que fez uma bagunça com o coração. E que não sabia amar. E que teve uma infância difícil.

Adotaram seu livro no último vestibular.

Mas não teve vestibular. Não teve livro. Não teve cortesã. Não teve Paris. Não teve francês. Não teve sarau. Não teve Nova York. O inglês não teve. Nem o escrever por semanas inteiras. Nem o levantar da cama.

PS: Tem conto novo no Crimes por Extenso. E é dos masoquistas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Salubridade, Sanidade e Perfume


Cheguei em casa e fui recebido por uma mãe de banho tomado, cabelos úmidos e perfume de condicionador. Elizete, que trabalha na minha irmã mais velha, veio dar um salve aqui em casa e as duas passaram o dia numa faxina que, imagino eu, precisou terminar com esse ritual de autopurificação materno. Depois ela foi me mostrando os cômodos, quase efusiva. Contou que tinham passado aspirador de pó em todos os cantos do meu quarto (o pobre menino asmático) e tinham limpado até os segredos mais sujos do guarda-roupas. Entrei no banheiro e, ofendido com tamanha assepsia, fiquei pensando em como foi difícil passar tanto tempo sem ela.

Desde que voltei a morar com meus pais, nunca mais vi a louça acumular. A pia está sempre vazia, seca e brilhando. As roupas aparecem passadas, dobradas em pequenos cubos em cima da cama. As cobertas, lençóis e toalhas são trocados de pouco em pouquíssimo tempo. O papel higiênico, o sabonete, o shampoo, o condicionador... Tudo é reposto de forma discreta e silenciosa, escondendo assim o maior segredo da minha família: elfos domésticos.

Puxei da minha mãe essa obsessão com a limpeza, obviamente sem nunca alcançar seu alto nível de dedicação à higiene. Sempre gostei de ter as coisas no lugar e tenho pequenos surtos de deleite quando termino de limpar qualquer coisa mais ou menos imunda. Acho que significa o começo de algo. Como se fosse impossível ser feliz enquanto não passasse álcool gel nas mãos. Mas também tenho preguiça e foi essa minha salvação. Foi isso que me impediu de ser uma Mônica Geller de vida.

Antigamente, no banho, me ensaboava por horas e com tal zelo e tanto, que acreditava piamente ser uma questão de tempo até que meu corpo desaparecesse. Um menino que, de tanto tomar banho, sumiu. Porque uma linha muito tênue divide as células vivas das mortas. É preciso cuidado com essa mania de querer limpar tudo que é sujo. A gente sempre acaba descobrindo que nada é realmente limpo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Bananas Não Flutuam


Sempre houve esse fascínio pelas fábulas, pelas grandes histórias que tentam explicar nossas vidas pequenas. Eu, particularmente, cresci preferindo ouvir histórias a realmente vivê-las. Talvez por já saber desde cedo que, por mais fantásticas que fossem, nossas experiências pessoais jamais chegariam aos pés da ficção. A realidade é triste, suja, não tem muita graça ou propósito. E, talvez por isso, sempre houve também essa busca desesperada pela fé, esse desejo de se sentir parte de algo maior e mais lógico, essa procura por alguma coisa que justifique o esforço que é sair da cama toda manhã. As Aventuras de Pi, o filme novo do Ang Lee, é uma fábula e é também uma reflexão poderosa sobre a fé, o que ela representa e o que ela pode fazer pela nossa realidade medíocre.

Não quero falar muito sobre a trama, porque entrei no cinema sem saber do que o filme tratava e isso foi fundamental pra minha experiência. Basta dizer que Piscine Molitor Patel (o Pi do título) é um garoto indiano que sobreviveu a um naufrágio e que viveu uma história incrível demais pra ser real. E, ao final, são oferecidas duas versões dessa história: uma mágica, cheia de surpresas e beleza e a outra triste, solitária e violenta.


O longa é cheio de simbolismos e referências bíblicas (de cabeça, consigo lembrar de A Arca de Noé, Jonas e a Baleia, a multiplicação dos peixes e Adão e Eva) e, ao contrário do que pode parecer, não é um filme religioso. É, inclusive, um dos filmes mais céticos que já vi, porque coloca Deus como uma opção e não uma verdade absoluta. A fábula e a fé aparecem como uma coisa só, já que as duas têm a mesma função.

Fica óbvia a relação da religião com a própria arte de contar histórias. Porque um escritor é também um deus do seu universo ficcional. E ler um livro, ou ver um filme, é também um ato de fé. É preciso acreditar pra que a história funcione. Como se não bastasse tudo isso, o filme ainda entrega em seu ato final uma belíssima meditação sobre a morte. Porque, infelizmente, a morte não é uma viagem com data marcada e quase nunca temos a oportunidade de dizer adeus.


"I still cannot understand how he could abandon me so unceremoniously, without any sort of goodbye, without looking back even once. That pain is like an axe that chops at my heart."

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um Ano Muito

Fui ler as resoluções do ano passado e morri de pena de mim. Porque continuo dormindo pouco, comendo mal, vivendo em estado vegetativo e perdendo séculos em redes sociais sem qualquer compromisso com a realidade. O bom disso tudo é que não preciso ficar inventando novas metas pra 2013.

2012 foi tão eufórico e desesperado que não consigo classificá-lo como um ano bom ou ruim. Vou classificá-lo como um ano muito.

Então eu só queria que 2013 fosse um ano menos, porque até minha asma voltou.

Ninguém tem fôlego pra isso. Pra entrar na faculdade, terminar namoro e morar em quatro casas em regiões opostas de um Distrito Federal cada vez menor. Sinto meu corpo desproporcional e gigante, como o da tia Guilda do Harry Potter. Meus pés ficam pra fora da cama e isso é pura metáfora.

Depois de quase dois anos, voltei a morar com os meus pais. E pode parecer uma regressão no processo natural de amadurecimento (vai ver até é), mas eu considero uma volta necessária. É preciso estabelecer uma comunicação, atualizar a família e ganhar meu espaço. Também é preciso economizar.

Ontem fiz uma maratona de How To Make it in America (uma das séries mais legais que a HBO já produziu) e assisti Setembro, um desses filmes sérios do Woody Allen. Hoje acordei mais cedo pra nadar um pouco e tomar sol, enquanto observava duas crianças apostando corrida na piscina infantil (uma delas roubando descaradamente). A ideia era começar o ano com as séries e filmes em dia e uma inclinação inevitável para o exercício físico, quiçá a maromba, mas tudo que consegui foi começar o ano com o ombro queimado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os Melhores Filmes de 2012

Eu achei que o ano passado tinha sido ruim em matéria de cinema, mas não. 2012 veio e mostrou que as coisas sempre podem ficar um pouco piores. Ainda assim, consegui garimpar 10 títulos que fizeram o ingresso valer a pena. Aí estão os filmes que mais me emocionaram, encantaram e fizeram sofrer ao longo desses 12 meses. Todos foram lançados no Brasil de janeiro a dezembro de 2012 e o único critério utilizado para a escolha foi, mais uma vez, minha visão pessoal, parcial e pouco confiável.

10. Heleno



Com uma belíssima fotografia em preto e branco, Heleno conta a história do famigerado e problemático jogador de futebol que por anos brilhou no Botafogo. E se sua paixão e doença aparece aqui tão evidente e assustadora, a culpa é toda de Rodrigo Santoro, que entrega uma atuação marcante.



Viva os filmes de máfia! E todo o seu sangue, e suas frases de efeito, e seus elencos espetaculares. Este conta com um Tom Hardy canastrão e uma Jessica Chastain encantadora; usa a figura lendária do mafioso para discutir a própria lenda e faz tudo isso com um ritmo e tensão exemplares.



Um diretor novo fazendo um filme despretensioso e original. Poder Sem Limites fala de três adolescentes que, após uma noite incomum, começam a mover objetos e outros seres com a mente. O poder é sedutor e incontrolável, assim como a própria juventude.



No último filme de Jason Reitman (diretor de Juno e Amor Sem Escalas), Charlize Theron vive uma escritora de livros juvenis que, motivada por um convite de batizado, volta à sua antiga cidade e é obrigada a enfrentar sua frustração, infelicidade e loucura. É o retrato de uma geração que não soube crescer (como se alguma soubesse).



Ruby Sparks é uma menina linda, inteligente, cool e fictícia. Ou não. A história de Calvin, um escritor em crise criativa e sua personagem que ganha vida, é um triste exercício de metalinguagem. O filme parece uma comédia romântica bobinha, quando na verdade é um espelho indiscreto de todo artista frustrado com o ego gigante.

5. Precisamos Falar Sobre o Kevin


A história do cinema é cheia de filmes sobre crianças diabólicas e suas atrocidades nada infantis. Em Precisamos Falar Sobre Kevin, porém, o foco está na mãe do psicopata. E Tilda Swinton destrói no papel. A relação de Eva e seu filho é doentia e deixa a plateia atordoada, sem saber a quem culpar.

4. Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios


Camila Pitanga encarna a musa inspiradora de um fotógrafo libertário e, ao mesmo tempo, o objeto de adoração de um pastor evangélico. O cenário é ermo, a trama é incômoda e tudo é pura poesia. Não do tipo que encanta, mas do tipo que apavora.

3. Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Não é que eu seja fã do Christopher Nolan (e eu sou), mas a verdade é que ninguém pode desmerecer o que esse homem fez com um personagem de história em quadrinhos. A trilogia iniciada em Batman Begins, e encerrada aqui epicamente, é mais que uma franquia de super-heróis. É cinema. E da melhor qualidade.

2. As Vantagens de Ser Invisível


Hollywood respira aliviada, porque a nova geração de atores já mostrou a que veio. As Vantagens de Ser Invisível é um filme de temática adolescente, com Hermione, Kevin e Percy Jackson, todos extremamente seguros e carismáticos. Stephen Chbosky (que também escreveu o romance em que o filme se baseia) não se limita aos clichês adolescentes e entrega um trabalho maduro e comovente.

1. Drive


Drive é dessas obras incategorizáveis. Porque é uma história de amor, mas também é uma história de violência. Tem muito silêncio e, ao mesmo tempo, uma trilha sonora extremamente marcada que funciona como catalisadora de tensões. E Tem Ryan Gosling em seu melhor papel até hoje. É um filme sobre o conto do escorpião, a violência como demonstração de amor, nosso caminho inevitável para a morte e a beleza de tudo isso.

Atualização:

Antes do ano acabar, e depois de ter feito essa lista, fui ao cinema assistir As Aventuras de Pi. O filme entraria, sem dúvidas, na lista de melhores do ano. Muito provavelmente em segundo ou primeiro lugar. Falei dele aqui.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Meninos Não Choram

Faz um mês que estou emocionalmente abalado e não sei por que. Percebi o problema em uma noite de segunda-feira, quando, sozinho no meu quarto, fui ver Compramos um Zoológico e chorei por quatro vezes ao longo do filme. Quem viu sabe que ele não é tão triste nem oferece tantas oportunidades assim pra comoção, mas eu fiz acontecer.

Meu pai, por exemplo. Nunca vi derramar uma lágrima. Ele simplesmente não chora. Desconfio de que suas glândulas lacrimais não funcionem muito bem. Ou talvez ele vá todo dia pro banheiro chorar escondido, nunca se sabe. Minha mãe diz que já viu meu pai chorar duas vezes ao longo dos infinitos anos de casados que eles têm, mas até agora são só boatos.

Eu realmente queria ser menos sensível a essas bobagens. Ou chorar pelos motivos certos. Porque quando é pra demonstrar carinho, falar da minha vida ou sofrer com alguma perda, sou uma pedra. Agora, coloca um Toy Story 3 procê ver se eu não estarei em prantos do início ao fim, com direito a soluços desesperados na sequência final.

Acho que peguei toda a minha sensibilidade e joguei no campo das artes. É uma estratégia segura, porque a ficção tem essa vantagem maravilhosa de não ser real. E, por mais comovente que o filme for, em aproximadamente duas horas ele vai acabar. Eu tenho medo é dessa coisa louca chamada vida que não vem com o tempo de duração na capa.