sábado, 19 de março de 2011

Simulação

Eu queria muito que alguém entrasse na minha mente e visse como ela funciona, porque eu tento explicar e parece que as pessoas não entendem realmente a dimensão da coisa. Por exemplo, hoje tive um simulado de exatas no cursinho (semana passada foi o de humanas, que eu já achei incrivelmente difícil) e minhas expectativas nem eram das melhores. E também... Acho que estava muito cansado. Tinha acordado às 5h30, andado de ônibus, tomado chuva e estudado a manhã toda. Apesar disso, juro que comecei a fazer a prova com bastante confiança. Garrafinha de água cheia, calculadora em cima da mesa, Club Social... Vinte minutos depois e eu já estava pensando em voltar pra casa.

O Cespe (esse órgão responsável por toda a tristeza e amargura do mundo, que faz as provas da UnB) tem um sistema de pontuação no mínimo cruel. Aquele onde uma questão errada anula uma certa. O que te impede de chutar, se não quiser terminar a prova com ponto negativo. Então eu fui deixando as questões que eu não sabia em branco... E foi ficando TUDO em branco. Aí desesperei e comecei a fazer algumas que eu tinha uma leve desconfiança, mas cheguei a conclusão que essa estratégia ia mudar minha nota de 0 pra, sei lá, -81.

E eu tenho estudado muito. É o meu limite, sabe? Não dá pra fazer mais que isso (ok, talvez dê, se eu passar a dormir 3 horas por noite). E me irrita muito não poder marcar uma questão porque não lembro se a gástrula vem antes ou depois da blástula (coisa que eu já tinha estudado, mas minha memória fez questão de abstrair). Quer dizer... Como se não bastasse as matérias acumuladas, eu ainda vou ter que voltar nas que eu já tinha fechado porque não deu pra absorver tudo? Realmente. Não tô em condições.

Por causa de tudo isso, comecei a pensar em desistir do simulado. Simplesmente jogar a prova no lixo e ir pra casa. Depois pensei em desistir do meu curso. Talvez se eu fizesse letras, conseguiria passar e viver uma vida que eu não escolhi. Então pensei em desistir da UnB. E no fim eu já estava pensando em desistir da vida. As coisas sempre terminam aí. Essa é a linha de pensamento que minha mente, ansiosa e doentia, tem o costume de adotar. E na hora faz todo o sentido. A minha sorte é que nesse ponto eu começo a cair na real. Vejo que não vai ser possível morrer agora e faço o caminho de volta, até chegar numa chuvosa tarde de sábado.

Tenho estado muito instável, sabe? E eu não tinha esse costume de pensar em desistir. Eu costumava suportar bem as adversidades. Bem mais do que eu tenho suportado. Minha disciplina era brilhante, minha concentração, de dar inveja. Não sei o que está acontecendo. E olha que era só simulação.

5 comentários:

Gabriela Petrucci disse...

Nossa, me vi aí, Gabriel!
Passei por isso exatamente desse jeitinho. Aí eu começava a entrar em pânico porque não conseguia mais me concentrar e virava uma bola de neve do tamanho do mundo.

Agradeça por uma errada anular uma certa, aqui um errada anula a questão toda! ><

Beijo

Anna Vitória disse...

Vestibular tem esse efeito bizarro sobre a gente. Ano passado eu estava passando por uma fase tão horrível que sabe quando você chega a considerar DE VERDADE largar tudo e viver de brisa? Então. É claro que eu não ia fazer isso, mas sabe aquele meio segundo que você pensa assim: "chega, não dá mais, cansei, foda-se"? Pois é.
Sabe o que eu te conselho? Parece clichê, mas pelo menos comigo, fez milagres. Pare de pensar no vestibular e viva um dia de cada vez. Por exemplo, ao invés de ficar pensando e colocando expectativas na prova (difícil, mas possível), planeje sua semana, seu dia. Coloque metas menores, porque elas são mais fáceis de lidar. O resto é consequência.
E quem faz a prova da UnB é muito mal amado. Acho que o PAS é um dos meus maiores arrependimentos.

Leo disse...

Qual a sua primeira opção de curso?

Karol Pereira disse...

Mesma sensação e sentimentos que eu tinha na época de cursinho! É essa maldita pressão de tudo e de todos (inclusive de nós mesmos)que nós deixa nessa instabilidade, nessa bipolaridade de achar que tudo dará certo em um minuto e em outro querer jogar tudo pro ar, e com essa quantidade de tempo enorme que ficamos a sós com nós mesmos, enquanto estudamos, não ajuda em nada a fugir dessa doidera que fica nossa mente. A UnB tem esse poder de deixar a gente sem nexo.
Mas vai com fé, Gabriel, todo mundo que leva a sério o cursinho tá do mesmo jeito. rs

Thais Bueno disse...

Lendo seu texto me revi a três anos atrás. Mesma situação, mesma história. Mudando de UNB para UFMT.

Não sei muito o que dizer, nem sei mesmo se há o que dizer para lhe confortar, além de lhe desejar sorte. rs